12 de outubro de 2021 às 10h11m
Ser governadora não era meu plano, diz Izolda Cela

A vice-governadora do Ceará, Izolda Cela (PDT), falou sobre a hipótese de assumir o mandato de Camilo Santana (PT) em 2022, o que vai acontecer caso o chefe do Executivo estadual decida se candidatar ao Senado.

Nessa hipótese, que se mostra provável no cenário atual, a pedetista assumiria o Governo do Estado por pelo menos seis meses. Segundo ela, ser governadora não era seu plano, mas “cabe a mim cumprir a responsabilidade que tenho”.

A declaração foi feita em entrevista ao programa Conexão Assembleia, da FM Assembleia. Na ocasião, Izolda disse que não há até o momento qualquer discussão focada nisso dentro de seu grupo político, mas que é natural que Camilo, pelo desempenho no Governo do Estado, acabe se alçando para outros cargos. “Uma liderança como ele, tudo que ele vem mostrando, o trabalho obstinado pelo Ceará e pelo cumprimento das responsabilidades dele, claro que isso projeta e faz com que ele seja uma pessoa vista para alçar outros voos”, disse.

A pedetista também destaca que, caso tenha que assumir o governo, conta a seu favor a experiência que tem na administração pública – tendo dois mandatos como vice-governadora, além de atuação na Secretaria Estadual da Educação (Seduc) – e a capacidade de formar equipes. “Sempre brinco que digo que gosto de gente melhor do que eu, exatamente pra que nós possamos ter a melhor condição de responder aos desafios. Acredito muito nas boas equipes, com pessoas escolhidas com critério, por suas competências.”

Eleição
Além da provável substituição de Camilo a partir de abril de 2022, Izolda Cela também é uma das quatro pessoas hoje cotadas para disputar o Governo do Estado no ano que vem em nome do PDT, além do ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio, do titular da Secretaria de Planejamento e Gestão do Ceará (Seplag) Mauro Filho e do presidente da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) Evandro Leitão. A sigla só deverá bater o martelo sobre a escolha do nome nas últimas semanas antes das convenções partidárias de 2022, como é de tradição do grupo político comandado pelos Ferreira Gomes.

Sobre o tema, ela diz que não é proveitoso antecipar a pauta eleitoral, como também dizem todos os possíveis pré-candidatos da base governista. Segundo ela, essa pressa muitas vezes acaba prejudicando a própria administração pública: “Nós já temos eleições de dois em dois anos que gera já uma movimentação, um impacto no sistema”, pontua. “Se a gente antecipa essas pautas, aí termina não tendo muita tranquilidade pra governar.”

A avaliação nos bastidores é de que a vice-governadora seria um nome mais agradável ao PT, que disputa espaço na próxima gestão estadual – com uma parcela do partido inclusive pleiteando lançar nome próprio para disputar contra o candidato pedetista. Caso outro nome do PDT seja escolhido, os petistas, que em 2022 devem ceder o lugar da cabeça de chapa para o partido aliado, teriam que esperar até dois mandatos completos (oito anos) antes de poderem voltar à posição de governador que Camilo hoje ocupa, enquanto Izolda só poderia se eleger para um mandato (quatro anos), uma vez que deverá assumir o posto de governadora ainda em 2022, pela saída de Camilo ao Senado. Além disso, os outros nomes cotados seriam menos aceitos no PT, principalmente o de Roberto Cláudio.

Réveillon
A vice-governadora informou ainda que a realização de eventos como o réveillon deve depender do quadro da pandemia até o final do ano. “Para Camilo Santana, desde o início a expressão é salvar vidas. Muitas ações do governo aconteceram para dar suporte às pessoas mais seriamente impactadas por essa pandemia. Uma festa de réveillon, penso que só com o aval muito seguro da parte de quem entende, quem estuda, quem analisa, por diversas perspectivas, que são os especialistas com quem temos contado. A festa do réveillon é muito importante para o calendário de Fortaleza, mas as coisas só podem acontecer se não houver risco para a vida das pessoas”, apontou.

Educação
Izolda, que ganhou notoriedade na vida pública pela atuação na educação, também falou sobre os prejuízos da crise sanitária para essa área no estado. Segundo ela, as avaliações de desenvolvimento do Governo já constatam índices relevantes de atrasos na alfabetização do Ceará: “Nós já temos evidências de que houve atrasos. Foi realizada uma primeira avaliação, que começou ainda no final do 1º semestre, em julho, e seguiu no início do 2º semestre em alguns municípios. Antes, apenas um pequeno percentual, entre 2% ou 3%, não alcançava os níveis desejados. Agora esse percentual está em mais ou menos 15%. Vamos consolidar ainda essas pesquisas, mas já sabemos que o impacto foi grave”, assinalou.


Fonte: O Estado

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