27 de outubro de 2021 às 08h42m
Bruxismo afeta cerca de 40% dos brasileiros

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 30% da população mundial, entre adultos e crianças, sofrem com a desordem funcional conhecida como bruxismo. No Brasil, esse número chega a 40%.

A condição é caracterizada pelo ranger ou apertar dos dentes e, por mais que não seja um transtorno perigoso, pode levar ao surgimento de graves lesões dentárias. A cirurgiã-dentista Salma Araújo, explica que, muitas vezes, o bruxismo é associado a condições físicas e psicológicas. “As causas ainda não estão tão bem explicadas pela literatura, mas podemos citar situações de estresse, tensão e ansiedade. Além de causas genéticas e o uso de álcool, cafeína, tabaco, o uso de algumas medicações psicotrópicas, e o refluxo estomacal”, detalha. 

Por vezes, os pacientes não sabem que sofrem com o transtorno, pois, pode ser que os episódios ocorram durante o sono, não sendo possível uma identificação óbvia. Porém, há outros sintomas que podem denunciar a condição como desgaste dental, sensibilidade muscular passageira, hipertrofia do músculo masseter ou do temporal, dor e cansaço muscular, travamento da articulação, língua e bochechas marcadas, quebra sucessiva de restaurações, assim como desgaste dental, trincas e fraturas.

A dentista explica ainda, que se o problema não for tratado pode levar ao desenvolvimento de outras disfunções mais graves. “Uma das principais complicações do bruxismo é a disfunção temporomandibular (DTM), que envolve a articulação temporo-mandibular, músculos da mastigação e estruturas associadas. Além deste quadro, há relatos de perda dentária, desgaste excessivo dos dentes, dores de cabeça, sensibilidade, amolecimento dos dentes, recessão gengival, tratamento de canal e perda da qualidade do sono”, afirma.

Infelizmente, assim como não há uma certeza sobre a causa, também não há uma cura definitiva para o transtorno. Porém, existem tratamentos paliativos para auxiliar nos sintomas e prevenir o agravamento do quadro. “O controle se baseia na individualização do paciente e se torna multidisciplinar”, explica Salma Araújo. De acordo com ela, é necessário fazer uma classificação do bruxismo e após isso, deve-se fazer uma análise sobre como a condição se relaciona com o dia a dia do paciente e com condições psicossociais como a ansiedade, a depressão, a catastrofização e a hipervigilância. “Não há padronização de controle de pacientes com bruxismo. Cada caso é individual”, explica.


Fonte: O Estado

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