03 de dezembro de 2020 às 06h47m
Israel aprova dissolução do Parlamento

Deputados israelenses aprovaram, nesta quarta-feira (2), a dissolução do Knesset, como é o conhecido o Parlamento de Israel, e deram mais um passo em direção à quarta eleição no país no período de dois anos.

O projeto de lei, apresentado pela oposição ao governo do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, recebeu 61 votos a favor e 54 contra. Para de fato dissolver o Knesset, o texto ainda precisa ser aprovado em outras três futuras votações parlamentares.


A aprovação desta quarta, entretanto, também representa um novo dano à já delicada e complexa relação entre Netanyahu e Benny Gantz, ministro da Defesa que integra o governo de coalizão formado depois de três eleições nas quais nenhuma maioria se formou. Os legisladores foram convocados ao plenário às 11h (6h, no horário de Brasília) desta quarta, mas a votação sobre a dissolução do Knesset só ocorreu horas depois por ser o último item da ordem do dia.


De acordo com o jornal Times of Israel, a sessão de votos começou com duras críticas a Netanyahu. O líder da oposição Yair Lapid, autor da proposta de dissolução, acusou o governo de destruir o tecido social de Israel. “Vocês não têm ideia do que estão fazendo”, disse Lapid, líder do partido Yesh Atid. “Vocês estão colocando nossas vidas e nossa economia em perigo, abandonando nossos pais e colocando fogo no futuro de nossos filhos.”


O partido de Gantz, Azul e Branco, também foi criticado por ter aceitado compor o governo de coalizão ao lado do Likud, de Netanyahu. “Se vocês tivessem nos ouvido, Benny Gantz teria sido o primeiro-ministro e Netanyahu teria deixado Balfour há muito tempo”, disse o parlamentar Nitzan Horowitz, líder do partido Meretz, em referência à rua em que fica localizada a residência oficial do primeiro-ministro. “Nas próximas eleições, o público não votará em partidos com cavalos de Tróia.”

Eleição


Apesar de Horowitz e outros parlamentares já darem como certa uma nova eleição, ainda há outras etapas a serem cumpridas na tramitação da dissolução do Knesset. Depois da aprovação desta quarta-feira, o projeto segue para o Comitê da Câmara, controlado pelo partido Azul e Branco. Estima-se que a aprovação da proposta pelo Comitê deva ocorrer na próxima segunda-feira (7), e então a dissolução ainda precisará ser votada em outras três sessões no Legislativo israelense. Se a moção passar por todas essas etapas, o Parlamento será dissolvido e seus membros definirão uma data para as próximas eleições entre março e junho de 2021.


Apesar da instabilidade política no país, marcada por protestos que reúnem milhares contra o governo, pesquisas de intenção de voto apontam que o partido de Netanyahu manteria a maioria dos assentos de parlamentares no Knesset em uma nova eleição. Se isso acontecer, Bibi, como ele é conhecido, pode permanecer como primeiro-ministro de Israel. Nesta terça (1º), Gantz antecipou que seu partido, o centrista Azul e Branco, votaria a favor da dissolução, contrariando os interesses de Bibi.


Fonte: O Estado

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