16 de setembro de 2021 às 12h17m
Provável fusão de DEM e PSL deve unir aliados e desafetos do governo

Em tratativas para uma fusão, DEM e PSL devem dar lugar a um novo partido que abrigará caciques políticos históricos, aliados convictos do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e até ex-aliados do governo federal – políticos eleitos na onda conservadora de 2018, mas que romperam com o presidente.

A união entre os dois partidos já está alinhada nas cúpulas partidárias, mas ainda enfrenta uma série de entraves na formação de palanques regionais e na definição dos comandos dos diretórios locais. A expectativa é que uma decisão final seja tomada até o final de setembro – os dois partidos reúnem suas respectivas Executivas Nacionais na próxima terça-feira (21) para debater a fusão. Nas cúpulas de PSL e DEM, a avaliação é que a fusão será boa para os dois partidos, já que ambos têm perfil ideológico parecido.

Os números da provável nova legenda serão superlativos, a começar pelas fatias dos fundos partidário e eleitoral. Em 2020, PSL e DEM tiveram juntos cerca de R$ 138 milhões para a gestão do dia a dia dos partidos e outros R$ 320 milhões para gastar nas eleições municipais. O valor do fundo eleitoral seria 60% maior do que os R$ 201 milhões do PT, legenda que teve a maior fatia do fundo nas eleições de 2020. A bancada na Câmara Federal subirá para 81 deputados, sendo 53 do PSL e 28 do DEM, criando o partido com mais cadeiras no Congresso Nacional.A bancada no Senado chegaria a oito senadores. Além disso, na largada, o partido já terá quatro governadores: Ronaldo Caiado (Goiás) e Mauro Mendes (Mato Grosso), hoje no DEM; e Mauro Carlesse (Tocantins) e Coronel Marcos Rocha (Rondônia), do PSL.

Histórico
O DEM tem uma trajetória sólida na política brasileira: com o nome de PFL, surgiu em 1985 como uma costela do PDS, partido que sucedeu a Arena na sustentação aos governos militares. Depois de enfrentar um período de vacas magras na oposição aos governos do PT entre 2003 e 2015, ganhou musculatura nas últimas eleições: tem cerca de 460 prefeitos e pouco mais de 1 milhão de filiados. Nos últimos meses, contudo, enfrentou um cenário de divisão interna, bate-cabeça nas decisões e baixas nos estados.

O PSL, por sua vez, era um partido nanico até a filiação de Jair Bolsonaro. Nas eleições de 2018, inchou artificialmente e conseguiu eleger 52 deputados embalados por uma onda conservadora. Após a desfiliação de Bolsonaro em novembro de 2019, seu maior desafio é se firmar como partido com capilaridade, com o primeiro teste, em 2020, não tendo sido animador no cenário nacional: mesmo com um generoso fundo eleitoral, PSL elegeu apenas 91 prefeitos, nenhum em capitais.

Entendimentos
Para atender aos interesses das duas legendas, a primeira decisão foi que da fusão surgirá um novo partido, que não deve se chamar Democratas ou PSL. O novo nome será decidido após a concretização da fusão, a partir da realização de pesquisas qualitativas. O número do partido também não foi decidido, mas está descartado o uso do 17, que ficou associado a Bolsonaro em 2018.

Também está definido que o partido, em nenhuma hipótese, estará na chapa de Jair Bolsonaro em 2022. Por outro lado, aqueles que decidirem apoiar a reeleição do presidente não serão constrangidos pelo comando da legenda. O mais provável é que os parlamentares mais próximos a Bolsonaro deixem o PSL após a fusão e migrem para o partido escolhido pelo presidente para sua sucessão. É o caso de deputados como Eduardo Bolsonaro (SP), Carla Zambelli (SP), Bia Kicis (DF) e Hélio Lopes (RJ


Fonte: O Estado

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