09 de fevereiro de 2010
Fortaleza: Confusão na volta da Zona Azul

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Avenida Monsenhor Tabosa, 11 horas da manhã de ontem. Primeiro dia de exigência dos bilhetes de Zona Azul, após duas semanas de ações educativas promovidas pela Autarquia Municipal de Trânsito, Serviços Públicos e Cidadania (AMC) de Fortaleza. A via, um dos principais corredores da Capital, é também uma das três grandes áreas de estacionamento rotativo: as outras são Aldeota e Centro. Lá, das 50 folhas da caderneta de multas de Aécio Soares, assessor da Divisão de Operações da AMC e chefe da equipe, 12 já haviam sido usadas.

``Mesmo com a campanha educativa, ainda há muita gente relutante``, concluiu Soares, interrompendo o pente fino no trecho da avenida que vai da Dom Manuel até a João Cordeiro. Apenas ali, são 235 vagas de Zona Azul, todas de cinco horas.

Essa relutância de que fala o fiscal interfere diretamente no humor do flanelinha Fábio Araújo, 30 anos. Vendedor de bilhetes de Zona Azul, Fábio andava cabisbaixo. Não era para menos: dos 20 tíquetes que havia adquirido de manhã, só tinha encontrado comprador para oito. ``Tem motorista que chega e diz que só vai demorar 15 minutos. Acaba passando duras horas``.

Em Fortaleza, há 2.452 vagas de Zona Azul. A Aldeota concentra a maior parte delas: 1.183 unidades de duas horas de permanência e 231 de cinco horas. No Centro, são 579 vagas de duas horas e 225 de cinco. Para Cristina Carvalho, gerente de loja na Monsenhor Tabosa, a cobrança é uma necessidade. ``Para o cliente, é melhor.`` A vendedora Lena Costa, 30, acrescenta: além da cobrança, deve existir maior organização, principalmente dos pontos de venda. ``Tem que fixar essa cobrança. Fica todo mundo com medo da indefinição. As pessoas me procuram para saber se a Zona Azul já está valendo``.

Na rua Maria Tomásia, entre a avenida Desembargador Moreira e a Barbosa de Freitas, Josi Freitas, profissional de comércio exterior, deixou o carro em área de estacionamento rotativo, mas não comprou o bilhete. ``Não sei onde vende. O ponto muda de lugar, mas a multa sempre vem.`` No mesmo quarteirão, Antônio Cícero, 44 anos, lamentava a venda baixa: desde as 7 horas da manhã, havia despachado apenas meia dúzia de bilhetes. De acordo com a AMC, informações sobre pontos de vendas podem ser encontradas nas placas que indicam as áreas que constituem Zona Azul.

O Código de Trânsito Brasileiro estabelece multa no valor de R$ 53,00 caso o veículo seja flagrado estacionado em área de Zona Azul sem o bilhete visível sobre o painel ou em outro ponto. Por se tratar de infração leve, o condutor acumula três pontos na Carteira Nacional de Habilitação.


E-Mais

>De acordo com a AMC, o bilhete de Zona Azul é repassado a proprietários de lojas e bancas de revistas por R$ 0,80 e vendido por R$ 1.

> Nas mãos dos ambulantes, o tíquete pode chegar a R$ 2. Ele não pode ser adquirido direto na autarquia, mas apenas nos pontos cadastrados de venda.

> A AMC informa que o valor oriundo da venda é revertido para ações de educação no trânsito, sinalização das vias, iluminação etc. e que não tem previsão do que deve ser arrecado com as cartelas de Zona Azul.

> A cobrança estava interrompida desde o segundo semestre de 2009.


Fonte: Henrique Araújo do O Povo
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