20 de novembro de 2020 às 09h28m
Siglas de 7 dos 9 derrotados apoiam Sarto no 2º turno

O primeiro turno da eleição municipal em Fortaleza contou com participação de 11 candidatos diferentes, igualando o recorde alcançado no pleito de 2004.

Com a redução da quantidade de postulantes a dois, no período do segundo turno, os partidos derrotados começam a se reorganizar em torno dos candidatos que restaram, construindo apoios que antecipam o segundo dia de votação. Na capital cearense, um total de sete partidos dos nove que tinham candidato a prefeito no primeiro turno (e que não chegaram ao segundo) manifestaram, ao longo desta semana, apoio a José Sarto (PDT).


Foram anunciados apoios de PT, Solidariedade, PV, Psol, PCdoB, UP e Patriota, com cada um deles tendo lançado candidato no período das convenções. Em casos como o do Psol, foi anunciado um apoio crítico, prometendo fazer oposição em um eventual governo Sarto, tendo como prioridade derrotar o oponente Capitão Wagner (Pros). Alguns desses partidos, no entanto, têm posições que diferem do próprio posicionamento de seus postulantes que disputaram o primeiro turno: Heitor Férrer, do Solidariedade, declarou que se manterá neutro nesta etapa da campanha, mas seu partido entrou para a lista de apoios à chapa pedetista.


Já a ex-prefeita Luizianne Lins está se mantendo em silêncio, enquanto o PT anunciou, na última terça-feira (17), apoio a Sarto após decisão unânime da executiva do diretório do partido. A perspectiva é de que Luizianne não se envolva, sem declarar apoio ao PDT, especialmente por causa dos ataques direcionados a ela por parte da campanha do grupo governista. A junção entre PT e PDT já era esperada, com uma aliança quase tendo sido viabilizada entre os dois partidos já para o primeiro turno, mas Luizianne é, nesse contexto, um ponto fora da curva, fazendo oposição obstinada ao grupo político liderado pela família Ferreira Gomes. Apesar disso, dentro do PT até a ex-presidente Dilma Rousseff já declarou apoio a Sarto em Fortaleza e desferiu críticas ao candidato do Pros.


Com os novos apoios, Sarto agora conta com 17 partidos a seu lado. Além dos sete novos, estão também os 10 que compõem a coligação de sua candidatura e que o apoiaram desde o primeiro turno: o PSB (partido do candidato a vice Élcio Batista), o PSD, o PTB, o Cidadania, a Rede, o PP, o PL, o PSDB, o DEM e o próprio PDT.


Wagner


Os dois únicos candidatos a prefeito que foram derrotados e cujas legendas não estão hoje apoiando o PDT são Heitor Freire (PSL) e José Loureto (PCO). O primeiro, que também lidera o PSL no Ceará, disse que não apoiará nem um nem outro, por não enxergar nas candidaturas “defesa autêntica de valores de direita e conservadores”. Freire chegou a conversar com Wagner, no período pré-eleitoral, sobre uma possível aliança, mas o diálogo não vingou. Em 2018, pouco após a eleição do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), ele chegava a dizer que o plano era ter Wagner como cabeça de chapa e, na posição de candidato a vice, ter alguém indicado por Freire, ou até possivelmente ele próprio. O PCO, por sua vez, não chegou a fazer atos de campanha, com a candidatura de Loureto tendo sido impugnada no meio do período eleitoral por pendências relacionadas à entrega de documentação.
Wagner segue, assim, sem novos apoios desde o último domingo. Ele tem pontuado, em resposta a isso, que acredita que “o eleitor de Fortaleza prefere ter um candidato que politicamente está isolado, mas vai ter liberdade para formar o seu secretariado”. “Há uma junção de forças contra a minha candidatura. Foram mobilizar a Dilma, a ex-presidente foi acionada para apoiar a candidatura do Sarto, veio Flávio Dino do Maranhão, Ciro, Boulos, o apoio do Psol à candidatura do candidato dos Ferreiras Gomes chama atenção. Vamos apoiar o Sarto, mas vamos fazer oposição, é uma coisa muito esquisita. Como vão apoiar uma candidatura que não acreditam? É por conta disso que estamos deixando de lado as candidaturas e focando no eleitor”, disse ele.


Fonte: O Estado

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