08 de agosto de 2020 às 08h20m
Dia Nacional de Combate ao Colesterol: prevenção e desconhecimento marcam pacientes

Comemorada no dia 8 de agosto, a data reforça os hábitos contra o aumento do nível do colesterol LDL no sangue. A mudança silenciosa dos índices do organismo aumenta a probabilidade de doenças cardiovasculares - que representaram mais de 30% dos óbitos do mundo em 2015, inclusive no Brasil.

Neste sábado, 8, comemora-se o Dia Nacional de Combate ao Colesterol. A data marca a importância de manter o controle do lipídio no organismo humano, pois em altos níveis o composto favorece a prevalência de doenças cardiovasculares (DCV) como o infarto e acidente vascular cerebral (AVC) e poder ocasionar, em casos mais graves, a morte.

Segundo o Ministério da Saúde, as DCV representaram mais de 30% dos óbitos do mundo em 2015 e em países em desenvolvimento, como o Brasil. Os dados são elencados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e mostram que o País foi atingido em mais de três quartos das causas de morte.

O que é o colesterol?


Mas o que seria o colesterol? O composto produzido pelo fígado marca a presença de gordura no sangue e é produzido de duas formas: Lipoproteínas de Alta Densidade (HDL) e Lipoproteínas de Baixa Densidade (LDL).

O HDL é responsável por retirar o excesso de colesterol da circulação e é conhecido como o "bom colesterol". Já o LDL são responsáveis pelo transporte do composto - e esse em excesso é conhecido como o "mau colesterol", pois aumenta o risco de entupimento das artérias devido à gordura presente.

A professora do curso de Enfermagem da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Vera Mendes, destaca que as alterações dos níveis do LDL podem ocorrer em qualquer faixa etária. "Isso é aproximado pela adoção de estilos de vida inadequados, como a alimentação de grandes quantidades de alimentos processados e ricos em açúcares", diz.

A professora também ressalta uma "tendência distorcida" em associar os altos níveis de colesterol no sangue com o sobrepeso. Apesar da probabilidade, ela não é exclusiva deste público. "Podemos acompanhar em Fortaleza um acentuado número de pessoas com aumento de peso, pois a alimentação dessas pessoas foi mudando através das décadas". 

As alterações podem acontecer por pré-disposições genéticas e pela prática de maus-hábitos de saúde. A herança familiar dos altos níveis de colesterol pode ser controlada junto ao combate do estresse, com a prática de atividades físicas e com a inserção de uma boa alimentação na rotina.


Segundo a endocrinologista Ana Flávia Torquato, do Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC), alimentos ricos em fibras e em gorduras insaturadas, conhecidas como "gorduras saudáveis" estão entre as opções que podem substituir os processados. Esses últimos são compostos industrializados que contém tipos especiais de gordura, como a trans. Parcialmente hidrogenada, a gordura favorece o aumento da circulação do colesterol LDL no corpo humano.

"Essa gordura [trans] está associada ao índice de mortalidade de infartos, o que é muito prejudicial a saude. Como ela é barata, dá um sabor mais gostoso a comida e foi adicionada em sorvetes e biscoitos recheados", alerta.

Apesar das consequências, os altos índices podem ser facilmente identificados através de um exame, o lipidograma. O ideal, segundo a médica, é que o exame seja feito durante a infância e durante a vida adulta, mesmo que as pessoas não apresentem sintomas.

 

No entanto, os desleixos com a saúde podem trazer consequências graves aos pacientes. Por ser silenciosa, a doença não apresenta sintomas prévios e o tratamento costuma ser procurado tardiamente. Os quadros clínicos mais graves são acompanhados de AVC, hipertensão, infarto e trombose.

Cuidados antes e após os exames ajudam a prevenir doenças graves

 

O Hospital de Messejana (HM) é referência cearense no tratamento de doenças cardiovasculares, estritamente relacionadas aos níveis de colesterol no organismo. O setor de Cardiologia do Hospital costuma receber de um a quatro pacientes com infarto do miocárdio por dia. Outra queixa comum são os relatos de insuficiência cardíaca - ambas as manifestações clínicas são acometidas já pela consequência do alto nível de HDL no sangue do paciente.

As informações são do coordenador do setor de Cardiologia do HM, Glauber Jean. Ele destaca que os atendimentos por Covid-19 na emergência diminuíram significamente, em contraponto que houve um aumento no número de pacientes em crises com fortes doenças cardíacas. A repressão dos pacientes em casa também favoreceu o aumento, além de não conseguirem consumir os medicamentos corretamente durante o período de pandemia. "Tem uma demanda muito intensa no hospital, pois são pessoas que ficaram esse tempo sem procurar consulta médica, por medo de se contaminarem".

A primeira mobilização do paciente deve ser procurar a consulta médica. Através da avaliação e do checkup, o paciente perceberá os níveis de colesterol e outros lipídios no sangue. Como a faixa etária não define a pré-disposição ao aumento, os índices variam entre os pacientes. Mas o especialista explica que o colesterol LDL deve ser tratado quando está abaixo de 130. Já se a pessoa tem histórico familiar de doenças ou já foi acometida por alguma DCV, o índice ideal deve ser abaixo de 50.

"Mesmo que os resultados venham normais, isso não inibe a pessoa de ter o colesterol alto. A pessoa com índices bons precisa ter o hábito de evitar gorduras, frituras e alimentos mais enlatados", alerta Glauber para os riscos do desleixo de saúde após os exames, além da prática de bons hábitos de saúde física e mental. "A data é muito relevante, pois vem para lembrar as pessoas sobre uma alteração no sangue que é silenciosa. A prevenção é importante e ela acontece com hábitos", diz.

Como evitar ou cuidar do alto nível de colesterol LDL no sangue

 

- Realize exames de rotina frequentemente: os procedimentos ajudam a perceber previamente o nível do colesterol e, assim, controlá-lo antes de qualquer predisposição as DCV

- Conheça e incentive o seu ciclo familiar: alguns dos aumentos dos níveis de LDL podem ser provocados por histórico familiar. A adesão de hábitos saudáveis começa no próprio ambiente familiar.

- Pratique atividades físicas: segundo Glauber, a prática de 150 minutos de atividades é suficiente para um bom hábito. O ideal é que o tempo seja distribuído ao longo da semana.- Atividades de conhecimento

- Consuma alimentos saudáveis: frutas, verduras, grãos integrais, azeite, peixe, atum, sardinha e salmão estão entre a alimentação permitida. 

- Evite alimentos processados: biscoitos, refrigerantes, sorvetes e carne vermelha estão entre os nutrientes que devem ser evitados.

- Combater o estresse: a saúde mental também é importante. Voltar a si mesmo e conhecer atividades que lhe dão prazer, como a leitura, entretenimento e religiosidade somam-se aos cuidados com os níveis de colesterol


Fonte: O Povo

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