14 de junho de 2021
Setor elétrico em alerta, e bioenergia é subaproveitada

A bioeletricidade é uma energia renovável, feita a partir da biomassa: resíduos da cana-de-açúcar (bagaço e palha), restos de madeira, carvão vegetal, casca de arroz, capim-elefante e outras.

No Brasil, 80% da bioeletricidade vem dos resíduos da cana-de-açúcar, segundo o setor.

Porém, apenas 15% do potencial de geração de bioeletricidade, por exemplo, produzido a partir da cana-de-açúcar é aproveitado pela rede hoje, estima a Unica (União das Indústrias de Cana-de-Açúcar).

Em 2020, a geração para o SIN (Sistema Interligado Nacional) pelo setor foi equivalente a cerca de 5% do gasto nacional de energia, o que responde pelo consumo de 12 milhões de residências por um ano.
Para especialistas, trata-se de uma deficiência de aproveitamento no momento em que o setor elétrico causa preocupação. No começo do mês, uma nota técnica feita pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) apontou que os reservatórios de ao menos oito usinas hidrelétricas nas regiões Sudeste e Centro-Oeste podem estar praticamente vazios até novembro.

No dia seguinte, a entidade mudou o tom do alerta, ressaltando que as medidas preventivas adotadas vão garantir o abastecimento de energia, mas a crise causada pela falta de chuvas assusta. Com a piora do cenário, o governo decidiu buscar usinas térmicas a gás sem contrato para reforçar a capacidade de geração no país.
É preciso olhar além dessas opções, diz Zilmar Souza, gerente de Bioeletricidade da Unica. “A biomassa é uma fonte renovável e não intermitente. As energias eólica e solar são coirmãs e devem continuar agregando aos sistema, e o melhor dos mundos seria agregar todas as renováveis.”

Ele ressalta que uma maior atenção para fontes como a bioeletricidade de cana poderia ser útil no momento atual. “A gente pode contribuir mais para a rede, tirando mais palha do campo e gerindo melhor a energia dentro da usina. Estamos esperando uma sinalização mais clara do governo para nos planejarmos”, diz.
Para estimular a produção, as empresas do setor pleiteiam no MME (Ministério de Minas e Energia) a formulação de leilões voltados tanto para a bioeletricidade quanto para o biogás.

A estimativa da entidade é que a bioeletricidade pela cana em 2020 também tenha poupado a emissão de 6,3 milhões de toneladas de CO.
Outra fonte considerada subaproveitada é o biogás. Segundo a Abiogás, entidade do setor, o Brasil apresenta o maior potencial energético do mundo, com 43,2 bilhões de Nm³/ano.
Esse potencial de produção se encontra, sobretudo, nos resíduos do setor sucroenergético (48,9%), na proteína animal (29,8%), na produção agrícola (15,3%) e no saneamento (6%) e tem capacidade de suprir quase 40% da demanda nacional de energia elétrica ou substituir 70% do consumo de diesel.

Existe uma geração espontânea pela decomposição de resíduos, de 120 milhões de m³ por dia, na área urbana e no campo, mas o país aproveita menos de 2% desse potencial, diz o vice-presidente da associação, Gabriel Kropsch.
Na sexta (11), o MME afirmou que deve realizar uma licitação para fechar a compra da produção de usinas de geração de eletricidade movidas à biomassa. (Folha Press)


Fonte: Folhapress

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