29 de julho de 2008
Brasileiro é morto nos EUA

Policial atirou em André Martins, que teria escapado de blitz. Segundo a Polícia, ele estava fumando maconha

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    West Yarmouth. O brasileiro André Martins, 27, foi morto na madrugada do último domingo pela polícia do distrito de West Yarmouth (Massachusetts, Estados Unidos), ao não parar em uma blitz. Martins morava há sete anos nos Estados Unidos, com os dois filhos, de seis e dois anos, e com a esposa. Trabalhava como jardineiro e pintor em Hyannis, que fica a cerca de 3 quilômetros do local do incidente, mas não era regularizado no país.

    Segundo a Polícia, uma blitz rotineira de trânsito foi montada e o brasileiro passou direto por ela. Em seguida iniciou-se uma perseguição que durou 90 segundos, e terminou quanto o veículo do brasileiro colidiu com a viatura. Foi quando o policial atirou no brasileiro. Médicos de uma equipe de resgate tentaram reanimá-lo enquanto o levava para o Cape Cod Hospital, em Hyannis, onde ele foi declarado morto em seguida.

    Testemunhas disseram ter ouvido a batida e o policial mandar o motorista sair do carro. Em seguida, escutaram três ou quatro tiros.

Maconha

    A Polícia de Yarmouth afirmou, em comunicado divulgado ontem, que André Martins estava fumando um cigarro de maconha quando foi parado pela blitz. De acordo com a nota, o brasileiro estava com o cigarro na boca quando os paramédicos o retiraram do veículo.

    A mulher de Martins, Camila Campos Miranda, primeiramente negou que houvesse drogas no veículo, mas, após a divulgação do comunicado da Polícia, ela admitiu que havia maconha no carro, mas disse que Martins não fumava naquele momento. ´Tinha maconha, mas isso não justifica atirar nele´, afirmou. Ainda segundo o comunicado da Polícia, o carro de Martins virou na avenida Baxter, onde outros carros policiais realizavam uma blitz. ´O veículo em questão [de Martins] virou à esquerda no jardim de uma casa localizada no número 41 da Baxter com o policial seguindo o carro´, diz o texto.

    De acordo com a nota, o carro do brasileiro deixou marcas no asfalto, evidenciando a tentativa de fazer um retorno na rua. O comunicado afirmou que ´alguns tiros´ foram disparados pelo policial Christopher Van Ness, então, o carro diminuiu e parou próximo ao local. Ainda segundo a Polícia, uma autópsia foi conduzida ontem e os resultados preliminares indicam que André Martins morreu de um único tiro que perfurou seu corpo, atingindo o coração e os pulmões.

    O caso, continua o texto, está sob investigação dos detetives do Estado de Massachusetts, com a ajuda de um time de reconstrução de acidentes e especialistas em balística. Van Ness, o policial que atirou, ficará afastado do serviço de rua até o fim das investigações.

Indignação

    O pai de André, Luiz Carlos de Castro Martins, policial da reserva de Tapejara, no Paraná, afirmou que o filho era um trabalhador, e que pode ter ficado com medo de parar porque estava irregular no país.

    Ele criticou a ação agressiva do policial. ´Sou policial de reserva, o policial tem que estar preparado. Tem como anotar a placa (do carro), agir depois é o mais certo. Não precisa correr nem metralhar ninguém. Ou atira no pneu, o carro você recupera, a vida não´, lamentou.

    Luiz Carlos disse ainda que o filho nunca teve problemas com a Polícia, e que sua morte é uma ´lição´ para os policiais. ´Eles têm que pensar antes de agir, ter mais cautela. Não se pode simplesmente atirar em alguém´, disse Luiz Carlos.

´SEM CHANCE DE DEFESA´
Esposa desmente versão da Polícia

    West Yarmouth. André Martins não teve chance de se defender ou de se explicar antes de ser morto a tiros pela Polícia do distrito de West Yarmouth, afirmou a sua esposa, a brasileira Camila Miranda Campos.

    Segundo ela, que estava no banco de passageiro do veículo dirigido pelo marido, os dois voltavam de um restaurante à 1h (0h de Brasília), quando um carro policial se aproximou e deu sinal de luz.

    ´O policial conversou por rádio com um segundo carro de polícia, que fechou a rua. Como viu que não ia conseguir parar a tempo, André virou o carro. O policial que bloqueou a rua desceu do veículo, apareceu na janela aberta e começou a atirar. Foram três tiros contra ele´, relatou Camila, que está há 18 anos legalmente no país, ao contrário de André, que estava com a situação irregular.

    ´Ele não portava armas e não teve nem chance de se defender ou de se explicar. O policial que atirou no André agiu errado, ele tinha que ter atirado no pneu do carro´, acrescentou Camila.

    Ainda segundo Camila, o policial atirou à queima-roupa em André, deu a volta no carro e atirou na parte de trás do veículo. ´Eles não pediram para pararmos nem para descermos do carro. Ele (o policial) só não acertou em mim porque eu abaixei no banco´, disse ela sobre a morte de André, com quem teve dois filhos, de dois e seis anos, que estavam em casa quando ocorreu o incidente.

    Camila, que trabalha em um consultório médico, disse ainda que vai processar o Estado de Massachusetts pela morte do marido. ´Eu estou sozinha para criar meus filhos. Isso foi assassinato, eles atiraram a queima-roupa´, concluiu.

    Segundo um comunicado divulgado pela Polícia de Yarmouth, Camila já deu seu depoimento e ´tem colaborado´.

    De acordo com uma amiga do casal, Branca Neves, Camila se mudou para Boston com os filhos depois do incidente.

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