05 de dezembro de 2008
Honda oficializa saída da Fórmula 1 e complica futuro de brasileiros

AFPA Honda oficializou nesta sexta-feira a saída de sua equipe da Fórmula 1. Em uma coletiva de imprensa, o chefe executivo Takeo Fukui divulgou o encerramento da Honda Racing e colocou a estrutura do time à venda. Se não houver interessados em adquirir a equipe até março, a Honda fechará as portas e o grid de largada da F-1 terá 18 carros em 2009.
 
No detalhe temos o piloto brasileiro Rubens Barrichello que tenta permanecer na fórmula um em 2009.

A decisão foi tomada nesta quinta-feira, quando a alta cúpula da Honda se reuniu no Japão e decidiu pelo término da equipe. A fábrica japonesa cansou de amargar dívidas milionárias do projeto e não ver resultados efetivos na pista.

"Esta difícil decisão foi tomada para reagir a essa repentina e expansiva fraqueza do mercado em todas as áreas. No reconhecimento da necessidade de aperfeiçoar a distribuição de recursos, decidimos abandonar a participação na F-1", declarou Fukui no anúncio oficial.

Em 2008, a Honda teria investido US$ 398,1 milhões na categoria (cerca de R$ 982 milhões), sendo o quarto maior orçamento da F-1, atrás apenas de Toyota, McLaren e Ferrari. Mas o desempenho foi abaixo das expectativas com apenas 14 pontos e a nona e penúltima colocação no Mundial de Construtores.

Além disso, a Honda anunciou nesta semana uma queda de 32% nas vendas nos Estados Unidos, o seu maior recuo em 27 anos de operação no mercado. "A Honda deve proteger o centro de sua atividade comercial e assegurar o futuro, já que as difundidas incertezas nas economias ao redor do mundo continuam a subir. Espera-se que uma recuperação leve algum tempo", disse Fukui.

"Falaremos com os associados da Honda Racing F1 Team e seu fornecedor de motor Honda Racing Development sobre o futuro das duas companhias. Isso inclui oferecer a equipe à venda", completou Fukui.
Segundo o site Autosport, o chefe da equipe, Ross Brawn, e o diretor executivo, Nick Fry, vão viajar para Tóquio na segunda-feira para conversar sobre o futuro com a cúpula da montadora. O site também afirma que já existem interessados, e que Brawn estaria negociando com a Ferrari um acordo de fornecimento de motor, a fim de manter a Honda no paddock.

Com o encerramento das atividades, três pilotos brasileiros precisam torcer para aparecer um comprador para sonhar com um lugar na Fórmula 1. Bruno Senna, Rubens Barrichello e Lucas di Grassi eram cotados como opções da Honda em 2009, ao lado do inglês Jenson Button, mas com a mudança de rumo ainda não se sabe o que acontecerá com os brasileiros.
A Honda era a última esperança dos pilotos, já que a Toro Rosso, outra equipe que ainda não definiu sua dupla para 2009, limitou a sua escolha a três nomes: o suíço Sébastien Buemi, o francês Sébastien Bourdais e o japonês Takuma Sato. Todas as outras oito escuderias já divulgaram seus pilotos titulares no próximo ano. Até o momento, o país tem apenas dois representantes confirmados: Felipe Massa, da Ferrari, e Nelsinho Piquet, da Renault.

A equipe também anunciou que não participará dos testes programados para Jerez de la Frontera (Espanha) e Algarve (Portugal) nas próximas semanas. O primeiro deveria contar com a participação de Barrichello e Senna, este considerado até então o favorito para formar dupla com Button em 2009. Oficialmente, as assessorias dos dois pilotos não confirmaram a realização do teste.

Nos bastidores, a expectativa é que a Honda continue apenas como fornecedora de motores, após uma nova tentativa frustrada de ter uma equipe própria. A fábrica já havia feito uma tentativa entre 1964 e 1968, mas teve como melhor resultado a quarta posição no Mundial de Construtores de 1967. Em 2006, a Honda herdou a estrutura da BAR, equipe que tinha os motores cedidos pelos japoneses e foi vice-campeã de construtores em 2004.

Com a dupla Button e Barrichello, a equipe sonhava em apagar os erros da década de 1960. A Honda tentou de novo e até começou bem com o quarto lugar no Mundial, com direito a uma vitória de Button naquele ano.
A performance fez a fábrica sonhar com vôos mais altos e o time deu o suporte para a criação da Super Aguri, equipe que teria equipamentos cedidos pela Honda. Mas o carro montado pela Honda era tão ruim que Barrichello terminou o ano sem pontos em sua pior temporada na F-1, e a "filial" só não ficou na frente no Mundial de Construtores, pois Button somou quatro pontos na China, penúltimo GP daquele ano.

Sem resultados na pista, os problemas logo apareceram e a Super Aguri foi fechada após o GP da Turquia deste ano. O time adotou o mesmo procedimento da Honda, esperando um comprador, mas ele não apareceu e a escuderia encerrou as atividades.

Oito meses depois, foi a vez de a "matriz" encerrar a sua trajetória pela segunda vez na Fórmula 1. E justamente em um ano que trouxe Ross Brawn, um dos nomes importantes da Ferrari na era Schumacher, e celebrou o terceiro lugar de Barrichello no GP da Inglaterra. A Honda ficou três anos na categoria em sua segunda tentativa, obtendo 106 pontos, 1 vitória, 1 pole e 4 pódios com a dupla Button e Barrichello.
 
Por: UOL Esporte - Em São Paulo
Postado por Carlos Viana

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