11 de janeiro de 2021 às 15h08m
Câmara Municipal terá duas oposições que se rejeitam

Com o início dos trabalhos legislativos na Câmara Municipal de Fortaleza, marcado para o mês de fevereiro, começarão a atuar também os vereadores da nova composição da casa, eleita em novembro do ano passado

O saldo da eleição municipal, na capital cearense, foi de crescimento para a oposição, mas ao mesmo tempo marcando de forma clara uma divisória entre dois grupos: o dos parlamentares ligados ao grupo político de Capitão Wagner (Pros), mais à direita, e o bloco formado por PT e Psol, de oposição à esquerda.


O grupo mais à direita é formado pelos partidos Pros, Republicanos, PSC, PMB e Podemos, que juntos elegeram 12 vereadores, com possibilidade de alguns dos parlamentares eleitos nessas legendas – que integraram, na eleição majoritária do último ano, a coligação de Wagner – não participarem efetivamente da bancada. O outro grupo, formado por PT e Psol, terá cinco (três do PT e dois do Psol). Enquanto o primeiro grupo já tem estabelecida a postura de oposição, o PT segue sem definição em Fortaleza, após o diretório estadual anular a decisão do PT municipal de fazer oposição, mas o partido tende a no mínimo fechar posição de independência ao governo do prefeito Sarto Nogueira (PDT). De todo modo, os vereadores que formam a bancada da legenda na Câmara são favoráveis à perspectiva de seguirem na oposição.


Declarações


Para Márcio Martins (Pros), que comanda o bloco de oposição do qual o partido dele participa, a intenção para este ano é manter uma relação republicana, mas deverá haver vários pontos de discordância. “Existem pautas que vamos ter em comum e existem pautas que estão muito mais linkadas com o governo federal, que não há alinhamento. E nesse caso, como vou liderar esse bloco maior, temos aí a missão muito grande de tentar mediar com esse bloco do lado, para que questões nacionais sejam trazidas o mínimo possível para Fortaleza e para que possamos focar naquilo para que o povo nos elegeu”, disse ele a O Estado.


A menção ao governo federal ecoa ponto de tensão do período da campanha eleitoral em Fortaleza, quando boa parte dos candidatos e das figuras políticas que se opunham a Capitão Wagner apresentavam como principal embasamento a associação dele ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), após este ter declarado apoio ao postulante do Pros. Wagner, por sua vez, se apresentava como um agente independente em relação ao governo federal – o que não fez acabarem as associações entre ele e o presidente, perpetradas principalmente pelos adversários de esquerda. Durante os debates, inclusive, era comum ouvir de Wagner apelos para que os temas discutidos focassem na realidade local da cidade, e não no cenário político nacional.


Do lado do PT, a rejeição à ideia de colaborar com o outro bloco é sólida: Ronivaldo Maia, vereador reeleito, disse que a bancada não quer “nenhum envolvimento” com a oposição à direita em Fortaleza, com o objetivo de “não criar confusão na cabeça das pessoas”. “O PT não vai precisar estar somando com a direita, no caso desses segmentos, até porque seria muito injusto. Esses caras são antipetistas, fazem questão de dizer isso, e nós temos que nos valorizar. Não queremos acordo nenhum com esses caras”, pontuou.


Segundo Ronivaldo, no momento de “bater no governo Sarto”, o PT não o fará com eles. “Penso que a gente precisa ter uma compreensão de que no processo político do País há uma polarização de dois campos políticos. O campo político dos progressistas, que envolve aí grandes segmentos sociais, igreja católica, PT, PDT, PSB, não envolve esses partidos que estão nesse bloco de oposição ao Sarto pela direita na Câmara.


“Vou dar um exemplo muito simbólico, coisa simples, mas sobre essa questão do debate da educação. Já vão pra cima dizer que o PDT ou o PT são esquerdistas e querem propor a homossexualidade pras crianças. Alguém tem dúvida de que é isso que vão fazer? Então esse povo aí, na verdade, além de ter uma diferença grande com eles maior do que temos com o PDT, não devemos ser aliados, a depender do meu movimento não tenho aliança”, continua.


Fonte: O Estado

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