17 de julho de 2020 às 17h32m
"Vamos ter que nos redesenhar para o ciclo pós-pandemia" diz presidente da Aprece sobre futuro dos municípios

Em entrevista ao O POVO EM CASA, Nilson Diniz projetou o cenário para as eleições e comentou a experiência dos gestores cearenses com o vírus e seus desdobramentos socioeconômicos

O presidente da Associação dos Municípios do Estado do Ceará (Aprece) e prefeito de Cedro, Nilson Diniz (PDT), projetou o cenário para as eleições 2020 e o que o pós-pandemia reserva para os novos gestores. A Aprece entende que a eleição deve ocorrer com maior segurança sanitária, cenário que, no entendimento da associação, não é contemplado atualmente.

Em entrevista ao O POVO EM CASA, Diniz comentou a experiência dos gestores cearenses com o vírus e os desdobramentos de seus efeitos sociais e econômicos. Além disso, revelou a expectativa de votação do Fundo de Manutenção de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) que precisa ser votado pela Câmara dos Deputados até o fim do ano para não perder a validade.

Sobre a eleição, Nilson acredita que não há como garantir que não afetará a segurança sanitária. Não há como garantir que um candidato a vereador num município isolado não vá às ruas e os candidatos com mais de 60 anos, diabéticos, hipertensos, como vão participar? E o eleitor nessas condições, será que ele vai votar?”, questionou.

Segundo Diniz, que é médico, a pandemia deve “dar uma trégua” a partir do ano que vem, o que possibilitaria uma eleição com mais segurança. Na área econômica, o gestor projeta que a crise persistirá.

“Vejo que iniciaremos um ano muito difícil no Estado, os municípios sofrerão muito com queda de arrecadação e aumento de despesas. Vamos ter que nos redesenhar para começar um ciclo pós-pandemia”.

Ele também citou antecipação da Aprece na garantia da transparência de ações públicas de combate ao coronavírus. “Pedimos orientação do Tribunal de Contas do Ceará e trabalhamos com os gestores um modo de destacar nos painéis da transparência esses gastos. Eles vão para uma área separada, uma aba específica”, explicou.

A respeito de manifestações do Ministério Público, que já atuou em mais de 100 municípios cearenses sobre o tema, Diniz afirma que a maioria das ações na verdade são “recomendações”.

Sobre o Fundeb, o gestor de Cedro diz ser essencial que haja um financiamento permanente para a educação brasileira, mas chamou a atenção para detalhes, como o gasto com pessoal. Segundo ele, “em mais de 90% dos municípios, 100% do dinheiro não consegue pagar os funcionários da educação. Temos que encontrar recurso extra. Evidentemente queremos que os professores ganhem bem, mas o financiamento precisa cobrir isso para garantir outras ações".


Fonte: O Povo

Compartilhar
Publicidade
Todos os direitos reservados para avol.com.br - no ar desde 2001