01 de agosto de 2022 às 10h27m
Inclusão: projeto leva pessoas com deficiência a praticarem o esporte aquático em Fortaleza

A prática esportiva é fundamental para o bem estar do ser humano, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a atividade física de forma moderada e intensa gera vários benefícios para a saúde, prevenindo o sedentarismo que é causador de doenças como a obesidade e doenças cardiovasculares.

Pensando nisso, muitos profissionais da saúde utilizam métodos para atingir os diferentes tipos de público. Sendo assim o esporte aquático se tornou um dos mais indicados para pessoas com deficiência

Neste contexto, surgiu em Fortaleza, o projeto Remar, idealizado por Thiago Camargo e Vicente Cristino, e tem como objetivo incluir pessoas com limitações motoras, mentais, visuais, físicas e auditivas, na prática de esportes de aventura náutica, através do contato com a natureza e meio ambiente. O projeto também trabalha pela inclusão social, e assim mudar a vida de alunos e seus familiares através de um atendimento que gera alegria e transformação.
Vicente Cristino é especialista em atividade física adaptada, especialista em psicomotricidade, mestre em educação especial, professor do curso de educação física da Unifor, membro da ADESUL, professor da Sociedade de Assistência aos Cegos e membro do projeto Inclusão Remar. Para ele, as atividades contribuem para prevenção de deficiências secundárias e para a inclusão.

“Os esportes e atividades físicas e recreativas tanto para as pessoas que nasceram ou adquiriram uma deficiência seja ela visual, auditiva, intelectual, motora, orgânica ou TEAs. Estas atividades podem contribuir na reabilitação, na habilitação na prevenção de deficiências secundárias e na Inclusão, através de trabalhos que despertam o interesse ou a vontade de quem vivenciam, levando muitas vezes a níveis mais altos como atletas paralímpicos”.
Além das atividades aquáticas, o projeto cuida dos alunos de uma maneira geral, antes de cada atividade é necessário uma avaliação em cada aluno, e assim analisar o limite de cada um de acordo com sua necessidade.”Todas as atividades tem que ter uma avaliação médica, pois através do diagnóstico podemos orientar o esporte ou atividade física recomendável para cada caso, no projeto Inclusão Remar temos profissionais de Educação Física e outros profissionais da saúde que verifica cada cliente que chega, temos algumas patologias que o médico autoriza ou não a sua participação devido às particularidades de cada pessoa e seu diagnóstico”, destaca o especialista em atividade física adaptada, Vicente Cristino.

O projeto Remar é uma entidade de caráter social, sem fins lucrativos, atualmente conta com mais de 300 alunos cadastrados e recebe em média por dia, cerca de 25 alunos e suas famílias. Um desses alunos que teve uma nova perspectiva de mundo, foi a massoterapeuta e deficiente visual , Maria Oliveira , 44, para ela o projeto tem uma enorme importância, além de deixá-la próxima daquilo que ela ama, o mar.
“O projeto é muito importante, porque nos dá a oportunidade, principalmente para quem tem deficiência visual, eu me sinto segura dentro do mar. Sempre sonhei em andar numa prancha de standup, e o projeto me proporcionou isso, e mesmo que eu esteja longe no mar, eu me sinto segura com a equipe por perto me protegendo. Depois das atividades aquáticas eu sinto mais disposição e sentimento de liberdade”, Conclui

Assim como Maria, a vida de Pedro Levi, de apenas 11 anos, também foi transformada através do esporte. Pedro é autista e através do projeto, conseguiu superar as crises e se sentir incluído no ambiente social. O esporte aquático faz parte das alegrias do adolescente, e assim também geram alegria para a família do aluno. Como afirma Carol, mãe de Pedro, que destaca a importância de se sentir acolhida.

“O Remar contribui para o Pedro ter autonomia, independência e contribui para ele se exercitar, ele gosta muito de nadar e lá tem o suporte e segurança para ele ir para o fundo do mar, porque tem pessoas que o auxiliam e contribuem para que ele faça isso. O projeto faz com que ele seja integrado a outras pessoas, no autismo isso é muito importante, que ele tenha esse convívio social. Em alguns momentos que o Pedro estava em crise, a equipe sempre me auxiliou e tiveram muito amor e paciência. É uma experiência indescritível tanto para o meu filho como para a família”.

Inscrições
Para participar do Projeto Remar é necessário inscrição, documentos de identificação e apresentação de laudo médico. Dessa forma cada caso será analisado para que seja feita a experiência na prática esportiva. A ação conta atualmente com parceiros como a Kyateria e Ceará Sua Clube que oferecem seu espaço e material. O encontro com os alunos é realizado todas às quartas-feiras, através de um revezamento nos locais parceiros do projeto.


Fonte: O Estado

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