15 de julho de 2020 às 17h14m
978 mil cearenses com 15 anos ou mais ainda não sabiam ler ou escrever em 2019, diz IBGE

O percentual de analfabetos no Estado chegou a 13,6% no grupo de pessoas mais jovens

A taxa de analfabetismo no Ceará chegou a 13,6% no grupo de jovens com 15 anos ou mais em 2019, o que representa 978 mil cearenses. O índice vem registrando queda desde 2016, mas ainda supera o dobro da média nacional, que é de 6,6%. As informações foram divulgadas nesta quarta-feira, 15, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua).

Em 2016, o percentual cearense de analfabetismo estava em 15,2%, passando para 12,2% no ano seguinte e, na sequência, para 13,3% no grupo de pessoas mais jovens. A discreta variação para cima no último ano, entretanto, não é tida oficialmente como aumento para IBGE, que leva em consideração números absolutos. Contudo, o acréscimo de pessoas analfabetas foi de 22 mil nessa faixa etária, de 2018 para 2019.

No Ceará, assim como no País, o analfabetismo se apresenta de modo mais evidente em pessoas de 60 anos ou mais, chegando a 35,3% no último ano, mas também com quedas sucessivas nos anos anteriores. A taxa representa um total de 490 mil cearenses idosos que não sabiam ler ou escrever em 2019.

Dos estados do Nordeste, o Ceará tem o quinto maior percentual de analfabetos no grupo etário mais jovem, ficando atrás Alagoas (17,1%), Paraíba (16,1%), Piauí (16%) e Maranhão (15,6%). Considerando a faixa etária dos idosos, o Estado cai para a sexta posição no cenário regional.

A professora Eloisa Vidal, do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Estadual do Ceará (Uece), pondera que o maior percentual de analfabetismo na população de 15 anos ou mais se dá nas faixas etárias mais avançadas, “e é muito difícil reverter essa situação”. Ela comenta sobre a necessidade de implementar programas de alfabetização de adultos na busca por caminhos para solucionar o problema.

“Além do que, só alfabetizar não é suficiente, necessitando de oferta de educação de jovens e adultos para assegurar a continuidade dos estudos, do contrário, parcela dos adultos alfabetizados volta à situação anterior”, afirma.

Escolarização no Estado desacelera

No Ceará, a taxa de escolarização tem revelado queda na comparação com o histórico da pesquisa, desde 2016, quando 28,9% dos cearenses eram escolarizados. Em 2019, o percentual total foi de 27,8%, o equivalente a 2,54 milhões de estudantes, de acordo com o IBGE. No ano de 2018, o índice ficou em 28,1%.

O indicador retrata a proporção de estudantes de determinada faixa etária em relação ao total de pessoas dessas mesmas idades. De acordo com os dados, houve variação negativa na escolarização do grupo etário de 0 a 5, que corresponde a educação infantil – creche e pré-escola.

Em 2019, o percentual foi de 53,2%, enquanto chegava a 56,1% no ano anterior. A diminuição, em números absolutos, foi de 382 mil para 376 mil estudantes no período observado.

“Essa queda na taxa de escolarização na pré-escola pode estar relacionada ao valor aluno do Fundeb [Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica], que sempre foi considerado baixo pelos gestores municipais, e à crise econômica que assola o País desde 2015, o que tem reduzido matrículas privadas nesse segmento do ensino fundamental”, considera a professora Eloisa Vidal.

A especialista observa também que a queda na taxa de escolarização de pessoas com 25 anos ou mais, de 4,9% para 4,4% entre 2018 e 2019, “pode ser explicada pela melhoria da taxa de escolarização de 18 a 24 anos, mostrando que a população universitária está evoluindo na adequação idade-série”.

Por sua vez, o aumento de escolarizados na faixa etária entre 18 e 24 anos foi de 27,4%, em 2018, para 30,6%, no ano seguinte. A alta foi de 20 mil estudantes nesse grupo etário durante esse tempo. Apesar disso, são ainda 642 mil jovens no Ceará que não estudam nessa faixa etária.





Fonte: O Povo

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