Na
contribuem para se compreender aspectos novos dos
denominados transtornos de aprendizado, que devem ser levados em conta
para auxiliar crianças e jovens em seu percurso escolar.
O
primeiro passo, de acordo com os especialistas, é a mudança de
paradigma para que indivíduos com estes transtornos recebam intervenção
adequada. É importante esclarecer pais e educadores do tipo de problema
em questão e como conduzi-lo de modo a serem tratados o mais cedo
possível.
Punição injustaAlém da
dislexia (dificuldade na área da leitura, escrita e soletração) é
bastante comum a discalculia (incapacidade de compreender e manipular
números) e a disgrafia (alteração da escrita). Médicos psiquiatras,
neurologistas e demais profissionais de saúde também descrevem como
frequentes os transtornos secundários do aprendizado, como o apego
reativo, a ansiedade de separação e a oposição à autoridade. As
pesquisas indicam que os transtornos do aprendizado e os transtornos
psiconeurofuncionais atingem hoje cerca de 40% da população brasileira
em idade escolar. O índice é elevado, sendo que os problemas citados
acima, segundo a psicopedadoga Ana Silvia Figueiral, muitas vezes levam
a criança a uma punição injusta, desmotivando-a ainda mais para
continuar seus estudos e a frequentar a escola.
As dificuldades
não ficam somente nestes distúrbios. Pais e educadores estão tendo
dificuldade em lidar com o déficit de atenção, com ou sem
hiperatividade, que atinge cerca de 6% das crianças em idade escolar.
Tal distúrbio resulta em situações dramáticas para o portador e pessoas
mais próximas que não imaginam haver tratamento, rotulando a criança ou
jovem de problemático, sem educação e preguiçoso.
As principais
características do TDA e TDAH são a fácil distração e a impulsividade,
acrescidas ou não da hiperatividade. As crianças portadoras do TDAH
podem mostrar-se tranquilas ou inquietas, mas invariavelmente sofrem
com a dificuldade de concentração, que atrapalha a aprendizagem e é
visível nas notas finais.
“Um transtorno de aprendizado não
tratado é um dos principais motivos para a defasagem escolar. A partir
desse ponto, o jovem fica inclinado a seguir o caminho do abandono, o
que leva muito ao uso de drogas, à violência e à marginalidade”, alerta
Wimer Bottura Júnior, que observa ser importante uma atuação integrada
entre educadores, psicólogos, psicopedagogos e médicos para aliar
esforços e ajudar esses estudantes, antes desses transtornos do
aprendizado se transformarem em problemas bem maiores.
Dr. Wimer
Bottura Júnior, presidente do Comitê Multidisciplinar de Adolescência
da Associação Paulista de Medicina, informa que uma série de
conferências para esclarecer profissionais de saúde, educadores, pais e
leigos sobre a problemática dos transtornos de aprendizado está sendo
realizada desde o último dia 22, no sentido de atualizar
cientificamente a população.
´O objetivo dos encontros é levar
aos lugares mais distantes informações atualizadas sobre o tema, de
forma a facilitar o diagnóstico e proporcionar um aumento no número de
casos tratados´. O psiquiatra se fundamenta em pesquisas recentes para
mostrar a importância desta iniciativa, a qual levou a equipe da APM a
considerar que os jovens, antes de caírem na marginalidade, nas drogas
e na violência, sinalizavam antes com transtornos no aprendizado.
A
situação tende a se complicar, somando às primeiras dificuldades, a
punição, castigo e humilhação desse grupo pelos pais e educadores, o
que reduz muito sua auto-estima e dificulta sua persistência em
estudar. Com as dificuldades e críticas, o menino ou menina que sentava
na primeira fila, diz Bottura Jr., ´vai para a última fila, saindo
depois da sala de aula e logo escapa da própria escola. Esta situação
precisa ser revertida antes que isto aconteça´, conclui.
ROSE MARY BEZERRA
Redatora
Fonte: Diario on line