31 de outubro de 2008
Carisma de Obama faz cubanos se bandearem para o lado democrata

Quando a 8 Street vira Calle Ocho, estamos em Little Havana, o reduto dos cubanos e centro-americanos em Miami. O som alto dos carros que passam denuncia o lugar. São salsas, rumbas e reggaeton. Os adesivos no parabrisa também dão indício. Uns ostentam nos vidros os nomes de John McCain e Sarah Palin. Outros ainda têm a propaganda da dupla republicana de 2004, George W. Bush e Dick Cheney.

A comunidade cubana em Miami ficou célebre por seu ódio a Fidel Castro e sua afeição pelo Partido Republicano, que venceu as duas últimas eleições no, agora indeciso, Estado. Mas isso está mudando, assim como o anticastrismo e o esfumaçamento do líder cubano após doença que o tirou do comando da ilha caribenha.
Hoje em dia, muitos votam no democrata Barack Obama, mais preocupados com a situação econômica do país que com a relação com Cuba. "Penso no que cada um propõe para sairmos desta crise. Por isso, estou do lado de Obama", afirma George Olivares, passeando com seus cachorros entre as casas térreas e coloridas da área.

Já o garoto Joshua Álvares usa até o spanglish (mistura de espanhol com inglês) para explicar sua posição. "His ideas no sirven, son las mismas de Bush. Quiere quitar the taxes de los richos" (Suas idéias não servem, são as mesmas de Bush. Quer tirar os impostos dos ricos), diz (veja vídeo ao lado).

O tema imigração e legalização dos clandestinos é um dos menos citados por ambos os candidatos, afinal, os recém-chegados não votam. Mas muitos que deixaram essa condição se preocupam com seus iguais - qualquer residente há mais de cinco anos nos EUA pode pedir a cidadania norte-americana e votar.

McCain é o que menos fala no assunto, afinal, deu uma guinada em sua posição mais flexível, já que em 2007 defendia que os forasteiros ganhassem documentos e agora é mais duro para agradar o eleitorado conservador.
Vários ilegais se pronunciam à reportagem do UOL em Miami, mas preferem não dar seus nomes. "Eles deportam os adultos e pegam as crianças para algum programa de adoção", critica um que não quer se identificar.

A avó costa-riquenha Maribel Bolaños diz que vai votar no "morenito", como chama Obama. "Simpatizei com ele. Ele deixa a gente imaginar que meu neto pode ser o primeiro descendente de migrantes sul-americanos", afirma a senhora.

Já o taxista guatemalteco Romeo Rivera diz que abandonou os republicanos. "Os melhores governos aqui foram o de Ronald Reagan e Bill Clinton. Este atual só pensa em fazer guerra e não cuida do país. Foi uma calamidade", disse. Já o pedreiro guatemalteco Alex Burgos está feliz porque seu filho vai votar pela primeira vez. E será em Obama. "O democrata mostrou muito esforço na campanha. Fico feliz que ele vai votar nele", declarou Burgos.

O cubano Vladimir Serrudo prefere Obama e não discute a questão da raça. "Não importa sua origem e sim seus planos", crava o cubano no final do expediente diante de sua casa.

Hoje em dia, os latinos ou hispânicos, como são chamados nos EUA, aumentam sua voz política, com três congressistas de origem latina vindos de Miami, mais dez saídos da Califórnia e seis do Texas.

Mas há ainda os que pensam como antigamente. O nicaragüense Emilio Almendrares, oito anos de EUA, diz que não quer ver seu neto viver em um país comunista como ele viveu na América Central e o regime sandinista começado em 1979. "Obama é um socialista que quer dividir o patrimônio dos ricos."
 
Por: Rodrigo Bertolotto
do UOL Notícias, em Miami (EUA)

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