17 de dezembro de 2009
Quando vale apena comprar um modelo prestes a sair de linha

Descubra quando é um bom negócio comprar um modelo que está saindo do mercado

Antigamente, o fim do ano era a época em que as montadoras renovavam sua linha, trazendo carros com um novo ano-modelo, que podiam incluir desde uma cor inédita a uma renovação total. Atualmente, essas trocas de linha ocorrem mais cedo e durante o ano todo. A Fiat, por exemplo, apresentou o Palio 2010 já em janeiro de 2009. Nessa situação, o consumidor se pergunta se vale a pena comprar a versão antiga quando a nova está no mercado.

É justamente nessa hora que você deve ficar atento para não cair em armadilhas, ou melhor, na pequena diferença de preço que é oferecida pelas revendas nos veículos que ganham linha nova. A regra aqui para se dar bem depende basicamente do desconto que você vai conseguir sobre o preço de tabela. Até pouco tempo atrás, era comum encontrar promoções que chegavam, em alguns casos, perto dos 10 000 reais, dependendo do modelo. Como regra, quanto mais equipado e caro é o automóvel, maior deverá ser esse desconto, o que na prática significa que, na média, um bom abatimento para um sedã médio é de 10% e para um carro popular fica em 5%. Dessa maneira, já seria possível compensar a desvalorização natural que ocorre entre o modelo novo e o velho. Porém o tamanho desse desconto ainda vai variar em função do tamanho do estoque do carro antigo, do quanto a versão atualizada mudou em relação à anterior e do novo preço de tabela.

“O preço do Palio 2009 é o mesmo do 2010. Sei que pode parecer estranho, mas infelizmente não tenho como reduzir ainda mais o valor da linha antiga, já que tenho poucas unidades estocadas e as mudanças entre os dois também são bem pequenas”, diz Giuliano Coelho, gerente de vendas da Fiat Amazonas, em São Paulo.

Apesar de o argumento ser verdadeiro, a regra ao comprar um modelo que está mudando é sempre pesquisar e pechinchar bastante, pois uma determinada concessionária pode estar com a versão antiga vendendo bem, mas em outra loja a procura pode estar baixa, favorecendo um abatimento maior. Foi o que descobriu na prática o professor de educação física Igor Fernandes, de 32 anos, que conseguiu encontrar em outra revenda Fiat algo que coubesse em seu bolso. “Estava atrás de um carro zero que ficasse perto dos 20 000 reais. Rodei feito louco, mas consegui encontrar um Mille Economy 2009 por 21 000 reais, ou seja, 1 700 reais a menos do que eu pagaria no modelo 2010.” Ele fez questão de ressaltar que não está preocupado com a possível desvalorização no futuro e sim com o que, no momento, pode pagar. “O que importa é que o carro é novo e não terei gastos com manutenção nos próximos dois anos”, afirma Fernandes.

Compra ou investimento?
Seguindo esse mesmo raciocínio, o presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Sergio Reze, explica que “brasileiro precisa parar de comprar carro como forma de investimento”. “É necessário mudar essa mentalidade. O que deve ser levado em consideração é a utilidade de determinado veículo e se ele suprirá suas necessidades”, afirma Reze.

Na esteira de Reze, a administradora de empresas Adriana Marchetti, de 40 anos, mostrou-se satisfeita com a compra de um Citroën C4 2.0 Exclusive 2008. “Estava de olho nesse carro fazia uns seis meses. Tinha visto esse C4 rodando fora do Brasil e quando o encontrei em uma revenda não pensei duas vezes. Sou o tipo de pessoa que não compra o carro pensando em negociá-lo. Vi que as diferenças para o modelo 2009 eram mínimas e achei besteira pagar 8 300 reais a mais no modelo 2009, que custava 77 500 reais.”

Quem também ficou contente com a boa economia na compra foi a médica Kátia Antunes, de 39 anos, que conseguiu poupar 10 000 reais na aquisição de uma Grand C4 Picasso 2.0. “Quando fui realizar a compra, o vendedor me informou que a linha 2009 estaria em breve nas lojas. Mas, como me disse que as alterações seriam pequenas, resolvi aproveitar a diferença de preço. Melhor pagar 86 000 reais que 96 000 por um produto quase idêntico”, afirma Kátia.

As novas gerações
Bem, até agora o assunto era apenas uma simples mudança de ano-modelo. Mas o que acontece quando o carro deixou de ser fabricado e o modelo está ganhando uma nova geração, com mudança de desenho e de estrutura? Aí a redução de preço tem de ser maior. De acordo com Paulo Garbossa, consultor da ADK Automotive e professor do Centro de Estudos Automotivos, quanto o novo modelo sofreu modificações profundas, o desconto tem de ser de no mínimo 15% e o consumidor deve ficar com o carro por pelo menos uns três anos, prazo no qual o carro se desvaloriza mais. Após esse período, o preço se estabiliza.

A consultora de sistemas Selma Pipo Brás, 44 anos, resolveu seguir essa lógica. Ela comprou um Honda Fit em outubro passado sabendo que a nova versão estava para chegar – e que seria bem diferente. Mesmo assim, ela preferiu comprar o modelo 2008, pois o preço era 15% inferior e ainda conseguiu ótimas condições de pagamento. “Eu não me preocupei com uma possível desvalorização e com as modificações. Eu queria fechar um negócio que coubesse em meu orçamento e ter um bom produto zero-quilômetro.”

Se você ficou com água na boca e cheio de vontade de fazer um bom negócio, saiba que a maioria das montadoras só irá renovar grande parte de sua linha no segundo semestre e, portanto, elas ainda vão esperar para praticar descontos interessantes. A Peugeot, por exemplo, segundo Ricardo Batassa, vendedor da concessionária Victoire, em São Paulo, só trará a linha 2010 em agosto ou setembro. Na mesma linha enquadram-se marcas como Honda, Ford, Peugeot e Volkswagen, que só lançarão a linha 2010 também a partir da segunda metade do ano. Portanto, fique atento. Caso esteja pensando em comprar veículos 2009 de uma dessas marcas, não leve sem antes barganhar bastante.


Fonte: QuatroRodas

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