26 de abril de 2009 às 10h35m
Terceira Idade - Exercício é essencial

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 1% da população mundial com mais de 65 anos é portadora da Doença de Parkinson.


São pelo menos quatro milhões de indivíduos que sofrem com o mal e ainda se espera que esse número dobre até 2040 devido ao aumento de idosos em todo mundo. No Brasil, o Ministério da Saúde afirma que a doença atinge 200 mil pessoas.

A causa central do distúrbio está relacionada à degeneração e diminuição das células situadas em uma região do cérebro chamada de substância negra. Essas células produzem dopamina, um importante neurotransmissor que ajuda na transmissão de mensagens entre as células nervosas. A falta ou a redução deste neurotransmissor afeta os movimentos, a postura e o tônus muscular, gerando tremores, lentidão nas atividades, rigidez nos músculos, desequilíbrio e alterações na fala e na escrita.

De acordo com a neurologista Vanderci Borges, o motivo exato que leva a essa redução nos movimentos (e ao Parkinson) ainda é objeto de estudo científicos. No entanto, a médica esclarece que apesar do problema não ter uma causa definida e nem cura, o tratamento existente é eficaz e proporciona uma melhor qualidade de vida para os parkinsonianos.

A neurologista ressalta, ainda, que não existe uma conduta para se prevenir do problema e nem de reverter os sintomas, porém se for feito um diagnóstico precoce e um tratamento inicial correto o paciente possui grandes chances de que o seu quadro clínico não se agrave. ´Não existe prevenção para o Parkinson, porque não sabemos de que forma se proteger. O mais importante é que o paciente, ao sentir os primeiros sinais, procure uma orientação médica, principalmente um neurologista, pois é esse o especialista indicado para diagnosticar e tratar a doença de uma forma adequada´, explica a médica.

A presidente da Academia Brasileira de Neurologia (ABN) Elza Dias Tosta, afirma que o Parkinson é uma das formas mais comuns de parkinsonismo, termo utilizado para definir distúrbios com características semelhantes. Segundo ela, ainda não existem exames que comprovem a incidência da doença, ou seja, o diagnóstico do Parkinson é feito por exclusão. ´Muitas vezes os médicos recomendam exames como tomografia computadorizada e ressonância magnética para terem a certeza de que o paciente não possui outra doença´. A descoberta da manifestação se faz baseada na história clínica do doente e em uma série de exames neurológicos.

O Parkinson pode afetar qualquer pessoa independentemente do sexo, raça, cor ou classe social. Mas já se sabe que o mal tende a atingir mais a população idosa, já que a maioria dos pacientes começa a relatar os primeiros sintomas a partir dos 50 anos. A doença também pode acometer indivíduos mais jovens, embora esses casos sejam mais raros.

Tratamento

As grandes armas da medicina para enfrentar o Parkinson são os medicamentos e os procedimentos cirúrgicos. Além do tratamento multidisciplinar, com o uso da fisioterapia que possibilita maior independência ao doente melhorando o quadro motor e funcional como um todo. É essencial a inclusão de outras áreas, tais como: nutrição, psicologia, fonoaudiologia que envolvem exercícios para melhorar a região da face que engloba a voz, respiração e as articulações.

O Levodopa ou L-Dopa é o medicamento mais eficaz no tratamento da doença. A droga se transforma em dopamina no cérebro e supre parcialmente a falta do neurotransmissor destruído. Porém os médicos advertem que o uso prolongado de tais remédios pode ocasionar reações, como movimentos involuntários e anormais. É essencial enfatizar que todos os portadores de Parkinson têm direito de receber gratuitamente pelo Serviço Único de Saúde (SUS) todos os medicamentos.

Outro tipo de tratamento já disponível no Brasil é a estimulação cerebral através do uso do marcapasso, considerado benéfico para reduzir o tremor decorrente da doença. Apesar da eficiência já comprovada do procedimento, é algo inacessível para a maior parte da população devido ao seu alto custo.

Convivendo com o Parkinson há dezesseis anos, o ator e diretor Paulo José é um exemplo a ser seguido e admirado.

A poucos tempo fazendo uso de um marcapasso, ele conta que encara a doença sem medo e vergonha. ´Muitas pessoas com Parkinson se sentem liquidadas, sentem vergonha. Eu não, eu quero viver e quero que elas vivam também´.

Paulo José fala que por conta da doença ele poderia ter abandonado a carreira já que um dos sintomas é a rigidez facial (essencial para expressar as emoções), mas ele não desistiu e seguiu em frente. ´Eu faço tudo, não deixei de trabalhar, não deixei de viver! Mas também não esqueço de tomar os remédios e de praticar atividades físicas regularmente´. O ator é padrinho da Campanha ´Juntos, Vencendo o Parkinson´ lançada este mês, em São Paulo, uma iniciativa conjunta da ABN e da ABP, com apoio do Laboratório Boehringer Ingelheim. O objetivo é alertar a população para a importância do diagnóstico e tratamento do Parkinson. Progressos na compreensão da causa e dos mecanismos envolvidos permitirão no futuro cessar ou até mesmo reverter o curso progressivo desta doença.

A influência da alimentação

Os cuidados com o corpo e com a mente são imprescindíveis para se ter uma boa saúde e uma melhor qualidade de vida. A alimentação é algo essencial para o bem estar de todos, principalmente dos portadores de Parkinson.

A preocupação com os alimentos é fundamental e com as pessoas que possuem Parkinson não é diferente, já que o mal atinge frequentemente os idosos. Grupo mais sujeito a ter hipertensão arterial, infartos, diabetes e que podem ser evitados e/ou controlados através de uma dieta saudável.

Alguns sintomas que prejudicam uma alimentação adequada podem ser observados dependendo da fase da doença, da dose dos medicamentos ou da etapa do tratamento. Além disso, vários fatores podem levar o paciente à desnutrição ou à obesisade, tais como: depressão; a não aceitação da doença; pouca atividade física e imobilidade; remédios utilizados na fase inicial, interferindo na absorção intestinal dos nutrientes; dietas não orientadas; e dificuldades motoras devido ao tremor e a rigidez muscular.

Constipação

A constipação é uma das queixas mais frequentes dos parkinsonianos, atingindo mais de 50% deles. Esse fato é preocupante já que permanecer com o intestino permanentemente preso pode atrapalhar o tratamento com a levodopa, pois dificulta a absorção dos remédios utilizados.

A alimentação é uma boa saída para os pacientes melhorarem, não só esse quadro, mas a sua vida como um todo. Nesse caso, o mais indicado para estimular o funcionamento do intestino é comer bastante frutas, verduras, cereais integrais, feijão, ingerir iogurte e mastigar bem os alimentos. Outras reclamações decorrentes do mal que podem ser amenizadas através da alimentação são a perda de peso; obesidade; secura na boca e/ou hipersalivação; e distúrbios gástricos (náuseas, queimação no estômago e vômitos).

É possível através de mudanças no estilo de vida e na alimentação controlar melhor as variações do Parkinson. Durante o curso da doença podem surgir diversos problemas alimentares, sendo comum pessoas com todos ou parte deles, estando relacionado ao estágio de dependência do parkinsoniano, dos cuidados com a alimentação ao longo da vida, assim como da aceitação do portador em relação as mudanças necessárias e sugeridas pelos especialistas.

INCIDÊNCIA

3,3% dos brasileiros com mais de 65 anos no Brasil são portadores da Doença de Parkinson. O dado consta de pesquisa realizada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Fonte: Viva

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