15 de março de 2021 às 09h20m
Vacinação de profissionais reduz contágio domiciliar

Dados de profissionais de saúde escoceses estudados forneceram nesta semana mais um indício de que a vacinação reduz a transmissão da Covd-19.

O trabalho acompanhou 194.362 pessoas –144.525 funcionários da Public Health Scotland (PHS), serviço público de saúde, e seus familiares. É o primeiro estudo a relatar evidências diretas de redução da doença em contatos de pessoas que foram vacinadas, segundo o presidente do comitê de saúde pública da Associação Britânica de Medicina, Peter English.


O trabalho, do qual participaram cientistas das universidades de Glasgow e de Edimburgo, do Imperial College e da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, mostrou uma queda nas taxas de infecção nos contatos domiciliares de profissionais de saúde que haviam sido vacinados, em comparação com os contatos dos que não tinham recebido o imunizante.

A redução foi mais significativa quando os funcionários do PHS tinham tomado as duas doses da vacina há pelo menos 14 dias: nesses casos, a taxa de Covid-19 de seus familiares foi pelo menos a metade da dos familiares de profissionais não vacinados. Na média, os membros da família de profissionais de saúde vacinados tinham 30% menos probabilidade de serem infectados.


De acordo com os autores, o trabalho oferece informações relevantes para decisões de autoridades de saúde sobre vacinação. “Ele reforça que imunizar com prioridade grupos mais expostos ao contágio tem impacto na redução da transmissão também em outros segmentos da população”, escrevem. Segundo a presidente da Sociedade Britânica de Imunologia, Deborah Dunn-Waters, porém, “ainda é cedo e há muito o que aprender sobre o efeito da vacina no contágio”: “Por enquanto, é muito importante que todos sigam as diretrizes de distanciamento físico, mesmo que tenham sido vacinados”.


Os funcionários acompanhados eram jovens, o que impede que os resultados sejam extrapolados para o caso de idosos, afirmou English. Outra limitação, de acordo com ele, é que não é possível comparar a eficácia das vacinas usadas, já que a grande maioria dos profissionais de saúde recebeu o imunizante da Pfizer-BioNTech, e uma parcela menor, a de Oxford/AstraZeneca. O professor de epidemiologia de doenças infecciosas da Universidade de Nottingham Keith Neal afirma que o grau de proteção pode ser maior que o determinado pelo trabalho, já que as pessoas que moram com trabalhadores de saúde vacinados podem ter se contaminado em outras fontes de coronavírus.


Fonte: O Estado

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