18 de junho de 2009 às 07h11m
Pacote ‘moralizador’ ganha a adesão de 20 senadores

O líder petista Aloizio Mercadante, outro senador que subscreveu a proposta, aconselhou Sarney a chamar o grupo para uma conversa.

José Cruz/ABr

 

Elaborado na hora do almoço e exposto em plenário no meio da tarde, o pacote de “moralização” do Senado contava, na noite passada, com a adesão de 20 senadores.

 

Os idealizadores da proposta ainda tentam recolher novas assinaturas. Mas, seja qual for o resultado da empreitada, pretendem entregar a proposta ainda nesta quinta (18).

 

O texto será protocolado na Mesa diretora do Senado. José Sarney prometeu submetê-lo aos demais dirigentes da Casa na próxima terça (23).

 

Conforme noticiado aqui, a proposta sugere um feixe de providências –da demissão do diretor-geral Alexandre Gazineo à realização de auditorias e investigações externas.

 

Antes de ouvir os membros da Mesa, Sarney pode se reunir com os senadores que redigiram a proposta num encontro ocorrido no gabinete de Tasso Jereissati (PSDB-CE).

 

São oito senadores. Além do anfitrião, os tucanos Sérgio Guerra e Arthur Virgílio, os peemedebistas Jarbas Vasconcelos e Pedro Simon, o petista Tião Viana...

 

...o pedetista Cristovam Buarque e o socialista Renato Casagrande. Convidado, o ‘demo’ Demonstenes Torres não pôde comparecer. Mas aderiu ao texto.

 

O líder petista Aloizio Mercadante, outro senador que subscreveu a proposta, aconselhou Sarney a chamar o grupo para uma conversa.

 

Tasso também foi a Sarney. Disse-lhe que o movimento pró-reforma não é uma contestação à presidência. Nada de "Xô, Sarney". Visa o soerguimento do Senado.

 

Lero vai, lero vem, aventou-se a hipótese de organizar um almoço de Sarney com o “grupo dos nove”. Pode ocorrer ainda nesta quinta (18) ou na próxima terça (23).

 

No dedo de prosa que trocou com Sarney, Tasso disse só meia verdade. Não é fato que o grupo que reunira em seu gabinete não conteste o presidente do Senado.

 

Os senadores apenas concluíram que a renúncia é ato unilateral. Depende da vontade de Sarney. E como ele não cogita desgrudar da cadeira, seria inútil, por ora, exigir sua saída.

 

Preferiu-se acomodar sobre o papel o conjunto de propostas. Ainda que o grupo duvide da capacidade e do desejo de Sarney de promover uma verdadeira reforma.

 

No encontro a portas fechadas, ouviram-se críticas acerbas a Sarney. Fizeram-se referências depreciativas ao discurso que o senador fizera na véspera. Aquele em que disse que a crise é do Senado, não dele.

 

Cristovam chegou a levar à mesa a idéia de um pedido de licença do presidente. Simon, um dos mais cáusticos, insinuou que a gestão Sarney pode não chegar ao final.

 

Jarbas disse claramente que descrê dos alegados propósitos reformistas de Sarney e do grupo dele. Um raciocínio compartilhado por Tião Viana.

 

Sérgio Guerra contou que visitara Sarney. Fora à casa dele. Dividiram a mesa do café da manhã. Aconselhara-o a fazer ajustes radicais.

 

Nos subterrâneos, Renan Calheiros, líder do PMDB e –na visão de muitos— presidente informal do Senado, pôs em marcha uma estratégia dupla. Morde e assopra.

 

As mordidas são terceirizadas. Nesta quarta (17), por exemplo, foram desferidas por Wellington Salgado (PMDB-MG), um soldado raso da tropa de Renan.

 

Chamou de “teatro” a proposta que Tasso expôs em plenário. E saiu em defesa de Sarney, repisando a tecla de que as mazelas são de responsabilidade coletiva.

 

Quanto aos assoporos, Renan cuida de emiti-los pessoalmente. Tocou o telefone para Jarbas e Simon, dois dissidentes que não se submetem à sua liderança.

 

O pretexto do telefonema foi uma nota veiculada num jornal brasiliense.

 

Informava que Renan, em diálogo com Sarney, o aconselhara a valer-se do regimento para tentar limitar o acesso de Jarbas e Simon à tribuna.

 

Renan disse aos interlocutores que se tratava de uma “mentira”. Afirmou, de resto, que planeja chamar os desafetos para uma conversa. Disse estar “em falta” com ambos.

 

Em privado, Renan desdenha do pacote moralizador que os rivais puseram de pé. Diz que contém idéias que ele próprio e Sarney já haviam combinado adotar.

 

Sustenta que, na próxima semana, Sarney anunciará medidas que deixarão a imprensa e os adversários do Senado “surpresos”.

 

Escrito por Josias de Souza da Folha



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