06 de outubro de 2021 às 07h57m
Portugal inicia vida pós-Covid após vacinação

Com mais de 85% da população completamente vacinada, Portugal praticamente não tem mais pessoas elegíveis para imunizar.

Vários grandes centros de vacinação estão sendo desmontados e a força-tarefa responsável pelo planejamento da campanha encerrou os trabalhos na última semana de setembro. A alta cobertura vacinal -Portugal é a nação com maior percentual de habitantes com o esquema de imunização completo- permitiu a reabertura de todos os setores de atividade, ainda que a variante delta continue a avançar.

A cepa é responsável por praticamente 100% dos novos casos de Covid-19 em todas as regiões do país, mas os principais indicadores da pandemia, como número de infecções, mortes, hospitalizações e taxa de transmissão, têm apresentado tendência de queda. O resultado da imunização em Portugal é particularmente notável em comparação com outros países ricos, a exemplo da França e dos Estados Unidos, onde, embora haja doses disponíveis para toda a população há meses, a cobertura vacinal apresente crescimento estagnado.

Com aproximadamente 10,1 milhões de habitantes, Portugal também está bem à frente na comparação com nações de população similar na Europa –caso da Grécia, que tem cerca de 60% dos residentes com a imunização completa. Na última semana, publicações internacionais como os jornais americanos The New York Times e The Washington Post dedicaram longas reportagens à situação portuguesa.

“Houve aqui um esforço de coesão nacional que conduziu muito a esses resultados. O aspecto mais importante foi, sem dúvida nenhuma, a adesão dos portugueses à vacinação, a tradição de confiança nas autoridades de saúde e num plano de vacinação que é voluntário e que sempre teve como base a melhor evidência científica”, avaliou a ministra da Saúde, Marta Temido, em um balanço da situação.

Status
Coordenador da força-tarefa de vacinação, o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo ganhou status de herói nacional: um raro exemplo de consenso entre a opinião pública, políticos de esquerda e de direita e representantes das classes médicas. Diante do sucesso, já há quem sugira uma eventual candidatura em eleições futuras. Submarinista com experiência em logística, Gouveia e Melo assumiu a coordenação da força-tarefa em fevereiro, quando a campanha de imunização, iniciada no fim de dezembro, enfrentava um cenário de morosidade e denúncias de favorecimento.

A estratégia foi apostar em grandes hubs de vacinação, com agendamento prévio. Embora o ritmo da campanha tenha sido comprometido por atrasos pontuais na entrega de doses contratadas, o país conseguiu antecipar várias vezes o cronograma. A vacinação de imigrantes, motivo de queixas frequentes até agosto, também foi desburocratizada. As autoridades acabaram com o principal gargalo no acesso aos imunizantes: a exigência de apresentação do número de inscrição no Serviço Nacional de Saúde para fazer o agendamento. Agora, basta mostrar um documento de identificação válido.

Em sua última apresentação à frente da força-tarefa, Gouveia e Melo destacou que o país tem mais de 2 milhões de vacinas em estoque, o que garantirá uma situação confortável em caso da necessidade de aplicação de uma terceira dose. À imprensa na saída do evento ele agradeceu o empenho dos portugueses e dos profissionais de saúde e disse querer voltar ao anonimato. “Julgo que temos de estar todos contentes por termos, em conjunto, feito uma coisa que vai ficar na história. Agora vou me despedir e vou voltar ao anonimato das minhas funções militares, que é como deve de ser.”

Protestos
Embora o próprio Gouveia e Melo tenha sido alvo de protestos de integrantes do movimento antivacinas, a expressão dos grupos contrários à imunização é pequena no país. A estimativa oficial é de que menos de 3% dos portugueses tenham se recusado a receber as doses contra a Covid. O cenário atual de sucesso contrasta com o descontrole generalizado da pandemia em janeiro, quando o número de infecções e mortes disparou, levando o Sistema Nacional de Saúde (o SUS de Portugal) à beira do colapso.

Após ser apontado como um bom exemplo de gestão da Covid-19 nos primeiros meses de 2020, Portugal viu a situação sair de controle depois de o governo afrouxar restrições que limitavam a circulação e as aglomerações no período de festas de fim de ano.


Fonte: O Estado

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