22 de outubro de 2021 às 07h42m
“O futuro está sendo construído agora, senti a necessidade de fazer mais pelas crianças do nosso Estado”

A pandemia do novo coronavírus impôs uma série de restrições a todas as pessoas. Desde ações simples do dia a dia às ações mais complexas e amplas do poder público.

É inegável que a Covid-19 efetuou uma série de mudanças na vida em sociedade, mas por outro lado a vida não parou.

No contexto da infância e juventude, crianças e adolescentes também sentiram dificuldades e estão, também, entre os segmentos da população que mais precisam de atenção.

Em entrevista ao O Estado, a primeira-dama do Ceará, Onélia Santana, que está à frente de importantes programas voltados para esse segmento da sociedade, falou sobre o Mais Infância, desafios da pandemia e o trabalho que o governo estadual tem procurado desenvolver para melhorar a vida de tantos cearenses que vivem em situação de vulnerabilidade social, seja por não ter uma família ou por sequer ter direitos mínimos respeitados.

O Programa Mais infância Ceará completou 6 anos. Como surgiu a ideia e qual avaliação faz desse trabalho?
Desde o início da primeira gestão do governador Camilo Santana, em 2015, senti a necessidade de fazer mais pelas crianças do nosso Estado e idealizamos o Programa Mais Infância Ceará, constituído com grande participação da sociedade, na elaboração de um planejamento estratégico.


A iniciativa, que abrange os 184 municípios cearenses, foi estruturado em quatro pilares: Tempo de Nascer, Tempo de Crescer, Tempo de Aprender e Tempo de Brincar, defendendo a necessidade de se ter um olhar especial e mais dedicado à infância, a partir de um diagnóstico da situação do Estado na área e do mapeamento das ações voltadas para o segmento nas diferentes secretarias estaduais. Desde 2019, a iniciativa passou a ser uma política pública de Estado, promovendo e desenvolvendo ações intersetoriais para promoção do desenvolvimento infantil. Avalio positivamente a atuação do Programa no Ceará, com a marca de 299 equipamentos já entregues direcionados ao desenvolvimento infantil, em parceria com os municípios. É lógico que temos desafios, mas é junto deles que estamos trabalhando para enfrentá-los, obtendo, assim, resultados positivos na administração realizada pelo Governo do Ceará.

Recentemente, o governo investiu R$ 38,8 milhões para a implantação de 250 brinquedopraças. Como a senhora acredita que essa ação impacta na vida das crianças?
As brinquedopraças proporcionam à criança o direito de brincar. Podemos dizer que é através do brincar que a criança se desenvolve de modo pleno, pois brincando ela desenvolve a cognição, a motricidade, a criatividade, a linguagem além dos aspectos emocionais e sociais. Quando possibilitamos a garantia de direitos de nossas crianças estamos promovendo a cidadania, ampliando o acesso à saúde, escola e lazer de qualidade. Sem falar da oportunidade da convivência e do fortalecimento de vínculos familiares e comunitários. Uma criança com o desenvolvimento integral saudável durante os primeiros anos de vida tem maior facilidade de se adaptar a diferentes ambientes e de adquirir novos conhecimentos, contribuindo para que obtenham um bom desempenho escolar, alcancem realização pessoal, vocacional, econômica e se tornem cidadãos responsáveis.

O Mais Infância é um programa Que envolve várias ações e secretarias em parceria com municípios cearenses. Como é esse trabalho? Qual avaliação a senhora faz?
Com o Programa Mais Infância Ceará, vemos o resultado exitoso que conquistamos desde sua criação. Acredito nessa fórmula de trabalho e, por isso, trabalhamos com a metodologia intersetorial, envolvendo as secretarias na execução de ações voltadas para infância. Buscamos fortalecer a intersetorialidade, com o trabalho do comitê estadual, na elaboração de planos junto aos comitês municipais para a promoção do desenvolvimento integral da primeira infância no Estado. Juntos, iremos transformar a assistência integral às meninas e meninos cearenses em uma política de Estado. Creio ser esse o sucesso do trabalho que realizamos no Ceará.

Como foi o desafio de trabalhar infância e juventude ao longo da pandemia?
A pandemia foi um desafio para todos nós. Desde o primeiro momento, o governador Camilo Santana não tem medido esforço para dar condições aos mais vulneráveis. O Programa Mais Infância Ceará, por exemplo, assumiu durante esse período a missão de redobrar o apoio aos que mais necessitam.

Em parceria da sociedade civil, ações foram adaptadas e ampliadas, como, por exemplo, as doações do Mais Nutrição. Já são mais de 1,4 milhão de toneladas de alimentos “in natura”, polpa de frutas, mix de legumes para preparos de alimentos e cestas básicas, entregues para milhares de famílias. Ainda para ajudar a população na higiene pessoal e do domicílio, mais de 43 mil kits foram distribuídos nas cidades para o combate à pandemia. Além disso, o Governo do Ceará estendeu o pagamento do Cartão Mais Infância, em 2021, para 150 mil mães com filhos na primeira infância.

A pandemia trouxe, infelizmente, muitas dificuldades para as famílias de todo o país. Como foi o desafio de trabalhar infância e juventude nesse período? A senhora acha que eles sairão mais fortalecidos?
As famílias do Cartão Mais Infância também foram beneficiadas pelas medidas sociais do Vale-Gás Social e com cestas básicas. Sem contar com o esforço que o governador Camilo Santana tem feito para trazer as vacinas e imunizar os cearenses. Não tenho dúvidas da capacidade de reação que todos teremos no futuro próximo. Seguimos na luta para proporcionar um presente de oportunidades para os cearenses. São seis anos de avanços que deixarão um legado para a infância e a juventude.

Ainda há muitas crianças em situação de abandono familiar, inclusive vivendo nas ruas. Há um planejamento para projeto voltado para elas? Como a senhora acredita que o Estado pode ser agente de transformação na vida dessas crianças?
As crianças em situação de abandono familiar só podem ser acolhidas pelo Estado a partir da decisão da Justiça. Ações do Mais Infância Ceará dão oportunidade para que estas famílias evitem este tipo de situação como o fortalecimento de vínculos familiares nas visitas domiciliares para gestantes e crianças na primeira infância; a ampliação da cobertura de creches para crianças de 0 a 3 anos e a universalização do atendimento de crianças e de 4 a 5 anos; a expansão do benefício do Cartão Mais Infância para 150 mil famílias este ano, entre outras iniciativas.

O nosso programa é intersetorial, com um olhar tanto para as crianças quanto para as famílias. Famílias dos 184 municípios cearenses recebem estas visitas e somos o estado com maior número de visitas domiciliares. Já realizamos mais de 4,7 milhões de visitas no Ceará, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Infantil (Padin), da Secretaria da Educação do Governo do Ceará, e pelo Primeira Infância no Suas/Criança Feliz, do Governo Federal, beneficiando cerca de 126 mil famílias, 113 mil crianças, mais de 30 mil gestantes e realizando cerca de 19 mil encontros comunitários.

Na sua opinião, qual a saída para evitar o abandono de crianças e adolescentes?
Nas visitas incentivamos a parentalidade ativa e responsável, os pais e cuidadores recebem informações como a importância do afeto, do desenvolvimento dos seus filhos. E vamos mudando a realidade dessas famílias e evitando esse tipo de situação também com a ampliação do número de vagas nas creches a partir da construção de Centros de Educação Infantil pelo Estado. Famílias beneficiárias do Cartão, além da transferência de renda também são priorizadas nas políticas públicas. O Estado atua em diversas frentes para mudar esta realidade. Muitas das nossas ações só veremos os resultados depois de anos. Mas já temos inúmeros relatos de famílias que mudaram a forma como agir com os filhos, o olhar diferenciado para eles. Então, essa mudança já é uma realidade. 

Como estão as ações do programa Cartão Mais Infância?
O governador Camilo Santana ampliou de 70 mil para 150 mil famílias que receberão o benefício ainda este ano. Governo do Ceará até 6 de setembro contemplou 129.462 famílias com o Cartão Mais Infância. São famílias em situação de vulnerabilidade, contempladas com o Bolsa Família, com crianças na primeira infância e renda per capita até R$ 89 que recebem a transferência mensal de R$ 100. O Estado já garantiu o investimento de R$ 134,5 milhões para 2021. O Governo do Ceará vem beneficiando essas famílias em vulnerabilidade social com medidas sociais como o Vale-Gás Social, a distribuição de cestas básicas, entre outros.

O Governo do Ceará, por meio da SPS, realizou a seleção de 184 bolsistas para atuarem como agentes sociais do programa. Este profissional vai ser mais um elo entre o Estado e o município para qualificar e ampliar o acesso às famílias selecionadas para receber o Cartão Mais Infância, garantindo que políticas públicas tanto municipais quanto estaduais cheguem a elas de forma intersetorial, além de apoiar as prefeituras na busca ativa das famílias. Os agentes vão tomar posse em breve e serão formados para atuar diretamente com as famílias seja buscando uma vaga de creche, um curso de formação para os pais, entre outras políticas. Temos que priorizar a primeira infância e ainda focar nos mais vulneráveis, só assim temos uma sociedade menos desigual.

Quais as expectativas para as crianças e adolescentes cearenses no futuro? Como a senhora enxerga esse futuro?
O futuro está sendo construído agora. Investir na criança, é investir no capital humano. Foi comprovado que o investimento em programa de qualidade para a primeira infância tem uma alta taxa de retorno. Estudos do economista norte-americano James Heckman, ganhador do Prêmio Nobel de Economia, comprovam que o retorno individual é de oito dólares para cada dólar que foi investido, mas para a sociedade é de 17 dólares.

O Programa Mais Infância Ceará tem o desafio de gerar possibilidades para o desenvolvimento integral das crianças, promovendo assim o desenvolvimento da sociedade. Estamos investindo para garantir o desenvolvimento integral das crianças durante os primeiros anos de vida e, assim, elas terão maior facilidade de se adaptarem a diferentes ambientes e de adquirirem novos conhecimentos, contribuindo para que posteriormente obtenham um bom desempenho escolar, alcancem realização pessoal, vocacional e econômica e se tornem cidadãos responsáveis e, consequentemente, também evitam envolvimento com situações de violência e drogadição. Investimos no hoje para garantir um futuro melhor do povo cearense, pois quando as crianças e suas famílias têm acesso a serviços essenciais de saúde, nutrição, educação e proteção, recebem a oportunidade de aprender e levar uma vida saudável e produtiva.


Fonte: O Estado

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