24 de setembro de 2021 às 08h38m
Testamos: Realme 7 5G traz desempenho mediano e internet super rápida

Celular da Realme tem boa bateria e suporte às redes de quinta geração, além de tela com alta taxa de atualização; concorrência no segmento, todavia, é acirrada

As redes de internet móvel estão chegando à quinta geração, que já está em "prévia" no Brasil e deve ser implementada no País ainda este ano. Para poder aproveitar o 5G, porém, a maioria das pessoas precisará comprar um celular novo. Uma das opções disponíveis no mercado é o Realme 7 5G, que enfrenta o desafio de uma fabricante nova no disputado mercado brasileiro.

Não que falte capacidade à Realme: criada em 2018, originalmente como uma subsidiária da chinesa BBK Electronics, já figura entre as maiores fabricantes mundiais de smartphones. O Brasil, porém, tem pouca variedade de marcas de celulares: as três principais empresas (Samsung, Apple e Motorola) concentram 84% do mercado, segundo a plataforma DeviceAtlas.

Com um cenário tão complicado, será que os aparelhos da Realme estão à altura do desafio? Testei o modelo 7 5G como meu celular principal nos últimos dias e conto abaixo tudo o que descobri, confira:

Os aparelhos da Realme vêm em caixas com um tom bem destacado de amarelo, ajudando na identificação da marca. Na do 7 5G estão incluídos, além do smartphone, uma capa de proteção transparente, cabo (USB-C para USB regular) e o carregador de 30 W. Há também a papelada (manuais, certificado de garantia etc), uma ferramenta para remover a bandeja dos chips, e uma película simples, que já vem aplicada na tela.

Embora a proteção da capa incluída seja básica, é um detalhe positivo, que evita gastos adicionais - assim como o carregador, que tem desaparecido de celulares mais caros. Considerando que a oferta de acessórios para aparelhos da marca ainda é escassa, também evita a dificuldade de encontrar uma case compatível.

O carregador é de 30 W e, embora essa velocidade de recarga não seja tão incomum na faixa de preço do celular, o acessório da Realme, do qual falaremos mais à frente, certamente está acima da média. A unidade enviada pela empresa veio com tomada no padrão estadunidense, com dois pinos retos, mas a vendida aos consumidores usa o padrão brasileiro.

O corpo do aparelho é de plástico: não traz uma pegada premium, mas tampouco aparenta fragilidade. Ele está disponível nas cores Prata Radiante e Azul Névoa, e nossa unidade veio nesta última.

A lateral direita traz o botão liga/desliga, que tem um leitor de impressões digitais embutido, enquanto do lado oposto ficam os controles de volume e a gaveta de cartões - é possível usar dois chips, ou um chip e um cartão de memória. Na parte de baixo estão a saída do alto-falante, a porta USB-C e uma entrada para fones de ouvido, de 3,5 mm, além do microfone de ligações. A borda superior traz somente o microfone secundário.

A parte da frente tem uma tela plana, de 6,5" e resolução Full HD+. As bordas são finas, com a inferior sendo um pouco maior que as outras, e no canto superior esquerdo há um orifício - bem notável - para a câmera frontal. Na traseira, uma pintura em dois tons e o logotipo da Realme, além do conjunto de câmeras: são quatro, mais o flash de LED, em uma elevação retangular. Apesar de haver um espaçamento notável entre a moldura e a tampa traseira do celular, ela não é removível.

As entradas de fone e carregador, além da bandeja de chips, têm acabamento emborrachado na parte interna, para evitar a entrada de poeira e água. O Realme 7 5G não tem, porém, certificação IP, portanto a proteção não é garantida pela fabricante.

Realme 7 5G: qualidade da tela

A tela do Realme 7 5G é do tipo IPS LCD, com tamanho de 6,5" e resolução Full HD+. O painel, de proporção 20:9, tem taxa de atualização de 120 Hz, entregando imagens com maior fluidez ao navegar na internet ou usar aplicativos.

Vídeos, porém, são exibidos na taxa padrão de 60 Hz - como a maioria do conteúdo do tipo disponível na internet é exibida em 30 frames por segundo, não faz sentido gastar mais bateria com a tela na taxa maior sem haver ganhos reais. Nos jogos que testei, a tela também reduziu automaticamente para 60 Hz.

A qualidade da imagem está dentro da média para a categoria: um painel Amoled traria cores mais vívidas, mas seria mais caro. O brilho é satisfatório para uso sob luz solar direta, embora a luminosidade do painel não seja algo memorável. Os ângulos de visão são ótimos, havendo distorção de cores apenas em casos extremos.

Realme 7 5G: câmera

Há quatro câmeras no Realme 7 5G, das quais apenas três de fato tiram fotos: uma é o sensor de profundidade. Na prática, apenas duas câmeras têm utilidade, pois a lente macro usa um sensor de 2 MP com foco fixo e produz imagens de péssima qualidade.

Estes arranjos (quatro lentes, sendo um sensor de profundidade e um macro inutilizável) são muito comuns em aparelhos de entrada e intermediários, então, embora a Realme não esteja isenta de culpa, ela não é a única fabricante com este problema.

Nas câmeras utilizáveis, há um sensor de 48 MP na lente principal e um de 8 MP na grande-angular. Na frente, são 16 MP para as selfies.

A lente principal tem tecnologia de pixel binning, que junta quatro pixels em um e resulta numa foto com 12 MP. É um conjunto também muito comum nessa faixa de preço, que produz imagens satisfatórias.

As cores não têm saturação excessiva, e há um tom natural e agradável nas imagens. O nível de detalhes, embora não seja espetacular, está na média para o segmento.

A câmera principal também tem um modo que permite fotografar usando todos os 48 megapixels. O nível de detalhes, porém, não compensa, e os arquivos saem com o triplo do tamanho, consumindo mais do armazenamento.

Na lente grande-angular, há cores um pouco mais vivas. O sensor de resolução menor, porém, deixa escapar muitos detalhes. Na foto dos prédios, a câmera principal consegue captar os ladrilhos na construção da direita, enquanto a grande-angular mostra como se fosse uma pintura sólida. A correção de lente, porém, é satisfatória, evitando distorções nas bordas da imagem.

As selfies são de boa qualidade, com cores decentes e nível de detalhes bem definido. Há um "modo de embelezamento", onde é possível ajustar o formato de partes do rosto. Não recomendo, porém, o uso, pois o efeito acaba sendo extremamente artificial.

Tanto a lente principal quanto a de selfies têm modo retrato. Na traseira, o efeito de separação é bem aplicado, especialmente para objetos. Aqui, a presença do sensor de profundidade ajuda neste aspecto. A câmera frontal tem dificuldade para separar fios de cabelo, mas oferece um nível de desfoque mais razoável.

A lente macro, por fim, não é absolutamente terrível, mas gera fotos para uso somente em redes sociais ou aplicativos de mensagem. Para qualquer coisa além disso, ela simplesmente não tem qualidade o suficiente. A falta de detalhes é gritante, e é difícil focar no lugar certo para tirar a foto. Via de regra, o modo retrato, na câmera principal, dá resultados melhores.

Realme 7 5G: bateria

O Realme 7 5G vem com um carregador de 30 W, acima da média da categoria. As velocidades de recarga, embora não sejam incríveis, agradam: com meia hora na tomada, a bateria foi de 0 a 47%. O carregamento total, de 0 a 100%, levou uma hora e 20 minutos.

A bateria, de 5.000 mAh, tem boa duração, podendo chegar a um dia de uso sem dificuldade alguma. Em nenhum momento precisei me preocupar de estar sem o carregador, mesmo com uso constante do aparelho. Quem assiste muitos vídeos ou joga com frequência, porém, pode precisar de uma recarga no meio da tarde.

Com uso moderado, consegui chegar a quase dois dias sem precisar ligar o aparelho na tomada. Neste ritmo, foram mais de 10 horas de uso de tela antes de chegar a 1% de bateria.

Um ponto de destaque do Realme 7 5G é a duração de bateria sem uso constante. Durante os testes, deixei alguns dias o aparelho como secundário e permaneci usando o meu celular atual na maior parte do tempo. Nestes casos, o aparelho chegou a passar três dias antes de atingir 50% de carga.]

Realme 7 5G: sistema e performance

O Realme 7 5G sai de fábrica com o Android 10, personalizado com a interface Realme UI. Assim que terminei de realizar a configuração inicial e baixar meus aplicativos de uso constante, chequei por atualizações de software. O Android 11 estava disponível para o aparelho, e o update levou cerca de 10 minutos entre download e instalação.

Tanto na versão de fábrica quanto após a atualização, um incômodo surgiu logo nos primeiros minutos de uso: diversos aplicativos desnecessários, como versões de demonstração de jogos, vêm pré-instalados. Não é um problema exclusivo da Realme - é difícil pontuar fabricantes que não façam isso, na verdade -, mas é uma dor de cabeça adicional, pois são itens não solicitados e que ocupam espaço no armazenamento do aparelho. É possível desinstalar a maioria deles, mas é um passo adicional que poderia ser evitado.

Além disso, a Realme inclui uma loja de aplicativos própria, a App Market. Não me instigou a testar, e os atalhos "hot apps" e "hot games", que não podem ser removidos da lista de aplicativos, também atrapalham a experiência de uso.

Outro problema, também não exclusivo da Realme, é a presença de anúncios no sistema. No 7 5G, encontrei apenas em uma ocasião, na tela de instalação de aplicativos. Ainda assim, a sensação que fica é de um uso invasivo do celular: após pagar algumas boas centenas de reais por um aparelho, ainda é necessário ter anúncios nele?

Apesar do bloatware, o uso do sistema é agradável. Há alguns poucos engasgos na interface em alguns momentos, mas nada muito significativo. Os aplicativos abrem sem travamentos e as animações são fluidas, com o efeito adicional da tela de 120 Hz.

O processador é um Dimensity 800U, da MediaTek. Há 128 GB de armazenamento, com 6 ou 8 GB de memória RAM (nossa unidade veio na versão de 8 GB). Somente tarefas mais pesadas, como jogos complexos ou edição de vídeos, podem sofrer um pouco, já que a configuração é de nível intermediário. No dia a dia, porém, o Realme 7 5G atende bem à demanda da maioria dos usuários.

Não sou fã de leitores de impressão digital integrados ao botão liga/desliga por dois motivos: primeiro, que este tipo de componente costuma ser menos preciso que os usados na traseira ou sob a tela do aparelho, precisando de várias tentativas para desbloquear a tela. A outra questão é que eles costumam ser ativados com qualquer mínimo toque, como ao pegar o smartphone de uma mesa, por exemplo.

Felizmente, a Realme encontrou uma solução para ambos os problemas: nas configurações, é possível escolher que o leitor seja ativado somente após pressionar o botão. Com essa opção selecionada, não tive dificuldades em usar o leitor.

Apesar de haver configurações de atalhos, o sistema da Realme também peca nas poucas opções oferecidas. Desde o lançamento do primeiro Moto X, em 2013, lembro pouquíssimas vezes em que usei um smartphone Android sem atalhos ou gestos de fácil acesso para ligar a lanterna ou ativar a câmera. Infelizmente é o caso aqui: a única configuração disponível para o botão liga/desliga (além de, obviamente, ligar e desligar a tela) é manter o botão pressionado para ativar o Google Assistente. Não é possível selecionar outra função para o atalho, ou adicionar algo no clique duplo, por exemplo.

Em termos de segurança, o Realme 7 5G permite que as configurações rápidas - aquelas que aparecem ao baixar a barra de notificações - sejam desativadas na tela de bloqueio. É bom, mas não o suficiente: o menu para desligar o aparelho permanece acessível mesmo sem senha ou impressão digital, o que poderia impedir o rastreio em caso de perda ou roubo do celular.

Um problema persistente que notei no Realme 7 5G foi a queda de internet em redes WiFi. Sem indicar nenhuma redução no sinal, e com outros equipamentos ligados na mesma rede conectando perfeitamente, o aparelho simplesmente parava de carregar conteúdo e, após alguns segundos, mostrava uma mensagem avisando que a rede estava sem conexão e o sistema mudaria para os dados móveis. Apesar da situação se resolver em um ou dois minutos, me irritou por acontecer diversas vezes ao dia.

Estranhamente, o celular ficou em inglês após atualizar para o Android 11, mas isso pode ser resolvido facilmente nas configurações. Ainda assim, a questão do idioma foi um problema ao longo do uso do aparelho. Apesar de ter selecionado "Português (Brasil)" na configuração inicial - e, novamente, após o celular reverter para inglês ao atualizar - é notável que o trabalho de localização do sistema está muito abaixo do ideal.

As configurações de tela, por exemplo, falam de "ecrã principal" e "ecrã de bloqueio", termos do português europeu - que também pode ser visto em outras partes do sistema. Ao instalar um aplicativo, o botão que inicia o app, que deveria estar escrito "abrir", tem na verdade "aberto". Nas atualizações do sistema, o texto estava em tailandês.

Em outros locais, o texto é simplesmente confuso ou mal dimensionado. O widget de calendário e previsão do tempo na tela inicial, que vem por padrão no Android, mostra os números da temperatura na vertical, como se faltasse espaço na tela. Nas configurações, há um menu "ferramentas de conveniência", com opções como "esfera de auxílio" e "bolha de retorno rápido". Acho difícil que o usuário médio vá saber do que se tratam essas opções.

Segundo a assessoria da Realme, os aparelhos cedidos para review são importados, então os problemas de localização podem ser específicos destas unidades. Caso contrário, faltou (bastante) esforço da empresa para atender aos consumidores brasileiros.

Realme 7 5G: é bom para jogar?

O processador Dimensity 800U, da MediaTek, é um modelo intermediário que dá conta das tarefas mais básicas sem dificuldades. Para jogos, porém, ele não é tão bem equipado.

Testei três games no celular: Asphalt 9, Free Fire e PlayerUnknown's BattleGrounds (PUBG). No primeiro, mesmo com as configurações no mínimo, houve perda de frames em cenas de maior ação, onde havia mais movimento. Não fica impossível de jogar, mas deixa de ser uma experiência ótima.


Fonte: O Povo

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