18 de julho de 2020 às 08h58m
Hepatites virais são doenças silenciosas: saiba como se prevenir

O Hospital São José (HSJ), da rede pública Secretaria de Saúde do Ceará, do Governo do Estado, é referência no atendimento a pacientes com hepatites virais.

A médica hepatologista da unidade, Elodie Bonfim, reforça a importância das medidas de prevenção às doenças. “É possível se prevenir e se tratar. São doenças silenciosas que, muitas vezes, você nem sabe que tem. Por isso é preciso se cuidar e fazer exames com regularidade”, destacou

Neste mês, a campanha Julho Amarelo chama a atenção da sociedade para a conscientização a respeito das hepatites virais, que podem gerar diversos problemas. “As hepatites virais ocasionam inflamações no fígado, podendo causar alterações leves, moderadas ou graves no órgão. Em algumas ocasiões, o transplante de fígado pode se fazer necessário. Em outras, a doença pode evoluir para câncer de figado. Mas, com o devido acompanhamento, a doença pode ser controlada, como no caso da hepatite B, e até curada no caso da hepatite do tipo C”, afirma Elodie

O professor universitário João (nome fictício), de 54 anos, se trata há três décadas contra hepatite B no HSJ. Ele suspeita ter adquirido a doença durante a relação sexual. “Às vezes me pergunto se esse hospital é de verdade. É um ambiente de muita humanidade, sempre atenciosos e olha que já são muitos anos”, disse.

Para João, tomar as medicações se tornou um hábito e não mais uma preocupação. “Tenho qualidade de vida”, destacou. Elizabeth, 70, (nome fictício) compartilha da mesma opinião. A paciente é acompanhada há 20 anos no HSJ, desde que recebeu o diagnóstico de hepatite C. “Eu fui curada da hepatite há quatro anos, mas ainda preciso de algum acompanhamento. O tratamento ajuda muito, a gente segue com nossa vida”, disse.

Para marcar uma consulta no HSJ é necessário ter encaminhamento médico ou ser regulado por uma unidade básica de saúde. Elodie Bonfim, médica de ambos os pacientes, explica que as hepatites B e C atingem de 0,8% a 1% da população adulta, e 20% deste total vão evoluir para transplante de fígado. Ainda segundo a especialista, de 1% a 4% irão resultar em câncer de figado se não forem tratadas. “Existe tratamento e ele é gratuito pelo SUS”, ressaltou a médica.

Prevenção

Como não existe vacina contra a hepatite C, é necessário conhecer e evitar as formas de transmissão do vírus. As principais são uso de drogas injetáveis, compartilhamento de objetos de higiene pessoal, como escova de dente e lâminas de barbear e de depilar, e de acessórios de manicure e pedicure, como alicates, lixas, tesouras e espátulas. Não se deve, também, usar instrumentos para tatuagem que possam conter sangue, pois o vírus chega a sobreviver quatro dias fora do corpo humano.

Recomenda-se, ainda, verificar, durante exames, se agulhas ou quaisquer outros objetos que entrem em contato com sangue são descartáveis ou se estão devidamente esterilizados. No caso da hepatite B, que também pode levar o paciente à indicação de transplante de fígado, a transmissão pode ocorrer através de pequenos ferimentos na pele e nas mucosas pelo uso de drogas injetáveis e por relações sexuais sem proteção. Contra a hepatite B há vacinas disponíveis, mas é necessário tomar as três doses.

Diagnóstico e tratamento

A hepatite é uma inflamação no fígado e pode ser causada por vírus, uso de alguns remédios, álcool e outras drogas, além de doenças autoimunes, metabólicas e genéticas. São doenças silenciosas, que nem sempre apresentam sintomas. Cansaço, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras estão entre os sinais mais comuns. No Brasil, as hepatites virais mais comuns são as dos tipos A, B e C.

Por ser uma doença silenciosa, o período de incubação varia entre 10 e 30 anos. O diagnóstico precoce ajuda no tratamento e aumenta muito a chance de cura. O teste para hepatite B e C está disponível nas Unidades Básicas de Saúde da capital e do interior.


Fonte: O Estado

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