05 de abril de 2021 às 14h24m
Érika Amorim pleiteia mais apoio a mulheres na política

A deputada estadual Érika Amorim (PSD), que hoje é na Assembleia a única parlamentar do partido que mais vem crescendo no Ceará nos últimos anos, conversou com O Estado sobre sua atuação parlamentar, projetos desenvolvidos, perspectivas para 2022 e abertura de espaço para as mulheres na política.

O Estado. Recentemente o Ceará comemorou pela primeira vez o Dia de Combate às Fake News, fruto de projeto seu. Como avalia o estado atual do debate público no que diz respeito às fake news?
Érika Amorim. Foi uma forma de contribuir com a discussão, esclarecer sobre os males que as fake news têm para nossa sociedade, tentar de alguma forma alertar cada vez mais pessoas sobre a responsabilidade que cada um de nós tem.

De que a gente tem que se sentir responsável pela informação, pelo impacto que pode causar. Tentar desconfiar, buscar a fonte daquela informação, mas isso infelizmente parece que ficou algo muito difícil de controlar – embora o Estado tenha criado uma agência anti-fake news, a gente também não tem tanta divulgação para que as pessoas possam fazer denúncia ou mesmo utilizar essa plataforma para buscar informações mais corretas. É uma preocupação muito grande e a gente sabe que é crime, então não pode tolerar como se fosse uma prática muito banal, sem responsabilização.

OE. Você passou a maior parte do seu mandato até agora à frente da Comissão da Infância e Adolescência. Que balanço faz dessa atuação nos últimos dois anos?
EA. Estou no meu primeiro mandato, e a gente entra na política com muitas expectativas. A gente também se sente muito frustrado com relação às coisas, não acha que é tão difícil realizar.

Eu achava que era mais fácil, mas assumir a presidência da Comissão da Infância e Adolescência foi para mim algo que trouxe muita honra, porque é uma pauta que já defendia antes, atuei como primeira-dama nessa linha no município de Caucaia, com articulação com a Unicef. Nesses dois anos na comissão procuramos trazer especialistas, demos entrada pedidos ao Estado no sentido de trazer mais delegacias especializadas – só temos uma no Estado todo. Temos uma dificuldade muito grande em combater a exploração sexual infantil, e a exploração infantil de forma geral, e é um tema que é muito sério.

OE. Alguma iniciativa específica dessa atuação que você destaque?
EA. Tivemos a oportunidade de fazer uma audiência pública, recebemos um representante da Polícia Rodoviária Federal, que tem um trabalho muito importante nesse sentido, de mapear através de parcerias com instituições que trabalham nessa linha, para desenvolver uma plataforma que mapeia pontos críticos das nossas rodovias relacionadas à exploração. O Ceará está entre os estados brasileiros que mais têm pontos críticos nas rodovias. Só que, à medida que o trabalho é feito pela Polícia Rodoviária, esses pontos migram. Então tivemos reunião com o então secretário de Segurança André Costa e alguns representantes da Polícia Rodoviária Estadual no sentido de unir forças com a Federal para que juntos monitorem as rodovias do Estado e também contribuíram com a pauta. Esse ano já tive uma conversa com o atual secretário de Segurança e ele disse que não estava em andamento esse trabalho. Ainda se colocou à disposição e vou retomar no sentido de tentar fazer com que isso aconteça.

OE. Você é hoje a única mulher na Mesa Diretora da Assembleia. Qual é a significância disso para o seu mandato?
EA. Foi algo que eu senti com bastante alegria, e também com a importância da representatividade de nós estarmos ali. Na Assembleia somos 46 deputados e apenas 5 mulheres, então o Legislativo demonstra algo que ainda está muito claro na nossa sociedade: ainda existe discriminação, especialmente no âmbito político, com relação à mulher, e a gente sente que ter uma mulher na Mesa Diretora, participando das discussões administrativas e políticas da casa, é importante.

OE. Na Assembleia, como você citou, só 5 de 46, só um pouco mais do que 10%, quando as mulheres são maioria na sociedade. O que você acredita que ainda falta para corrigir isso?
EA. Já se conquistou muito espaço, a mulher já tem mais independência, ocupa mais a universidade do que os homens, têm se formado mais, estão mais capacitadas, mas ocupam espaços ainda com desigualdade. Na verdade, muitas vezes não é nem quantidade, e sim reconhecimento, mesmo. Muitas ocupam a mesma posição em cargos de empresas, por exemplo, e recebem menos do que os homens.

Menos reconhecimento, sofrem discriminação no ambiente de trabalho, e inclusive tenho um projeto pedindo que o Estado obrigue empresas contratadas pelo poder público a comprovarem a equidade salarial, para que isso não seja feito pelo menos no poder público. A gente sabe que a mulher precisa ainda se esforçar muito mais para ter destaque do que os homens, os homens se unem muito em apoio a outros homens e a sociedade ainda tem um olhar de achar que talvez eles são mais preparados para aquele lugar, que é para ser mais deles, tanto que votam ainda muito mais em homens do que em mulheres.

OE. Em meio a isso, como você acha que as cotas para as candidaturas nos partidos têm influído?
EA. Claro, temos proporções maiores de candidatos através das cotas, temos tido a garantia de uma chapa de pelo menos 30% de mulheres, mas eu diria que elas não têm o mesmo apoio dos partidos. Se esforçam, promovem momentos de capacitação, encorajamento, mas na prática, quando vai ver mesmo, acontecendo no dia a dia da política, percebe-se que os homens ainda têm muito mais apoio do que apoiam as mulheres. Então existe ainda muito preconceito da sociedade, mas também dentro dos partidos.

OE. Seu partido, o PSD, vem crescendo bastante no Ceará, elegeu muitas prefeituras ano passado. Qual sua perspectiva para o partido em 2022?
EA. É um partido que hoje é muito forte, é o segundo maior do Estado. Tem à frente o Domingos Filho, nosso presidente estadual, um grande articulador, um grande homem público, de trajetória de muito serviço público prestado. A gente percebe um envolvimento dele com muitas lideranças nos municípios e acredito que vai estar elegendo, nos próximos anos, mais deputados estaduais. Nesse pleito passado tivemos apenas dois deputados estaduais e um federal, e agora acredito que tem habilidade para ampliar essa representatividade na Assembleia e na Câmara Federal.

OE. O partido nacionalmente está com apoio ainda pendente para 2022. Com a volta de Lula ao jogo, como você acha que deve ficar? Com Lula ou Bolsonaro?
EA. Essa pergunta acho que teria que ser feita para o nosso deputado federal Domingos Neto. O PSD tem se mantido como um partido de centro, o deputado Domingos Neto é muito articulado para trazer recursos para o Ceará, esteve aí com um importante trabalho à frente do relatório do Orçamento, é um deputado que contribuiu muito com o nosso Estado, e acredito que ele pondera que de alguma forma assim pode contribuir mais com o povo cearense. E até com o Governo do Estado, que também estamos alinhados. Podem existir divergências ideológicas, às vezes partidárias, em questões estaduais ou nacionais, com o presidente – mas quando se trata do bem comum, é isso que nos traz para a política, não especificamente pelo partido ou ideologia. É buscar concordância com todos, com o que é melhor para todos.


Fonte: O Estado

Compartilhar
Publicidade
Todos os direitos reservados para avol.com.br - no ar desde 2001