29 de março de 2021 às 09h10m
Taxa de ocupação de hotéis no Ceará cai a 7% com lockdown

Dentre os setores comerciais mais afetados pela pandemia de covid-19 e, consequemente, pelo novo período de isolamento social mais rígido (lockdown) decretado pelo governador Camilo Santana (PT) este mês, o segmento hoteleiro, de acordo com especialistas, é considerado um dos que mais sofreram redução de atividades.

Queda que é traduzida, segundo Régis Medeiros, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Ceará (Abih-CE), no fechamento de hotéis devido à taxa de ocupação dos imóveis, que é de, no máximo, 7%.


“Atualmente, dependendo do tamanho, já temos hotéis fechados e outros que só estão funcionando por causa dos hóspedes que já estão lá dentro. A ocupação diminuiu drasticamente. Além disso, com o decreto do lockdown, houve muitos cancelamentos, ou seja, os hóspedes que iriam vir, desistiram e os que vieram já estão saindo. Por outro lado, são poucos os que chegam. É tudo muito minguado. Aos poucos, a ocupação dos apartamentos vai sendo zerada”, lamenta.


Diante deste cenário, tem-se como consequência imediata à queda na taxa de lotação desses hotéis o aumento do desemprego. Ainda segundo Régis, o percentual de demissões desde o início da pandemia, em março do ano passado, foi de 40%. Ele explica ainda que, somada às inúmeras demissões ocorridas com o fechamento dos imóveis em 2020, quando as atividades econômicas foram novamente liberadas pelo governo após o isolamento mais severo, a taxa de ocupação na reabertura dos hotéis foi muito pequena, não necessitando de uma readmissão em massa, visto que a demanda era “ínfima”.


Estratégia
Régis acrescenta que a média percentual de ocupação em hotéis na Capital era de 70%, no entanto, em dezembro do ano passado, em decorrência da pandemia, essa taxa não passou de 47%. Desse modo, para tentar garantir o maior número de funcionários possível, ele revela que algumas estratégias foram adotadas, dentre elas, a concessão de férias. “O corpo de funcionários da rede hoteleira está muito enxuto, pois, apesar das demissões terem sido menos numerosas este ano, há poucas contratações. E, para manter o máximo de funcionários, estamos dando férias a quem estava trabalhando”, expõe.


Apesar da atual situação, o empresário espera que o novo lockdown seja menos extenso que o primeiro e que a quantidade de reservas possa aumentar, principalmente, no segundo semestre – período de alta estação no Ceará. Portanto, para ele, mesmo com pouca movimentação e quadro de funcionários reduzido, manter as atividades continua sendo mais viável do que a paralisação total da rede. “Estamos tentando segurar uma estrutura mínima para que os hotéis continuem prestando serviços. Pois, mesmo fechado, é preciso manter alguns cuidados com os apartamentos”, admite.


Apoio
Em meio à indefinição de quando as atividades econômicas voltarão a ser desenvolvidas com uma maior flexibilidade, Régis ressalta a necessidade de auxílio e incentivo para a continuação da prestação de serviços e manutenção de empregos. Para ele, em nível nacional, é indispensável que o Governo Federal reedite a Medida Provisória (MP) 936, que permite a suspensão temporária dos contratos de trabalho, além da abertura de linhas de crédito e da prorrogação dos prazos para pagamento de empréstimos realizados durante a primeira onda de coronavírus, em 2020.


Em âmbito estadual, o empresário destaca a suspensão do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS). No que diz respeito aos tributos municipais, a suspensão do pagamento do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU). Medida que, de acordo com ele, daria “um fôlego a mais” ao setor.


Fonte: O Estado

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