28 de dezembro de 2020 às 10h37m
O que muda no trânsito do Canal da Mancha com o Brexit

Novas regras para cruzar o canal entre Inglaterra e França terão formalidades alfandegárias, controle de passaportes e fitossanitários.

Apesar do acordo pós-Brexit entre Reino Unido e União Europeia, assinado na quinta-feira (24), as condições de pessoas e mercadorias para cruzar o Canal da Mancha entre Inglaterra e França mudarão a partir de 1º de janeiro, com formalidades alfandegárias, controle de passaportes e fitossanitários.

Manter a fluidez

Os cidadãos britânicos que entram na França deverão, a partir de agora, justificar sua estada. O pessoal de Migração carimbará seus passaportes e poderá realizar controles mais exaustivos.

O tempo de check-in em Dover (sudeste da Grã-Bretanha) pode aumentar para mais de um minuto por pessoa, em comparação com os 20 segundos atuais.

Os britânicos que não têm uma "nacionalidade considerada de risco" não serão, porém, "a prioridade", segundo o órgão administrativo da região da Alta França (norte), que quer manter a fluidez do trânsito para impedir que os fluxos se dirijam para portos belgas ou holandeses.

Hoje, 70% do comércio entre Reino Unido e UE passa pelos portos franceses de Calais e de Dunquerque. Uma média de 60 mil passageiros e 12 mil caminhões transita por essas duas passagens diariamente.

Bens: formalidades 'digitalizadas'

As empresas terão de se submeter a formalidades nos dois sentidos e declarar suas mercadorias à alfândega francesa, pela Internet, por meio de um sistema informático conhecido como "fronteira inteligente".

As placas, identificadas por câmeras do lado britânico ao embarcarem em vagões de trem ou em balsas, serão comparadas aos códigos de barra da declaração alfandegária apresentada pelo motorista.

Com base na análise de risco durante o tempo de travessia (1h30 de balsa entre Dover e Calais, 35 minutos de túnel), a alfândega dará ao caminhão sinal verde na chegada à França, e ele poderá continuar sua rota, ou sinal laranja, para pará-lo.

"Menos de 1%" será detido com base nesta análise, sem contar aqueles que não tiverem cumprido as formalidades. Este sistema será usado em todos os portos franceses do Canal da Mancha e do Mar do Norte.

Controles sanitários

Cerca de 230 veterinários farão os controles obrigatórios à importação de animais vivos, alimentos de origem animal e frutas e legumes, em quatro serviços de inspeção veterinária e fitossanitária em Calais, Dunquerque e Boulogne-sur-Mer.

O controle dos documentos dos caminhões da Irlanda - que transportam, por exemplo, cordeiro - será feito de forma digital, à distância.

Os serviços aduaneiros poderão abrir os caminhões, comparar a documentação e a carga real ("controle de identidade") e, se necessário, analisar uma parte dos produtos para verificar sua qualidade ("controle físico").

Estima-se que entre 10% e 12% do total de caminhões serão verificados.

Investimentos de US$ 48 milhões

Os operadores e o Estado investiram 40 milhões de euros (mais de US$ 48 milhões) na construção de docas de controle de mercadorias, estacionamentos, estradas e sistema informático. Cerca de 700 funcionários foram recrutados para alfândega, serviços veterinários e migração.

Em caso de congestionamento, ou se não estiverem em dia com suas declarações, os caminhões estacionarão em uma das 6 mil vagas disponíveis distribuídas em portos, túneis, parques privados e áreas de descanso de rodovias.

As autoridades também podem ativar um "plano de gerenciamento de tráfego zonal", exigindo que os caminhões esperem na vizinha Bélgica, em áreas de armazenamento, ou sejam desviados.

Do lado britânico, o governo prometeu uma ajuda de 200 milhões de libras (cerca de US$ 270 milhões) para ajudar na adaptação dos portos.

Recusou-se, no entanto, a desembolsar 33 milhões solicitados pelo porto de Dover para dobrar o número de cabines de controle de passaportes por parte das autoridades francesas. Isso poderá causar "atritos e atrasos", disse o diretor do porto, Doug Bannister, à rede BBC.

A noite de 1º de janeiro

Os caminhões carregados em seus países de origem antes de 31 de dezembro às 23h59 não passarão pelos novos procedimentos, mesmo se cruzarem a fronteira depois da meia-noite.

As autoridades estão se preparando para uma atividade comercial mais tranquila em janeiro, depois que as empresas do Reino Unido tiverem importado um grande volume de produtos em dezembro.


Fonte: Por France Presse

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