12 de novembro de 2020 às 06h48m
Décimo-terceiro injetará R$ 5,31 bi no Ceará

O pagamento do 13º salário vai injetar cerca de R$ 5,31 bilhões na economia do Ceará até o final deste ano.

A previsão é do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), divulgada ontem. No Brasil, a previsão é de R$ 215 bilhões. As empresas que decidirem pagar o abono em duas parcelas têm até 30 de novembro para realizar o primeiro pagamento, e a segunda parte pode ser paga até 20 de dezembro.
No Ceará, 2,8 milhões de pessoas irão receber o adicional. Apesar de o 13º trazer ânimo aos setores econômicos, neste ano, devido à crise causada pela pandemia do novo coronavírus e a medida provisória 936/2020, que institui o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda permitindo o corte da jornada de trabalho e salarial, o impacto na economia será menor que o esperado.
“Esse valor de mais de R$ 5 bilhões entrando na economia cearense é extremamente importante nesse período de final de ano, onde você tem ainda uma possibilidade de gerar uma perspectiva de crescimento em todos os setores da economia, principalmente os setores relacionados com o comércio e serviços”, analisa o presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon), Ricardo Coimbra. No entanto, o economista chama atenção de que, em razão da MP 936, o 13º salário será menor para muitas pessoas.
O supervisor regional do Dieese no Ceará, Reginaldo Aguiar, explica: “o país está com uma das menores taxas de emprego da história econômica, somada a legislação do trabalho, com pessoas com contrato de trabalho suspenso, essas, por exemplo, se ao longo do ano suspenderam o contrato por quatro meses vão receber só o 13º referente aos oito meses trabalhados. São fatores que vão colaborando para que o volume de recursos que traz um ânimo significativo todo ano para economia, esse ano seja bem menor do que o que se esperava nos anos anteriores”.
Distribuição
Dos cerca de 2,8 milhões que receberão o salário adicional, os empregados do mercado formal, celetistas e estatutários representam são 55,54% do total. Em seguida, pensionistas e aposentados do INSS respondem por 45,5%, e empregados domésticos com carteira assinada responde somam 1,14%.
Quanto a distribuição de valores por segmento, os empregados formalizados ficam com 66,55% (R$ 3,5 bilhões) e os aposentados e pensionistas com 33,5% (R$ 1,78 bilhões).


Prioridades


De acordo com Ricardo Coimbra, é interessante que as pessoas se organizem e se planejem com a chegada do 13º salário e, primeiro, priorizem as despesas de começo de ano, como matrícula e material escolar, e pagamento de IPVA e IPTU. “Nesse momento, uma parcela significativa deve pagar dívidas e renegociar dívidas, visto que houve crescimento do endividamento em função da pandemia e também o crescimento da inadimplência, então é um momento para rever e repensar as constas pensando no início do ano de 2021”, afirma.


Reginaldo Aguiar acrescenta que, além dos pagamentos de dívidas, parte do abono também é utilizada para o consumo nas festas de fim de ano. “Esse ano as festas deverão ser bem mais acanhadas, mas as pessoas sempre compram algum presente e isso dá uma animada no comércio”, destaca.


Nacional


No Brasil, a estimativa do Dieese é que o pagamento do 13º salário pode injetar R$ 215 bilhões, aproximadamente 2,7% do PIB brasileiro. O adicional será pago a cerca de 80 milhões de brasileiros.
O Dieese informou que, para o cálculo do impacto do 13º na economia, não considera os rendimentos de trabalhadores autônomos, assalariados ou qualquer tipo de abono de fim de ano.


Do total de R$ 215 bilhões, R$ 141 bilhões, ou 65,5% serão pagos aos empregados formais, incluindo os trabalhadores domésticos; R$ 74,4 bilhões (34,5%), serão pagos aos aposentados e pensionistas. Dos beneficiários do INSS, são 30,8 milhões de pessoas que receberam o valor de R$ 43,2 bilhões. Aos aposentados e pensionistas da União caberá o equivalente a R$ 13 bilhões (6,1%); aos aposentados e pensionistas dos Estados, R$ 14 bilhões (6,5%); e R$ 4 bilhões aos aposentados e pensionistas dos regimes próprios
dos municípios.


Fonte: O Estado

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