16 de janeiro de 2009 às 16h50m
Novo carro da Ferrari, apresentado sem pompa, foi o primeiro a sair do forno

O novo carro da Ferrari, apresentado nesta semana sem pompa, nem circunstância em Mugello, foi o primeiro a sair do forno sob o novo regulamento da F-1

No fim das contas, nem ficou tão feio quanto poderia. O novo carro da Ferrari, apresentado nesta semana sem pompa, nem circunstância em Mugello, foi o primeiro a sair do forno sob o novo regulamento da F-1. Na estética, as regras novas impõem uma asa traseira estreita e alta, uma asa dianteira larga e retilínea, quase um rastelo, e, o que é melhor, ausência de apêndices aerodinâmicos no corpo da carenagem.

É o que concedeu alguma beleza ao carro, cujas curvas agora podem ser entendidas e apreciadas, sem tantos elementos espetados aqui e ali. As novas regras têm intenção clara: reduzir a dependência aerodinâmica, permitindo que um carro contorne uma curva rápida mais perto daquele que está na frente sem perder aderência, porque a ação do vento sobre as asas será menor. Isso fará com que as tentativas de ultrapassagens aumentem, auxiliadas pela maior aderência mecânica que os pneus lisos oferecem — andar fora do traçado será menos perigoso, agora.

Logo depois apareceram os novos Toyota e McLaren. Todos muito parecidos, e é normal que seja assim em anos de mudanças radicais no regulamento técnico. Melhor não inventar muito, porque numa temporada de testes proibidos, carro mal nascido não tem como melhorar. Por enquanto, a única novidade foi a colocação dos espelhos retrovisores da F60, a Ferrari que disputa seu 60º Mundial. Eles têm claras funções aerodinâmicas. Mas, aparentemente, não ferem regra alguma.

Mas o que está pegando mesmo é o KERS, sistema de recuperação da energia gerada nas frenagens, que dará aos pilotos algo entre 60 a 80 hp extras por volta, por cerca de 6 segundos. Mais uma variável para ajudar nas disputas de posições. O KERS, no entanto, não é uma unanimidade. A eletricidade gerada traz até alguns riscos. Nos testes, teve mecânico levando choque do carro nos boxes. Nas carenagens, agora, há até um adesivo: “cuidado, alta voltagem”.

O sistema não é exatamente uma novidade tecnológica, nem mesmo em corridas. Mar carece de desenvolvimento. Veremos, neste ano, que os mecânicos vão relutar um pouco para encostar nos carros quando eles pararem nos boxes. Sem meias-palavras, eles agora dão choque. Fisicamente, as “maquininhas”, pesadas, algumas com até 60 kg, são como pequenos rotores que giram a uma razão de até 160.000 rpm para gerar energia elétrica, que, acumulada em baterias espalhadas pelo carro, dá a tal de potência extra para ser usada de dentro do cockpit.

O KERS não agrada a todos, e alguns times devem começar o ano sem usá-lo, pelo simples fato de que uma equipe em particular, a BMW Sauber, está mais avançada na sua aplicação. Se fizer um bom carro, pode até ser a surpresa do início da temporada, diante do óbvio favoritismo de Ferrari (campeã de construtores), McLaren (de pilotos) e Renault (com Alonso de volta à antiga forma e motivado de novo, depois de duas vitórias em 2008).

Neste ano de treinos proscritos, quem sair na frente nas primeiras provas terá uma grande vantagem no Mundial até os adversários recuperarem o tempo perdido. Por essas e outras, o campeonato promete.
Bem, todo campeonato promete...

Fonte: Flávio Gomes, da ESPN Brasil

Compartilhar
Publicidade
Todos os direitos reservados para avol.com.br - no ar desde 2001