20 de julho de 2020 às 09h13m
Nova entidade global busca renovar esquerda contra maré conservadora

Para resistir ao avanço da direita no mundo, não bastam partidos políticos que repetem o surrado discurso marxista.

Com essa proposta foi criada em 11 de maio a Internacional Progressista (IP), entidade que bebe na tradição das organizações globais da esquerda surgidas no século 19, mas busca uma roupagem adequada aos tempos atuais. Em termos práticos, propõe discussões sobre ambientalismo, desigualdade e pluralidade, com ênfase igual ou maior do que a dada à velha luta de classes. No lugar do comunismo, prega o “pós-capitalismo”.


Ainda em fase de formação, a IP foi primeiro esboçada no final de 2018, por iniciativa do senador americano Bernie Sanders e do movimento de esquerda europeia DiEM25, que tem como uma de suas maiores lideranças o ex-ministro das Finanças da Grécia Yanis Varoufakis. “Nossa principal motivação foi o crescimento notável na última década de uma rede de líderes autoritários de direita, que pretendem representar uma nova forma, mais populista, de governo”, afirma o economista americano David Adler, coordenador-geral da entidade. Ex-assessor de Sanders para política externa, Adler afirma que esses líderes da direita buscam, “por meio de mentiras e distorções”, implementar uma nova agenda de privatização e liberalização.


Tal rede, obviamente, tem como principal expoente o presidente Donald Trump (EUA) e inclui Jair Bolsonaro e líderes da direita radical na Europa, como Viktor Orbán (Hungria) e Andrzej Duda (Polônia), e na Ásia, como Rodrigo Duterte (Filipinas). A eleição de Bolsonaro, afirma Adler, foi uma motivação “fundamental” para a criação da entidade. “Mostrou que há uma nova articulação da extrema direita que está ganhando impulso e força.”


Diferentemente de entidades como a tradicional Internacional Socialista, que reúne partidos e existe desde 1951, a IP é integrada por movimentos e indivíduos. Há um conselho com 64 pessoas, com diversos expoentes da esquerda global. Exemplos são o linguista Noam Chomsky (EUA), o ex-presidente do Equador Rafael Correa, o ator Gael García Bernal (México), o ex-vice-presidente da Bolívia Álvaro García-Linera, a primeira-ministra da Islândia, Katrín Jakobsdóttir, a escritora Naomi Klein (Canadá) e o próprio Varoufakis.


Há também uma vasta gama de representantes de entidades ambientalistas. Do Brasil, são três: o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT), o ex-chanceler petista Celso Amorim e a deputada federal Áurea Carolina (PSOL-MG).


Fonte: O Estado

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