23 de novembro de 2020 às 13h03m
Gastos de Sarto são quase o dobro de Capitão Wagner

Os custos com a campanha de cada candidato são atualizados rotineiramente, ao longo do período eleitoral, junto ao sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de modo a prestar contas com a população e com a própria Justiça Eleitoral.

Os números divulgados até a tarde deste domingo (22) mostram que o candidato José Sarto (PDT) já gastou, até o momento, R$ 5.668.774,84, enquanto o adversário Capitão Wagner (Pros) registrou R$ 2.867.310,82 em gastos – equivalente a pouco mais da metade das despesas
do primeiro.


Os dois se enfrentam em um segundo turno mais breve do que o normal, de apenas duas semanas, devido ao adiamento das eleições impulsionado pela pandemia da covid-19. Em meio a isso, pesa também o fato de que a Justiça Eleitoral do Ceará proibiu, já na reta final do primeiro turno, que as candidaturas realizassem eventos de campanha que pudessem gerar aglomerações, a exemplo de passeatas e carreatas, que eram feitas com frequência pelos dois postulantes antes da decisão da Justiça.
Com isso, ganham destaque particular os investimentos feitos com produção de vídeos (para o horário eleitoral gratuito e também para disseminação nas redes sociais) e com impulsionamento de mídias na internet. Uma proporção de 35% das despesas do pedetista até o momento, equivalente a R$ 2,3 milhões, foi direcionada a produção de programa para rádio e televisão. Outros R$ 200 mil foram gastos para produção de jingles, vinhetas e slogans. Capitão Wagner, por sua vez, já desembolsou R$ 500 mil para preparar vídeos para o horário eleitoral e outros R$ 160 mil para produção musical e de áudio para a campanha.
O horário de rádio e TV ganha espaço no segundo turno uma vez que ambos os postulantes ganharam tempo para usar – se no período que antecedeu o primeiro turno eram 10 minutos divididos para 9 candidatos, de modo proporcional levando em conta a quantidade de deputados federais de cada coligação, no segundo turno os dois têm igual tempo no horário eleitoral, com cinco minutos para cada. No caso do postulante do Pros, isso significou quase quatro vezes o que ele tinha disponível na primeira etapa da campanha, exigindo recursos mais volumosos nessa esfera na reta final.
Já os gastos com internet são representados principalmente no investimento com impulsionamento de conteúdos nas redes. Sarto desembolsou R$ 1,1 milhão diretamente com isso, enquanto na campanha de Wagner o valor gasto foi de R$ 748 mil até o momento. Wagner, apesar de hoje estar atrás nesse departamento, no primeiro turno foi o campeão de gastos com impulsionamento em todo o País. Além disso, ele, Sarto e o candidato derrotado no primeiro turno em Fortaleza Célio Studart (PV) foram os três únicos postulantes a terem declarado mais de R$ 500 mil com impulsionamento no Brasil inteiro.
Receitas


As origens desse dinheiro também são comunicadas à Justiça Eleitoral. No caso de Sarto, a maioria esmagadora dos recursos vem da direção nacional do PDT: são R$ 5,5 milhões, equivalente a 80,75% de todas as verbas arrecadadas à sua campanha. Além desse montante, chama a atenção o volume alto de doações de pessoas físicas no nome de empresários: R$ 300 mil de Vilmar Ferreira, presidente do Grupo Aço Cearense; R$ 200 mil de Pedro Grendene Bartelle e mais R$ 200 mil de Alexandre Grendene Bartelle, da Vulcabras Azaleia; R$ 150 mil de Pio Rodrigues Neto, presidente da C.Rolim Engenharia; e R$ 100 mil de Beto Studart, ex-presidente da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec).


Já Capitão Wagner, diferente da maioria dos candidatos (incluindo aí os derrotados no primeiro turno), não tem como seu maior arrecadador o próprio partido: o maior valor repassado à sua campanha vem de pessoa física, do senador Eduardo Girão (Podemos), que é também o coordenador de sua candidatura. O parlamentar e empresário direcionou R$ 1,24 milhão à chapa, equivalente a mais de um terço do total repassado. Outro R$ 1 milhão vem da direção nacional do Pros, pouco mais de R$ 410 mil vêm do diretório municipal do Podemos, R$ 100 mil vêm do Podemos nacional e R$ 54,6 vêm do Podemos estadual (que está coligado com o Pros de Wagner em Fortaleza e é também o partido da candidata a vice, Kamila Cardoso).
Beto Studart, que doou para a campanha de Sarto, também contribuiu com a de Wagner, com uma quantia de R$ 50 mil – metade do que foi destinado ao pedetista. Também há repasse de R$ 100 mil do banqueiro Jaime Nogueira Pinheiro Filho (do banco BMC), mais R$ 100 mil do ex-vice-prefeito Gaudêncio Lucena (que foi eleito com Roberto Cláudio em seu primeiro mandato e depois foi para a oposição), outros R$ 100 mil de Carlos Gualter Gonçalves de Lucena (irmão de Gaudêncio), R$ 60 mil da vereadora Priscila Costa (PSC) e R$ 30 mil do ex-governador Adauto Bezerra


Fonte: O Estado

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