07 de agosto de 2020 às 14h02m
Especialista alerta para Síndrome da Visão de Computador, recorrente em crianças durante a pandemia

Conhecida como SVC, é causada pelo uso excessivo de dispositivos digitais. No entanto, cuidados prévios podem tratar ou até mesmo evitar a condição visual.

As aulas híbridas devido à pandemia podem manter as crianças ligadas por bastante tempo nas telas dos dispositivos digitais. Além do uso educacional, jogos e desenhos podem ser outros atrativos para passar o tempo dos pequenos durante o isolamento. No entanto, o excesso do uso pode ser fator de risco para o desenvolvimento de problemas visuais, como a Síndrome da Visão de Computador (SVC).

A anatomia do olho humano traz músculos necessários para a visão. Ao focarmos por muito tempo nas telas, a rigidez do tecido pode ser afetada, informa o oftalmologista do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), Giuliano Veras. Ele explica que a SVC provoca um cansaço devido ao uso excessivo do sistema visual e, durante a utilização das telas, alguns mecanismos como a postura corporal e o piscar acabam sendo alterados. "De forma espontânea, você pisca de 15 a 20 vezes por minuto. Mas quando estamos atentos a algo, essa frequência diminui para 3 a 5 vezes por minuto", expõe.

Situações que exigem uma atenção fixa, como a leitura de um texto ou o uso do computador, caso perdurem por muito tempo, podem trazer problemas para a visão, principalmente das crianças de até sete anos - idade em que se completa o desenvolvimento visual. Segundo o especialista, o desenvolvimento visual da criança ocorre com maior intensidade de um até os três anos, durante o período pré-escolar.

Dentre os principais sintomas da SVC nos pequenos, estão ardência nos olhos, ressecamento, embaçamento e dor de cabeça. Nos atendimentos do consultório, as queixas são constantes entre os pais. "Temos que orientar, pois hoje em dia é uma situação típica. Não tem como tirar essa tecnologia das crianças", ilustra. Recentes pesquisas mostram que o acesso à internet entre crianças e adolescentes aumentou, e que o celular é o principal dispositivo usado pelo público com idades entre 9 a 17 anos.

A SVC pode trazer dificuldades no aprendizado da criança, segundo Giuliano. Caso não seja diagnosticado o problema, é provável que o estudante apresente dor de cabeça, por exemplo, após as aulas remotas, embora os sintomas possam passar imperceptíveis pelos responsáveis.

Apesar de não ser grave, a doença pode trazer um desconforto na região dos olhos, além de cansaço e o provável desenvolvimento da miopia em crianças. Segundo Giuliano, estudos iniciais mostraram relações entre a condição visual e a SVC, mas outras pesquisas na área ainda precisam ser feitas.

A luz azul presente nas telas digitais também pode favorecer problemas oculares no futuro. "Existem alguns trabalhos muito iniciais sobre a questão da tela azul. Talvez lá na frente, e estamos falando de 30, 40 anos, isso possa causar uma desestruturação na retina", alerta. Entretanto, o oftalmologista reforça que a indústria óptica já está se adequando para reverter o problema.

Alguns cuidados por parte dos responsáveis podem ajudar no combate da SVC. Confira algumas delas:

- incentivar as crianças à exposição solar por, ao menos, 2 horas; brincadeiras no quintal ou na área do condomínio podem incentivar a redução do uso do celular pelos pequenos.

- realizar regulamente avaliação oftalmológica; pelo menos uma vez ao ano, ou antes da volta às aulas; as verificações ajudam a perceber um possível problema com antecedência ou efetivar o início de um tratamento.

- relembrar a criança de manter uma postura corporal certa; de forma simplificada, falar sobre isso pode fazer com que as crianças entendam e sentem corretamente.


Fonte: O Povo

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