19 de outubro de 2020 às 10h58m
O povo sente a hipocrisia dos candidatos da covid, diz Célio

O deputado federal e hoje candidato à Prefeitura de Fortaleza Célio Studart (PV) conta que a maioria de seus oponentes na disputa desrespeita os protocolos de saúde da pandemia e que a população de Fortaleza já percebeu isso, o que deve se traduzir em votos para ele, que se apresenta como o candidato da saúde

O deputado federal e hoje candidato à Prefeitura de Fortaleza Célio Studart (PV) conta que a maioria de seus oponentes na disputa desrespeita os protocolos de saúde da pandemia e que a população de Fortaleza já percebeu isso, o que deve se traduzir em votos para ele, que se apresenta como o candidato da saúde. O Estado conversou com ele sobre propostas para essa área, alianças, defesa dos animais, engajamento online e mais. Confira:


O Estado. Como você avalia que têm sido os primeiros dias de campanha?
Célio Studart. Avalio positivamente para a gente. Existe uma dificuldade natural para mostrar os candidatos à população dentro de uma estrutura minoritária de partidos, mas a gente percebe que as pessoas têm rejeição forte a outros nomes e cada vez mais estão aderindo à nossa ideia, estou bastante otimista com relação a isso.
OE. Tem sentido a diferença que a pandemia está fazendo na programação eleitoral de rua?
CS. Para a gente, tem realmente muito impacto, porque o nosso eleitor é muito consciente, muito coerente nas pautas que a gente defende, é um eleitor muito voluntarioso, carinhoso com nossas ideias, então não está na rua para respeitar de fato o isolamento. Esse respeito é algo que estamos fazendo por obrigação moral de saúde com a nossa população, ao passo que aqueles que estão desrespeitando o isolamento estão cometendo verdadeiros crimes contra a saúde da população, que o MPE [Ministério Público Eleitoral] já deveria estar multando as carreatas e essas campanhas dos candidatos da covid. A população passando por desemprego, artista sem conseguir fazer show, e alguns políticos se veem no direito de fazer eventos com 300, 400 ou até 2 mil pessoas, como em cidades do interior ou até aqui em Fortaleza também. Tenho certeza que a população de Fortaleza tem percebido isso, sentido a hipocrisia disso, a população não está animada para o carnaval eleitoral.
OE. Você mencionou o desemprego. A pandemia tem afetado a economia como um todo, o que você pensa para ajudar a reerguê-la na Prefeitura em 2021?
CS. Vamos chegar com uma postura de contemplar o micro e pequeno empreendedor, ou seja, todos aqueles que tiveram dificuldade para continuar seu negócio, ou fecharam, perderam sua única fonte de renda e vão precisar que a Prefeitura tem uma relação mais amigável, de cooperação, em vez de meramente arrecadatória. Ou seja, a carga tributária atual vai precisar ser revista, não só porque já era crítica, mas também porque até exige uma nova postura agora da Prefeitura. Aqueles que não vão conseguir se reinserir no mercado facilmente vão precisar de uma renda mínima, um auxílio básico para Fortaleza.
OE. Você já disse que quer ser o prefeito da enfermagem. Por que a enfermagem em específico?
CS. Ela é, dentro da área da saúde, a classe que mais trabalha e é menos respeitada. Hoje temos em Fortaleza três graus de problemas da enfermagem: questão do piso, questão do retorno e questão do dimensionamento, ou seja, a quantidade de pacientes que podem receber. Quando falamos em enfermagem, estamos falando de três categorias, incluindo auxiliar, técnico e enfermeiro. A saúde não funciona sem esses profissionais, se eles estiverem desvalorizados, então compreendo que precisa construir mais hospitais, garantir insumos, medicamentos, mas precisamos também ter um foco maior aos profissionais da enfermagem, que mais precisam de auxílio imediato para suas necessidades, para cuidar dos cidadãos.
OE. Sendo um dos candidatos mais jovens concorrendo esse ano, de que modo acha que isso contribui para a candidatura?
CS. Acredito que é preciso uma modernização e isso não está ligado à idade, nossa história política é uma caminhada que já vem de longo tempo, um formato de política distante da política tradicional, velha. Já mostramos uma confecção muito mais moderna da visão política, de compreender as demandas através de ações virtuais… Tudo que já fiz como vereador faço como deputado, no sentido de aproximação do eleitorado, compreensão de novas pautas, percepção da sociedade como fonte do poder público, servir de ponte entre a população e os recursos públicos. Não uma visão ou totalmente liberal ou totalmente estatizante, mas sim uma compreensão de cada modelo para cada situação, isso é ser moderno. É a possibilidade da nossa juventude poder fazer política diferente da maior parte das grandes campanhas, esse ano com nove partidos de um lado, dez partidos de outro. Fizeram tudo isso por tempo de TV e estrutura, então já vão chegar ao poder – se chegarem – tendo que lotear cargos para beneficiar os partidos que chegaram juntos. Então apostamos na liberdade e independência da população de Fortaleza.
OE. Este ano as candidaturas estão mais presentes na internet do que antes. Você já tendo esse histórico de engajamento de eleitores online, vindo de outras eleições, isso é uma vantagem?
CS. Temos um eleitorado muito jovem, que majoritariamente usa muito bem as redes sociais, ou já nasceu no ambiente de internet, independente, com consciência com o voto. E nós temos uma multidão silenciosa do nosso lado, pessoas que não estão na rua levantando bandeira de ninguém, que estão na sua casa, até porque estão passando pela mesma pandemia que o Brasil está passando – só quem não está são os candidatos da covid, de resto o Brasil continua. Os números nas redes apontam o quão longe estamos chegando e acredito que isso vai se refletir nas próximas pesquisas. É uma grande aposta nossa, a certeza de que a narrativa do debate das redes é o que vai definir a campanha municipal de Fortaleza. Por mais que tenha TV e rádio, é nas redes que vamos ver, nos últimos dias, as pessoas decidiram voto. E aí, quando isso ocorre, vamos estar consolidados.
OE. Você teve votações expressivas pro Legislativo nos últimos anos principalmente com a força da questão da proteção animal, e há quem diga que um candidato com essa pauta, sendo ela de nicho, não conseguiria vencer uma eleição majoritária. O que pensa sobre isso?
CS. Temos um programa muito amplo, para todas as áreas. Temos deixado claro nossas prioridades, nossa pauta de atenção à primeira infância, acessibilidade e inclusão da pessoa com deficiência, estamos fazendo um recorte muito importante acerca de como vai ser para gerir e administrar a Prefeitura com mais independência, para render contratos com transporte público, qualificação de espaços públicos, tudo isso. Acredito que o eleitor, acima de qualquer nicho específico de voto, vai perceber que é uma candidatura viável, que vai crescer.
OE. O PV está sozinho nessa candidatura. Vocês chegaram a ser procurados por outros partidos?
CS. Fomos procurados por alguns candidatos. Não sei se posso falar no sentido de convite partidário, pode ter sido só um convite pessoal, mas a própria Luizianne conversou com a gente, Heitor Férrer, também fomos procurados a nível pessoal pelo PDT. E achamos que deveríamos concorrer mesmo, por ser o vereador mais votado em Fortaleza, o segundo mais de toda a história, na última eleição fui o segundo deputado mais votado para a Câmara Federal em Fortaleza. Nossa decisão em lançar candidatura de chapa pura e apresentar nossas propostas e bandeiras parte de ousadia, coragem, e com certeza que a população de Fortaleza compreende isso.


Fonte: O Estado

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