23 de junho de 2020 às 06h40m
Setor de cajucultura está em decadência no Ceará, alerta Sincaju

A cajucultura é a única fruteira com viabilidade de ser plantada com irrigação ou de sequeiro, no Ceará.

No entanto, o setor continua em franca decadência e importando castanha da África, de acordo com o Sindicato dos Produtores de Caju (Sincaju). “É necessário ratificar que, na Pauta de Exportação do Estado do Ceará, a castanha ainda tem um destaque importante, mas, infelizmente, toda matéria-prima têm sido importada da África, desprivilegiando, assim, os produtores locais”, afirma o engenheiro Agrônomo Paulo de Tarso Meyer, que também é o presidente do Sincaju.

 

Para Paulo de Tarso, a situação, além de deixar de gerar empregos dentro do Estado, está levando milhares de famílias e trabalhadores, que dependiam da renda da castanha, a abandonarem o cultivo do caju. “Em termos técnicos e econômicos, atualmente o Ceará perde para outros Estados e países. A nossa minguada produção está, em nossa memória, nas mãos de pequenos produtores, inclusive em assentamentos. Assentamentos estes que possuem valor de mercado de até dezenas de milhões de reais de recursos e seus membros recebendo Bolsa Família para sobreviverem”, denuncia.

 

Ainda de acordo com o presidente do Sincaju, são raros os assentamentos auto insuficientes em termos econômicos, mas que demonstram a viabilidade do setor. De acordo com Paulo de Tarso, o motivo disso acontecer é porque os recursos disponibilizados pelo Governo do Estado não chegam aos produtores, “e se chegam são provavelmente mal aplicados, não pelos produtores, mas pelos gestores de tais programas”, afirma.


Paulo de Tarso cita, ainda, o caso do Programa Intercaju, onde foi constituída uma unidade de beneficiamento na comunidade de Uruá, município de Barreira, iniciada há sete anos e até o momento sem o devido funcionamento. “Foi constatado pela Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado do Ceará (Secite-CE), que as máquinas estavam improdutivas. Os mesmos se comprometeram em providenciar os devidos ajustes há alguns meses, mas ainda estamos no aguardo”, disse.


Ele comenta também que, de acordo com a Associação de Uruá, a cajucultura é, provavelmente, o setor que mais possui órgãos governamentais a nível estadual, contudo, sem liderança não funciona de forma eficaz. “Há também o Instituto Caju Nordeste, criado há mais de 10 anos, e atualmente o Instituto Caju Brasil criado recentemente. Mais novos institutos serão criados sem eficácia?”, questiona.

Simpósio


Antes da pandemia do coronavírus, foi lançado o Simpósio Internacional do Caju, o objetivo seria discutir as seguintes questões: a menor taxa de produtividade de caju no mundo; como transformar sem-terra em assentado e sem renda; e aplicação de recurso público sem retorno ou desperdiçado. Além de “cursos telepáticos que até hoje não houveram comprovação dos 65 cursos do Intercaju, de orçamento elevado”, conclui o presidente do Sincaju.

 


Fonte: O Estado

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