27 de outubro de 2021 às 08h49m
Ceará quer utilizar Inteligência Artificial para sugerir serviços sociais à população vulnerável

Plataforma que compila dados sobre a assistência social deve ser alimentada por funcionários dos próprios Cras

Como parte de um pacote de investimentos na área socioassistencial, o Governo do Ceará lançou uma plataforma que deve concentrar dados de cidadãos atendidos pelos Centros de Referência de Assistência Social (Cras). O Big Data Social deverá servir para organizar informações, facilitar o monitoramento de políticas públicas e dar suporte para a criação de outras.  A ferramenta foi apresentada a coordenadores de Cras de diversos municípios do Ceará nesta terça-feira, 26, no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza.

A partir do desenvolvimento do repositório de dados, a tecnologia também poderá ser utilizada no futuro para sugerir e encaixar a população atendida em programas sociais ou benefícios mais adequados para cada perfil com o auxílio de Inteligência Artificial.

“Hoje o que é feito de forma manual, que é a recomendação de serviços, nós vamos trazer a Inteligência Artificial e mostrar para vocês o que cada família precisa”, explicou a gerente de produto do Laboratório de Inovação e Dados do Governo do Ceará (Íris), Mariana Gonçalves, durante apresentação.

Os coordenadores presentes no evento tiveram o primeiro contato com o novo formulário que deve ser preenchido para que as informações dos cidadãos atendidos sejam compiladas no Big Data Social. Questões de saúde, renda, condição de moradia e trabalho são algumas que ajudarão a compor o “data lake”, ou lago de dados, idealizado para a plataforma.

Com o preenchimento de informações realizado diretamente pelos funcionários dos Cras, o objetivo é trazer mais agilidade ao processo de análise de dados e composição de diagnósticos sobre a população dos municípios do Interior e sobre as políticas públicas aplicadas pelo poder estadual. Atualmente, os dados da assistência social do Ceará alimentam uma base nacional de informações sobre assistência e não ficam disponíveis de forma contínua e atualizada para municípios e para o Estado.

“Após dois anos que uma família começou a receber um benefício, o que impactou na vida daquela família? Após dois anos, será que ela saiu da situação de vulnerabilidade? Onde nós conseguimos chegar?”, questiona Mariana. A cientista de dados acredita que a plataforma conseguirá ajudar na busca pelas respostas a essas perguntas.

Para Raíssa Freitas Brito, psicóloga e técnica de referência e um dos cinco Cras do município de Horizonte, ter acesso aos dados será positivo para o seu trabalho na região. “Isso facilita que a gente entenda o perfil das famílias, como elas estão sendo atendidas aqui na rede e até para que a gente possa formular programas e ações no município para atender as famílias de acordo com o perfil delas”, opina.

Raíssa conta que os dados colhidos pelo Cras em que trabalha são preenchidos manualmente em relatórios que então são entregues para a secretaria responsável pela assistência social do município. Como parte da implementação da plataforma, a Secretaria de Proteção Social, Justiça, Cidadania, Mulheres e Direitos Humanos (SPS) também deve distribuir computadores para os centros de cada município. Formações online serão ministradas para ensinar aos funcionários dos Cras como alimentar o sistema.

Raio X dos municípios

A plataforma Big Data Social já está disponível para consulta com dados sobre o programa Mais Infância Ceará, Vale Gás e sobre visitas domiciliares. Para além disso, a expectativa de Onélia Santana, primeira-dama do Ceará, é que a plataforma possa oferecer um “raio X” sobre a situação socioeconômica dos municípios.

“Os Cras vão alimentar esse sistema, vão fazer a busca ativa dessas famílias que estão em extrema vulnerabilidade para nos informar. E em cima disso podemos ampliar o Cartão Mais Infância, o Vale Gás, que é outro sistema importante que vem sendo ampliado cada vez mais e agora se torna política pública”, disse em entrevista coletiva.

Onélia insta que os municípios alimentem o sistema de forma frequente. “Não existe você traçar uma política pública sem indicadores e sem evidências, é impossível”, afirma. Como estímulo para a atuação dos Cras nos municípios, o Governo também lançou uma premiação que deve gratificar os equipamentos com melhor desempenho com verbas de até R$ 150 mil. Todas as ações foram lançadas como um Pacto pela Política de Assistência Social no Ceará, com o aporte de mais de R$ 72 milhões.

Para a secretária da SPS, Socorro França, é necessário saber mais sobre as vulnerabilidades que rodeiam famílias atendidas pelos Cras. “Queremos conhecer o que falta naquela família. É um irmão daquela criança que tá fora da escola, é um pai que tá preso, é uma mãe que entrou na drogadição. É isso que a gente quer: ter evidências para criar políticas públicas democráticas e assertivas no estado do Ceará.”


Fonte: O Povo

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