20 de setembro de 2021 às 09h13m
Covid: decisão da ONU ignora risco de contágio

Pela primeira vez desde o começo da pandemia, mais de cem líderes e delegações de vários países irão se reunir em um mesmo espaço físico, na Assembleia-Geral da ONU, cuja etapa de alto nível será realizada a partir de amanhã (21).

As medidas adotadas pela ONU, como a restrição de público, ajudam a reduzir riscos de contágio, mas não há como evitá-los por completo, avaliam especialistas ouvidos pela reportagem.

“Mesmo que se adotem protocolos, não há como garantir que não haja uma situação temerária. Na condição atual, eventos internacionais desse porte deveriam ser evitados de modo presencial”, avalia Bernardino Souto, professor de medicina da UFSCar e especialista em epidemiologia “Um encontro assim vai juntar pessoas de países e estados que estão em momentos diferentes da pandemia. Se fossem pessoas de um mesmo local, com exigência de vacinação, como em eventos que estão sendo feitos nos EUA, os riscos seriam menores” considera Alberto Chebabo, infectologista da UFRJ.

Brasil
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) embarcou ontem (19) para o evento em Nova York. Hoje (20), vai se reunir com o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, no primeiro encontro bilateral entre os dois. A ONU determinou medidas de distanciamento social e restrição de público, mas não exigirá comprovante de vacinação. Poderão comparecer apenas funcionários da entidade e jornalistas que já trabalham no quartel-general e possuem um escritório ali. Não haverá plateia, e cada líder estrangeiro poderá levar uma delegação de seis pessoas às dependências, sendo quatro ao salão da assembleia. O uso de máscara será exigido o tempo todo, exceto enquanto a pessoa estiver falando em reuniões.

“Se todas as medidas forem seguidas, como os líderes manterem distância entre si, o risco de contágio na reunião em si é baixo. Mas é preciso atenção com a chegada e a circulação dos viajantes pelo país”, avalia Eliseu Waldman, professor do Departamento de Infectologia da USP. Ao chegar ao evento, os participantes terão de atestar que não tiveram sintomas ou diagnóstico de Covid nos últimos 14 dias nem contato com pessoas que tiveram a doença. E, caso apresentem algum sintoma durante o evento, a orientação é que deixem de comparecer presencialmente.

“Este critério de olhar sintomas não quer dizer nada, pois muitas vezes a pessoa está assintomática e nem sabe que tem a doença”, pondera Chebabo. “O ideal seria exigir que todos estivessem vacinados e fizessem testes.” Newsletter Lá fora Na newsletter de Mundo, semanalmente, as análises sobre os principais fatos do globo, explicados de forma leve e interessante. * Os protocolos adotados pela ONU são mais brandos do que os das Olimpíadas de Tóquio, por exemplo, que mantiveram os atletas em uma espécie de bolha e exigiram que tanto eles quanto os jornalistas cumprissem um período de isolamento anterior ao evento.

Atletas
Nos jogos, houve poucos casos entre os atletas, embora o país tenha enfrentado uma alta da Covid no mesmo período. “O Japão já estava com elevação de casos antes da Olimpíada, e a alta seguiu depois. Não dá para dizer que o evento gerou a alta”, considera Chebabo.

O professor da UFRJ também avalia que o risco de contágio será baixo entre os participantes da Assembleia Geral em si, mas que há mais risco para a cidade, já que encontros assim acabam trazendo delegações grandes, que circularão pelas ruas, além de outros viajantes. A comitiva oficial brasileira prevê 18 pessoas além do presidente Jair Bolsonaro, sendo oito ministros: Carlos França (Relações Exteriores), Anderson Torres (Justiça), Paulo Guedes (Economia), Marcelo Queiroga (Saúde), Joaquim Leite (Meio Ambiente), Guimarães Neto (Turismo), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria-Geral), e Augusto Heleno (Seg. Institucional). Além deles, irão o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), a primeira-dama Michelle Bolsonaro, o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, e três tradutores.

Antes do evento, a prefeitura de Nova York tentou exigir que os frequentadores da Assembleia-Geral apresentassem comprovantes de vacina. Desde agosto, eventos com público em lugares fechados na cidade, além de restaurantes, precisam aferir se os visitantes tomaram ao menos uma dose de vacina da Covid.


Fonte: O Estado

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