10 de julho de 2020 às 15h04m
Conheça a primeira mulher a comandar a 3ª companhia do BPChoque da PMCE

A Primeira Tenente Maria Freitas foi nomeada para a direção na última quarta-feira, 8 e é a primeira mulher a ocupar a função em 35 anos de existência do cargo

Cerca de 120 policiais militares da 3ª Companhia do 2º Batalhão de Policiamento de Choque (Companhia de Policiamento de Eventos) da Polícia Militar do Ceará (PMCE) serão orientados pela Tenente Maria Freitas, a primeira mulher a ocupar o cargo de comando. A decisão do Comando Geral foi publicada em boletim interno na noite da última quarta-feira, 8.

Maria Aparecida de Freitas Moraes tem 35 anos, é natural do município de Apodi (RN) e mora em Fortaleza desde os 15 anos. Após passar no primeiro concurso da Polícia, ela descobriu seus propósitos ao mudar-se para Baturité, cidade onde teve sua primeira nomeação no expediente policial. "Nem imaginei que eu tinha aptidão e vocação para a tarefa e fui descobrindo isso durante o trabalho. Graças a Deus amo o que faço e tem dado muito certo", comemora. Ela já foi lotada na 2º Companhia do 4º Batalhão Policial Militar e também já esteve no Batalhão de Policiamento de Eventos (BPE). Em abril de 2019, adentrou a companhia na qual meses depois comandaria.

Quando soube que era a nova comandante, levou um susto. "Foi uma surpresa para mim. Já tinha conversado anteriormente sobre o assunto, mas ao puxar a história do Choque, em 35 anos, sou a primeira oficial a passar pelo cargo", reitera. A tenente afirma que sempre gostou da parte operacional e administrativa dos cargos policiais - setor que, segundo ela, tem um ritmo muito intenso.

Ao apontar sobre as particularidades do gênero na academia, a oficial é intuitiva sobre agregar as colegas, pois ainda são um público mínimo no ambiente. "No 2º Batalhão, há cerca de 20 mulheres operacionais e o serviço não deixa a desejar. Isso faz uma grande diferença, pois ainda se enxerga a imagem de um homem operacional ao pensar na Polícia. Mas as mulheres que trabalham comigo não ficam para trás", discorre, ao citar duas combatentes que admira: a Cabo Maia - primeira e única mulher até então a concluir o curso do Comando Tático Rural (Cotar) - e Maria Helena - chefe do Comando Logístico da PMCE. "O melhor caminho é tentar se aprimorar, treinar e sempre acreditar que sempre mulheres podem fazer e aprender mais".

Na prática, não vê diferença entre os trabalhos de homens e de mulheres, pois considera todos uma única base de apoio durante o trabalho. "Temos que esquecer dessa coisa de que alguém vai pensar que a gente não é capaz. Isso não interessa e temos que partir de nós mesmas para sempre queremos fazer o nosso melhor", fala.

A notícia trouxe muita felicidade aos amigos e à família, pois foi por meio deles que a tenente recebeu a notícia de que era a primeira mulher em 35 anos do cargo. "As mulheres ficaram lisonjeadas e espero continuar fazendo o que faço. Acredito na minha capacidade porque eles acreditam em mim", narra.

Mulheres só ingressaram em Academias Policiais do Estado em 1985

São 1900 servidoras da segurança pública, segundo balanço divulgado pela Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) em março deste ano. Em julho de 2019, a pasta contabilizou 813 mulheres efetivas na Corporação da PMCE.

O Policiamento Feminino (PFem) na PMCE teve início em maio de 1985 com a Lei º 11.035. No entanto, sua implementação só se deu apenas em 1994 através de edital que deu início a seleções de recrutamento público. O Comandante-Geral da PMCE à época, Manoel Damasceno de Souza, solicitou a cessão de policiais militares femininas da instituição. 

Em junho de 1994, três policiais deram início ao processo de inclusão na Academia: a capitã Solange da Silva Rezende e a 2ª tenente Priscila Riederer Rocha e a sargento Vânia Ferreira Sabino. Juntas deram início a formação de dez oficiais, vinte Sargentos, cem Soldados combatentes e catorze musicistas na Academia de Polícia Militar General Edgard Facó. Os primeiros Comandante e Subcomandante da Companhia PMFem, respectivamente, foram à época o Major Francisco Carlos Francelino Mendonça e a 2º Tenente Cléa Pontes Medeiros Beltrão.



Fonte: O Povo

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