12 de outubro de 2020 às 07h37m
Roseno: Psol terá bancada em 2021 com “absoluta certeza”

O deputado estadual Renato Roseno (Psol), que é hoje candidato à Prefeitura de Fortaleza, conta que seu partido finalmente terá vereador em 2021 e que será mais de um

A sigla, em eleições anteriores, já tinha acumulado mais votos para o Legislativo do que vários oponentes eleitos, sem no entanto conseguir pôr alguém na casa, devido às regras das coligações proporcionais. Com o fim dessas regras, o partido investe em uma candidatura a prefeito substantiva, para impulsionar mais ainda a formação da bancada na Câmara Municipal. O Estado falou com ele sobre isso e outros temas, incluindo aspectos da própria candidatura majoritária. Confira:


O Estado. Como você tem avaliado esse início de campanha nas ruas?
Renato Roseno. Vou fazer duas observações: do ponto de vista meu, individual, tem mais reconhecimento, em razão do mandato. A última vez que fui candidato a prefeito foi em 2012, eu não era deputado, e agora por isso as pessoas me conhecem mais. E isso é legal, por um lado. Por outro lado, é uma campanha desafiadora, porque queremos respeitar todos os protocolos sanitários, então é uma campanha que tem que ser feita com respeito, cuidado, entregando panfleto às vezes de maneira muito cuidadosa, fazendo vários eventos híbridos. E tem a terceira observação, que é: acho que hoje a sociedade está muito ressabiada, desconfiada porque temos aí um governo a nível federal que é absolutamente alinhado com valores muito conservadores e com uma agenda econômica muito negativa para a maioria do povo, então há desconfiança das possibilidades reais de mudança na nossa sociedade.
OE. Daqui para 2021, mesmo que a pandemia já esteja mais controlada, haverá um problema sério na economia de Fortaleza. O que você pensa para ajudar a reerguê-la?
RR. A intenção agora nos próximos anos é transformar o auxílio emergencial em uma renda básica de caráter permanente. Temos feito cálculos e com 8% do orçamento poderia garantir para a população, para pelo menos 100 mil famílias mais pobres, com crianças pequenas, garantir essa renda básica permanentemente.
OE. Você vem atuando na Assembleia acompanhando os assassinatos de meninas de 10 a 19 anos no Ceará. Como você considera que essa experiência o credibiliza para atuar na Prefeitura para ajudar a combater a violência na cidade?
RR. Acho que o aprendizado que eu tive nos últimos cinco anos me dá absoluta convicção do papel do município, que é imprescindível para combater a violência. Não é substituir polícia, com Polícia Militar ou policiamento ostensivo em geral, tem a ver com trabalho complementar. O papel é liderar a prevenção social, em vez de tratar as pessoas na base da repressão e do medo.
OE. Você tem o maior plano de governo entre os candidatos à Prefeitura de Fortaleza, com mais de 100 páginas. O que pensa sobre outras chapas que cadastraram planos com cinco ou seis?
RR. Fiquei muito decepcionado, em primeiro lugar, porque fizemos um plano detalhado, para mostrar a viabilidade das nossas propostas. E também porque é complexo isso, me parece que os demais não se dedicaram a isso, realizar um debate programático.
OE. O que está embasando esse programa, de modo geral?
RR. Eu trabalho quatro eixos: cidade justa, com foco em renda básica; cidade aberta, com prevenção à violência; cidade ecológica, sobretudo com recuperação ambiental sobre áreas verdes; e uma sociedade democrática, com mais poder popular.
OE. Você, assim como alguns outros candidatos, tem menos de 20 segundos de horário eleitoral. Como avalia isso e como pretende aproveitar esse tempo?
RR. Primeiro que isso demonstra a desigualdade. E a única coisa que posso fazer é chamar para as redes sociais, 18 segundos dá talvez quatro frases, então preciso muito rapidamente apresentar a ideia e chamar as pessoas para aprofundar essas ideias nas redes sociais.
OE. Como isso será feito nessas redes, com o eleitor já lá?
RR. Muita interatividade, ou seja, pensar alternativas que podem ser feitas na campanha, interatividade que pode ser feita na gestão. Não pode ser interativo só na campanha, para isso é necessário pensar de formas de gestão que levam em conta aquilo que chamamos de democracia 4.0, baseada também na forte participação das pessoas a partir desses canais da democracia digital.
OE. O Psol está coligado com o PCB esta eleição. Vocês chegaram a conversar com outros partidos para possíveis alianças?
RR. A gente dialogou com muita gente, dialogamos com o PT, mas me parece que era necessário que lançássemos candidatura. Isso não impede conversas, mas é importante que, numa eleição em dois turnos, no primeiro turno as candidaturas se apresentem. Ah, e a UP também conversou conosco.
OE. Quase toda eleição vemos várias candidaturas de esquerda separadas, em Fortaleza agora tem Psol, PCdoB, UP, PT e PCO, são pelo menos cinco. Como avalia a hipótese de “unir as esquerdas” em vez dessa fragmentação?
RR. Eu acho que elas estão unidas, numa certa maneira, a partir dessas candidaturas, a partir de uma frente de defesa da democracia, dos direitos, contra o retrocesso. E essa frente social pode virar uma frente eleitoral, depende muito da configuração no segundo turno.
OE. Então vocês avaliam apoiar um outro candidato contra um oponente de direita, na hipótese de o Psol não chegar a esse segundo turno?
RR. Sim, acho que é nosso principal desafio não permitir que o descalabro federal se reproduza aqui em nível municipal.
OE. Inclusive a possibilidade de apoiar a candidatura do PDT, a quem vocês fazem oposição?
RR. Depende muito do programa que vai ser apresentado. Por exemplo, temos um conjunto de demandas para a cidade, para uma cidade mais ecológica, inclusiva, mais solidária, com respeito ao Plano Diretor… Veja, quem for para o segundo turno e porventura quiser o apoio do Psol vai ter que ter um conjunto de compromissos com movimentos sociais. O nosso apoio não é incondicional, é baseado em princípios programáticos e em interesses da maioria do povo.
OE. Você mencionou “descalabro federal”, que você não quer que se repita em Fortaleza na candidatura majoritária. E no Parlamento, com a hipótese de a onda conservadora que tomou o Legislativo em 2018 acontecer aqui também? Como avalia?
RR. Nem me parece que é possível. Essa onda – que foi uma onda – espero que não se reproduza em 2020. Pelo contrário, acho que as pessoas estão escaldadas com o que aconteceu em 2018.
OE. O Psol já deixou de eleger um vereador em Fortaleza por causa da logística das coligações proporcionais. Com o fim delas, vocês estão mais confiantes quanto à possibilidade de pôr alguém na Câmara?
RR. Eu tenho absoluta certeza de que vamos chegar com uma bancada. O tamanho não sei, mas vamos chegar com mais de um vereador. Porque, primeiro, a cidade sabe que falta faz a voz de um vereador do Psol na Câmara. Então acho que a gente tem uma chapa muito boa, temos 26 candidatos a vereador pelo Psol e nossa chapa tem feminista, trabalhadores de vários setores, ambientalistas, LGBTs, uma chapa muito diversificada. Eu acho que a quantidade de vereadores exata vai depender muito da campanha majoritária, a gente sabe que quanto maior a candidatura majoritária, maior a chapa proporcional. E eu estou me esforçando para fazer uma grande campanha majoritária.

 


Fonte: O Estado

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