30 de agosto de 2021 às 12h23m
Fim de eleição na Alemanha pauta clima e Afeganistão

Catástrofes climáticas e a crise no Afeganistão vão esquentar ainda mais a já embolada eleição para suceder Angela Merkel, que há 16 anos governa a Alemanha.

A menos de um mês do pleito, um sobe-desce de intenções de voto deixou em empate técnico três partidos: os conservadores cristãos da União (CDU-CSU), os sociais-democratas (SPD) e os Verdes. Em jogo estão políticas energéticas e industriais da principal potência europeia, cujo PIB em 2020 se aproxima de US$ 4 trilhões (R$ 21 tri, pelo câmbio atual), quinta maior economia do mundo, de acordo com cálculos do Banco Mundial que relativizam o poder de compra para permitir comparações (PPP).

A “eleição de maior consequência global neste ano”, nas palavras do presidente da consultoria de risco político Eurasia, Ian Bremmer, também define rumos geopolíticos, tema no qual o colunista da Folha é um dos principais analistas. A Alemanha tem peso preponderante, ao lado da França, em decisões europeias sobre estratégias de defesa e relações com a Rússia e com a China -mais relevantes num momento em que o apoio militar e político dos EUA deixou de ser líquido e certo.

“O rápido acúmulo de crises graves – Covid, alerta de mudanças climáticas irreversíveis feito pela ONU e Afeganistão – coloca ainda mais em evidência a importância das qualidades de liderança dos candidatos nesta eleição”, diz Ursula Münch, diretora da Academia de Educação Política de Tutzing. As pesquisas eleitorais refletiram isso após as enchentes que mataram ao menos 177 no oeste do país em julho.

Em tese, seria uma oportunidade eleitoral para os Verdes, os mais identificados com a proteção ambiental, mas também para a União: o candidato dos conservadores a premiê, Armin Laschet, 60, governa a Renânia do Norte-Vestfália, o estado alemão mais atingido pelas inundações. Seria a chance perfeita de mostrar capacidade de liderança, mas Laschet “cometeu todos os erros concebíveis”, aponta Christian Odendahl, economista-chefe do Center for European Reform. “Ele ignorou avisos de enchentes e viajou ao sul para fazer campanha. Não percebeu que a gravidade da situação exigia uma força-tarefa estatal e mudou três vezes em 24 horas sua opinião sobre se a política climática deveria ser alterada”, afirma Odendahl em análise para o centro de estudos.

A somatória de erros fez a União despencar de 29% das intenções de voto para 23% na média das pesquisas, tombo que favoreceu não os Verdes – cuja estratégia foi baixar o tom para evitar acusações de oportunismo –, mas os sociais-democratas do SPD. Estagnado perto de 15% da preferência do eleitorado havia mais de um ano, o partido de centro-esquerda saltou em semanas para 22% – a margem de erro fica entre 2 e 2,5 pontos percentuais para mais ou para menos –, projetando seu candidato, o ministro da Finanças, Olaf Scholz, 62.

Ex-prefeito de Hamburgo de 2011 a 2018 e ministro desde então, ele já explorava a experiência em seu lema de campanha “Scholz packt das an” (algo como “Scholz resolve”) e “parece estar fazendo tudo certo no momento”, diz a cientista política Ursula Münch. “Ele deu a impressão de um ouvinte sensato e montou um programa de auxílio. Isso promoveu muito sua imagem como administrador de crises”, afirma a professora.


Fonte: O Estado

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