01 de abril de 2021 às 10h02m
Forças Armadas: ministério anuncia novos comandantes

O Ministério da Defesa divulgou nesta quarta-feira (31) os novos nomes para os comandos das Forças Armadas, após os antigos comandantes saírem simultaneamente, na véspera.

Buscando evitar uma escalada na crise surgida com as substituições, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) escolheu oficiais-generais com perfis complementares, respeitando critérios de antiguidade, que são caros aos militares.


Em um breve pronunciamento para apresentar os novos comandantes, o novo ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, falou sobre a atuação das Forças Armadas no combate à pandemia. “As Forças Armadas são fatores de integração nacional e têm contribuído diuturnamente nessa tarefa com a Operação Covid-19 com inúmeras atividades”, destacou. Ele também afirmou que os militares se manterão fiéis à Constituição Federal: “A Marinha do Brasil, o Exército Brasileiro e a Força Aérea brasileira se mantêm fiéis às suas missões constitucionais de defender a pátria, garantir os poderes constitucionais e as liberdades democráticas”.


Escolhas
Bolsonaro indicou um nome que costuma ser criticado por seus apoiadores para chefiar o Exército, uma pessoa próxima do grupo para a Aeronáutica e um almirante visto como bolsonarista, mas ligado à antiga gestão da Defesa, para a Marinha. O movimento, coordenado pelo novo ministro da Defesa, foi o de buscar apaziguar as tensões depois do ocorrido nos últimos dias no meio militar, experiência considerada por alguns como traumática.


Entre os Alto-Comandos do Exército e da Força Aérea e o Almirantado, houve uma busca por consenso em torno dos nomes dos novos chefes militares. No Exército, principal Força com 220 mil dos 380 mil militares do País, o cargo ficou o general Paulo Sérgio, chefe do Departamento-Geral de Pessoal. Uma entrevista concedida por ele no domingo ao jornal Correio Braziliense, na qual louvava o trabalho do Exército em manter a covid-19 sob controle relativo em seu efetivo, chegou a gerar críticas no Palácio do Planalto: Bolsonaro o criticou por dizer que o Exército se preparava para uma terceira onda da covid-19. Paulo Sérgio é um nome próximo do comandante que sai, Edson Leal Pujol.


Com a ida nesta quarta (31) de Décio Schons (Departamento de Ciência e Tecnologia), o decano do Alto-Comando, e de César Augusto Nardi de Souza (Assuntos Estratégicos do Ministério da Defesa), Paulo Sérgio ficou como o terceiro mais longevo do colegiado. O primeiro passa a ser José Luiz Freitas (Operações Terrestres), que vai à reserva em agosto, e Marco Antonio Amaro dos Santos (Estado-Maior), o número 2 da Força que tem resistências no Planalto por ter trabalhado na Casa Militar de Dilma Rousseff (PT).
A escolha entre os três mais experientes é usual. Eduardo Villas Bôas era o terceiro mais antigo quando virou comandante em 2014. Com isso, ficou de fora Marco Antônio Freire Gomes (Comando Militar do Nordeste), que era o sexto na fila e o preferido pelo Planalto para ser o novo comandante. A sugestão, atípica para a Força, incomodou membros do Alto-Comando. De resto, o colegiado, com seus 15 generais da ativa e o comandante, está com fileiras cerradas nesta crise.


Outra escolha tradicionalista é a de Almir Garnier para o Comando da Marinha. O almirante era o número 2 de Azevedo na Defesa, o que soa como um armistício em si. Ele é conhecido como uma figura hábil em negociações e afeito a composições, não conflito.
A nota mais convencionalmente alinhada ao governo ficou por conta da decisão da Força Aérea Brasileira (FAB). O brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Jr., comandante-geral da área de logística, atende aos critérios de antiguidade e é filho de um ex-comandante da Força. Baptista Jr. é um ávido frequentador de redes sociais, com posições que frequentemente ecoam ideias do próprio presidente da República. (Com informações da Agência Brasil)


Fonte: Agência Brasil

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