25 de agosto de 2020 às 13h30m
Turismo corporativo despenca quase 90% por causa da Covid-19

O turismo corporativo despencou durante a pandemia, com o cancelamento de eventos e viagens de negócios. Estimativas do setor apontam queda de quase 90% nas vendas, considerando atividades como transporte, hospedagem e seguro.

Diferentemente do turismo de lazer, a modalidade deve ter mais dificuldade para se recuperar com as empresas empregando mais reuniões online e com menos recursos para bancar viagens.

O impacto deve ser sentido especialmente por São Paulo, cidade em que quase metade do turismo é a negócios –46,7%, segundo o Observatório de Turismo e Eventos da Prefeitura– e que concentra 42% desse mercado no Brasil.

O reflexo deve ser ainda maior sobre o faturamento com a atividade, dado que turistas corporativos gastam cerca de três vezes mais do que quem viaja a lazer, afirma Eduardo Murad, presidente da Alagev (Associação Latino Americana de Gestores de Eventos e Viagens Corporativas).

“[O ano de] 2020 é um ano praticamente perdido, foi para o limbo essa área de eventos”, avalia Vinicius Lummertz, secretário de Turismo do estado de São Paulo.

As feiras de negócio na capital paulista geram R$ 7,3 bilhões em receita por ano para o município e atraem 8,8 milhões de visitantes, segundo a secretaria.

Dados do segundo trimestre, período em que vigoraram restrições mais rígidas, mostram uma queda de 94,7% na venda de passagens domésticas, 74,4% na reserva de hotéis e 98,4% nos pacotes de viagens em comparação com o segundo trimestre do ano passado. Em conjunto, o total de vendas do setor caiu 90%.

Os números foram levantados pela Abracorp (Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas) em pesquisa com suas 27 associadas.
O presidente da entidade, Gervasio Tanabe, estima uma perda da ordem de R$ 5 bilhões só das agências nesse período –quase metade do faturamento do setor em 2019, estimado em R$ 12 bilhões.

Edmar Bull, presidente da agência Copastur, especializada na gestão de viagens corporativas, afirma que em março a atividade foi completamente paralisada. Desde então, vem retomando aos poucos, mas num patamar ainda baixo. Em julho, a empresa faturou cerca de um terço da cifra alcançada em julho de 2019.

Para o final do ano, o empresário espera chegar a 50% do faturamento.
Além das agências, a paralisação afeta serviços que vão de companhias aéreas a hotéis, passando por bares, restaurantes e aplicativos de transporte.

O chamado “bleasure” (mistura das palavras negócios e prazer em inglês) é uma tendência que vinha crescendo nos últimos anos, integrando a experiência corporativa com gastronomia e espetáculos. Com a pandemia, o movimento deve ser revisto, lamenta Murad.

Com a flexibilização e a retomada em parte das atividades, o setor vem se esforçando para convencer empresas de que é seguro enviar seus funcionários a viagens novamente.

Bull, da Copastur, diz já sentir mais exigência de seus clientes com questões sanitárias. A preocupação tem levado as empresas a também mudarem suas opções: se antes era feita uma reserva de um quarto triplo para três funcionários, agora a escolha é por três individuais, exemplifica.

Murad aponta ainda uma expansão da digitalização no setor para reduzir o número de interações, como check in sem contato pessoal em hotéis e automatização da locação de veículos.

Depois da segurança, o segundo passo é olhar para preços –com a demanda em baixa, a perspectiva é de queda nos preços. A expectativa do setor é que o resultado de 2021 fique entre 75% e 80% do alcançado em 2019.

Lummertz, da secretaria de turismo, avalia que o turismo corporativo pode assumir uma nova forma híbrida e mais descentralizada no pós-pandemia, se espalhando para o interior do estado, por exemplo.

Segundo ele, a pasta pretende atrair mais feiras para a cidade no próximo ano e enviar à Assembleia Legislativa uma proposta para a criação de distritos turísticos.

Lummertz também apoia a autorização de funcionamento de resorts integrados a cassinos, proposta do Ministério do Turismo. “Isso faz a diferença para a gente entrar no mapa dos eventos do Hemisfério Norte”, diz.


Fonte: Folhapress

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