15 de fevereiro de 2005
Exército do Líbano entra em alerta máximo após ataque

Após um poderoso atentado ter causado a morte do ex-premiê libanês Rafik al Hariri e de outras 11 pessoas em Beirute (capital), o governo do Líbano decretou nesta terça-feira estado de alerta máximo e luto oficial de três dias no país. Bancos, escolas e lojas estão fechados.

Nesta terça-feira, a imprensa síria pediu em suas páginas que os dois países mantenham sua unidade, em respostas às insinuações feitas pela oposição do Líbano sobre a responsabilidade síria no ataque que deixou também mais de cem pessoas feridas.

O jornal sírio "Al Thawra" disse que a Síria tinha Al Hariri como seu próprio filho e pediu a cautela à mídia internacional para não distorcer a verdade. O jornal disse ainda que o verdadeiro alvo da morte de Al Hariri é o Líbano e a paz de seus cidadãos.

A Síria, que mantém cerca de 14 mil soldados em território libanês, é o principal foco de discussão para o Líbano. Al Hariri deixou seu cargo de premiê em outubro último depois que o presidente do Líbano, Emile Lahoud, que tem relações próximas com a Síria, ter conseguido mais três anos de mandato. Fora do governo, o ex-premiê tornou-se oposição e exigia a retirada das tropas sírias do território libanês até maio, data prevista para a eleição parlamentar.

Nesta segunda-feira, o porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, disse que o Líbano deveria buscar um futuro político "longe da Síria". Apesar do comentário, ele afirmou que os EUA não sabiam quem poderia ter sido o autor do atentado, e que o governo americano não estava tentando vincular a Síria ao ataque.

Estabilidade

As Forças Armadas do Líbano disseram num comunicado que "ordenaram uma mobilização geral de todas as unidades do Exército" e elevaram o estado de alerta ao máximo para "proteger a estabilidade".

Soldados estão a postos em vários locais de Beirute para prevenir outros ataques ou qualquer tipo de violência. A área do atentado foi isolada e peritos em explosivos trabalham na região, na tentativa de encontrar qualquer tipo de evidência sobre o ataque.

Segundo a rede de TV Al Jazira, o único incidente que os soldados libaneses enfrentaram na madrugada desta terça-feira foi um protesto em Beirute. Manifestantes jogaram pedras contra a sede do braço libanês do partido sírio Baath [o mesmo do ex-ditador Saddam Hussein], e queimaram fotos do presidente da Síria, Bashar al Assad.

Morte

Al Hariri passava em um comboio com vários seguranças quando uma explosão, projetada com cerca de 300 kg de TNT, destrui vários carros, lojas e abriu uma cratera gigantesca em frente ao tradicional hotel St. George, na capital Beirute, além das vítimas.

O ex-premiê era um bilionário que conduziu o Líbano por dez anos, após um período turbulento em que ataques e atentados eram comuns, durante a guerra civil (1975-1991).

agências internacionais


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