08 de outubro de 2021 às 07h52m
EUA criam centro para espionar a rival China

Em mais um sinal inequívoco da prioridade dada pelo governo de Joe Biden à Guerra Fria 2.0 com a China, a CIA (Agência Central de Inteligência) criou um novo centro de espionagem dedicado apenas ao regime comunista de Pequim.

O chamado Centro de Missão China foi anunciado nesta quinta (7) pelo diretor da agência, William Burns. Seu estabelecimento faz parte da reorganização interna do órgão, que prioriza economia de recursos, mas também indica prioridades políticas.

Foi instituído, por exemplo, um centro para a identificação de ferramentas tecnológicas para combater crises globais, como a mudança climática ou pandemias. Já a unidade dedicada ao Irã, muito ativa dada a animosidade entre os dois governos, será absorvida pela área que cuida do Oriente Médio em geral. E a Coreia do Norte voltará ao centro asiático. Ambas as instâncias haviam sido criadas no governo de Donald Trump (2017-20).

Segundo declaração dada por Burns, o centro para a China “vai fortalecer ainda mais nosso trabalho coletivo sobre a mais importante ameaça geopolítica que enfrentamos no século 21, o cada vez mais antagonista governo chinês”. As palavras poderiam ter sido ditas por Biden, que já usou termos semelhantes em diversas ocasiões. Há poucas dúvidas, entre observadores políticos, acerca do fato de que o embate entre a potência estabelecida EUA e a ascendente China é o mais importante até aqui desde o fim da Guerra Fria, em 1991.

O que não é consenso é a forma de trabalhar a questão. Até a ascensão de Xi Jinping ao poder, em 2012, os EUA estavam confortáveis com o crescimento econômico chinês, de resto um reflexo da abertura do país em sua aproximação justamente com os americanos, no anos 1970. A cadeia produtiva do Ocidente integrou-se à da China, com sua mão de obra abundante, e Pequim sofisticou sua indústria e seu desenvolvimento interno. Enquanto isso era mutualismo, a situação parecia sob controle.


Fonte: O Estado

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