21 de junho de 2022 às 13h50m
Como a tecnologia excessiva tem prejudicado o desenvolvimento mental e físico das crianças

Com o avanço das tecnologias, crianças estão mais próximas de smartphones ou de qualquer outro aparelho eletrônico cada vez mais cedo.

As brincadeiras clássicas como: jogar bola, pega-pega, esconde-esconde que funcionavam também como uma atividade física, se tornaram mais ausentes de alguns anos para cá, sendo substituídas por computadores, videogames e celulares. Ocasionando o comprometimento da saúde mental e física e ativando o sedentarismo causado pelos dispositivos eletrônicos.

Segundo um estudo realizado pela TIC Kids Online Brasil em 2018 , 69% das crianças e adolescentes brasileiros que têm entre 9 e 17 anos e com acesso à internet a utilizam mais de uma vez por dia. Dessas, cerca de 10% afirma que o primeiro contato com a rede se deu ainda com seis anos de idade ou menos. Em um levantamento feito pela ESET, empresa global de segurança digital, mostrou que 88% dos pais se preocupam com o que os filhos acessam no ambiente online, embora apenas 34% deles adotem algum método de segurança digital nesse sentido.
Podemos levar em consideração também a falta de convívio com outras pessoas. Devido ao uso excessivo da tecnologia o desenvolvimento social, intelectual e emocional pode ser prejudicado. Além disso, pode gerar irritabilidade, irregularidades no sono, obesidade (devido ao sedentarismo), dentre outros malefícios.

Janaina Alves, enfermeira e mãe de Israel de cinco anos, comenta sobre a experiência do filho com as novidades da modernização e o que faz para limitar o uso para não se tornar algo obsessivo pelo garoto. “De certo modo, o avanço da tecnologia tem contribuído com o aprendizado do meu filho, porém, não descarto a possibilidade de ficar sempre por perto. Percebi que ele está tendo uma percepção mais aguçada, a concentração e o raciocínio lógico e prático melhoraram. Porém como falei anteriormente, estou sempre ao lado monitorando e limitando alguns conteúdos. Ao meu ver, o tempo e a hora de realizar algumas atividades é muito importante e faço questão de mostrar isso a ele para que possa refletir sobre. Explico que temos tempo para estudar, brincar no celular, estar com os colegas e até mesmo para assistir TV. Também faço que o celular não seja apenas o único meio de distração. Em meus dias de folga, tiramos um tempinho para brincar juntos. Desenhar, brincar com seus carros e jogos da memória é algo que ele adora. Enquanto mãe, acho importante interagir nas brincadeiras. E normalmente para evitar que o avanço tecnológico interfira no crescimento do meu pequeno, ponho limites no tempo em uso. Durante a semana no período de aula não é permitido. O uso do celular e do vídeo game fica para os finais de semana e feriados, tendo o seu tempo limitado em 5 horas nos dois dias, sábado e domingo.”, conclui.

As gerações atuais são muito imediatistas, porque são reflexos de uma sociedade imediatista. Os eletrônicos, no caso, acentuam esse comportamento no sentido que em uma mensagem que você envia prontamente você já é respondido. Sabemos quando a pessoa está online, se visualizou ou não, além do caráter ansioso, onde sabemos se a pessoa não responde porque não quer, se foi ou não ignorado, são pensamentos e atitudes que alimentam a ansiedade.
Para as crianças, as dificuldades de frustrações têm se tornado cada vez mais comum, porque o celular tem sido utilizado como um conforto, como uma forma de acalentar. Os pais usam o celular quando a criança está chorando ou quando está entediada, ou seja, o celular atualmente serve para suprir uma falta. Elas não lidam com a frustração, elas são consoladas através desses aparelhos. O que dificulta o desenvolvimento emocional.

A tecnologia em si, tem suas vantagens e desvantagens. Apesar de ter um impacto negativo na vida das crianças no quesito de interação social, a tecnologia também tem seus benefícios. Sabendo utilizar de forma eficiente e positiva, crianças tendem a ficar mais inteligentes, suas escritas podem ficar mais interativas além de seu relato verbal.


De acordo com a psicóloga Beatriz Moreira, especialista em desenvolvimento infantil, faz alguns alertas sobre os benefícios e as desvantagens da tecnologia, além de dar dicas para tirar o foco de crianças que estão viciadas em celulares. “A internet juntamente com as redes sociais hoje em dia são vias de conhecimento que favorecem o conteúdo e aprendizados dos pequenos.

A internet avançou de uma forma que temos que saber utilizá-la para não tornar um grande malefício no quesito de desenvolver as crianças. Se os pais e adultos responsáveis por elas não se atentarem ao conteúdo que a criança está acessando, elas podem ganhar outro rumo, pois ainda não tem a mentalidade do que é certo e errado e por isso devem ser monitorados. Em relação ao vício, quando a criança está muito acostumada com o celular, recomendo que seja feito uma transição para a TV, pois é um meio eletrônico que pode ser acessado por adultos e obtém um controle maior ao conteúdo que a criança visualiza. Quando a criança está muito viciada no celular, não podemos fazer esse corte brusco, mas, dando uns passos para trás utilizando a TV que também faz com que ela não passe por uma crise de abstinência.” conclui a especialista.

Até os 3 anos de vida não é recomendado o celular ou aparelhos eletrônicos em nenhum momento para crianças, porque é nesse tempo de vida o desenvolvimento está a todo vapor, quanto mais relações e interações elas tiverem, mais o contato social será trabalhado com o externo será melhor para o desenvolvimento dela.


Fonte: O Estado

Compartilhar
Publicidade
Todos os direitos reservados para avol.com.br - no ar desde 2001