Falamos da droga ritalina (metilfenidato) na semana anterior e de seu uso banalizado por aqueles que querem melhorar seu desempenho nos estudos e trabalho. A palavra ritalina é rapidamente associada ao Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Que, por sua vez, acabou se banalizando e sendo explicação para qualquer criança agitada e que não aprendia. E que, consequentemente, acabava usando o metilfenidato.
O quadro de TDAH tem caracterÃsticas que o definem, mas que podem também ser encontradas em outros transtornos. Por exemplo, é comum as crianças apresentarem desatenção, dificuldade de controlar seus impulsos e hiperatividade. Geralmente, elas são desorganizadas, estabanadas e não conseguem se manter em uma atividade por um longo perÃodo de tempo, passando de uma para outra sem terminar nenhuma. Nem sempre parecem ouvir o que lhes é dito, não atendendo à s solicitações que lhes são feitas.
Nesse momento, muitos devem achar que seu filho ou
sobrinho tem esse transtorno. Afinal, ele é tão agitadinho? Ora,
é preciso tomar cuidado na hora de fazer considerações desse
tipo. A maioria das crianças que conhecemos têm essas
caracterÃsticas, principalmente as mais novas.
E então, TDAH não existe? Existe, existe sim. E é
um quadro bem definido. Mas como qualquer transtorno mental, o
que o difere do normal não é uma questão de qualidade, e sim de
quantidade. No caso, crianças portadoras de TDAH têm
caracterÃsticas parecidas com aquelas de um nÃvel de
desenvolvimento que correspondem ao seu, porém numa intensidade
e severidade maiores. Seu jeito agitado e desatento prejudica
sua vida em diferentes contextos, inclusive seus relacionamentos
sociais, e o quadro se inicia antes dos sete anos.
Acontece que, até pouco tempo, falou-se muito
dele. Muitos acharam que entendiam do assunto e passaram a
diagnosticar os outros e a si próprios. Inclusive adultos que,
após ler um livro sobre TDAH, tinham certeza de ter o distúrbio.
Diagnóstico
Alguns professores, imbuÃdos de certa autoridade,
passaram a identificar muitas crianças com esse transtorno (3 a
5% da população escolar), principalmente aquelas que perturbavam
o sossego da aula. Alertavam os pais que chegavam ao consultório
do psicólogo ou do médico com o diagnóstico pronto e a medicação
indicada. Talvez numa primeira olhada poderia mesmo parecer.
Isso ainda acontece. Desta forma, colocando o problema na
criança, famÃlia e escola se eximem de qualquer responsabilidade.
Porém, como disse acima, as caracterÃsticas que a
princÃpio identificam o transtorno, podem estar presentes em
crianças sem problema algum ou que apresentam outros tipos de
distúrbios. Por exemplo, crianças bastante agitadas às vezes vêm
de ambientes emocionalmente patológicos. A desatenção e
hiperatividade podem ser caracterÃsticas de ansiedade ou depressão.
A criança que está com algum problema nem sempre consegue prestar atenção em outras coisas, pois seu pensamento não sai daquele ponto de angústia. Ou então, a escola está aquém ou além de suas possibilidades, sendo desinteressante para ela, fazendo com que fique desatenta e até agitada.
Alguns déficits fÃsicos também podem levar a um comportamento de desatenção, como dificuldade de visão ou audição. E a utilização de determinadas medicações por vezes deixam as crianças bastante agitadas.
A escola é o lugar privilegiado para se perceber determinadas caracterÃsticas das
crianças, principalmente sua capacidade de atenção, de se envolver com as atividades e sua interação social.
Se a escola levantou um problema, ele deve ser levado para um profissional competente que irá orientar a famÃlia no melhor caminho a seguir. O primeiro passo, em casos assim, é fazer um diagnóstico cuidadoso, onde se verificará o comportamento da criança em várias situações. Sempre considerando as várias possibilidades do que pode estar ocorrendo com ela.
Se ela apresentar TDAH é muito importante, se for o caso, que ela use a medicação com a prescrição e o acompanhamento de um médico competente, muitas vezes associada a outras condutas. Caso ela necessite do remédio e não o use, problemas de outra ordem podem aparecer dificultando ainda mais sua vida como, por exemplo, dificuldade de aprender e de se relacionar socialmente.
Caso não tenha o transtorno, outras questões podem surgir de modo a permitir entender o quadro e ajudar a criança do melhor modo possÃvel. O importante é que ela seja ajudada em suas reais dificuldades. Só assim ela se sentirá compreendida. O que já será de grande ajuda.

CARLOS AUGUSTO MONTENEGRO: "O Brasil já tem uma presidente"