17 de junho de 2020 às 09h25m
A urgente transformação digital da educação pós-pandemia

Um dos setores mais afetados pela pandemia do COVID-19 é o da educação, onde a cultura digital ainda não é tão presente

Poucas instituições contam com sistemas de gestão escolar para gerenciar processos internos e, as que têm, fazem uso para armazenar dados e gerar relatórios. Menos de 1% das escolas que integram as necessidades administrativas às demandas de professores e alunos em sala de aula conseguem transformar esses dados em inovação.

“As escolas precisam lidar com diversos fatores que já eram problemáticos antes da pandemia e, agora, a transformação digital é uma realidade. Passar por esse processo em um momento de total redução de custos é um desafio, mas, felizmente, há soluções que suprem essa demanda urgente e podem ser adotadas com segurança e agilidade”, explica Marcus Taccola, CEO da startup InfoGo e especialista em análise de dados e desenvolvimento de aplicativos.

O executivo refere-se a soluções que têm o objetivo de digitalizar rotinas, consolidar dados e automatizar processos que agilizem os procedimentos internos de uma instituição educacional em seus mais diversos setores. Este é o caso do aplicativo criado, recentemente, pela startup InfoGo, com Inteligência Artificial avançada, capaz de gerenciar rotinas diárias até então feitas em planilhas excel ou manualmente, e consolidar os dados por meio de dashboards prontos, sem nenhum trabalho.              

No caso das escolas, o aplicativo atende tanto a administração interna quanto os professores e demais colaboradores. É possível criar rotinas para a gestão financeira, incluindo controle de mensalidades, contas a pagar e a receber e organização do fluxo de caixa, além de cadastrar os alunos com informações de ingresso à escola, identificação dos responsáveis e informações de saúde. Na área de RH, a função currículo também está entre as rotinas disponíveis e ajuda na seleção dos colaboradores com o perfil mais adequado a cada necessidade, o que inclui não só os professores, mas também profissionais de limpeza, segurança, fornecedores e outros.

Já os professores podem registrar todas as atividades realizadas por tipo (oral, escrita), por tarefa (atividade não presencial, prova, atividade em sala, TCC, etc.) e usar o aplicativo como diário de classe, com campos para anotações sobre o desempenho de cada aluno, lançamento de notas e apontamentos, como os que precisam de reforço ou reposição de conteúdo, por exemplo.

Essas medidas são possíveis de implementar em apenas um dia e suprem as necessidades emergenciais de ordem administrativa, financeira e pedagógica. Com isso, o gestor terá acesso a informações consolidadas, em tempo real, para tomar decisões e adotar as medidas necessárias de forma mais assertiva. Logicamente, o gestor cria alçadas para que somente os responsáveis de cada área tenham acesso a determinadas informações.

“Esse aplicativo é de grande utilidade nesse momento de reorganização dos estabelecimentos de ensino e, além de usar somente o celular como recurso, requer um baixo investimento por parte das escolas. Nesse momento, a ordem é cometer menos erros, ter mais agilidade e alcançar bons resultados”, afirma Taccola.

Carência do digital na educação brasileira

Pesquisa realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), mostra  que 58% dos internautas brasileiros se conectam exclusivamente pelo telefone celular, sendo que 85% dos usuários das classes D e E usam apenas o aparelho.

Segundo Taccola, as escolas terão que se adequar à realidade digital para suprir uma demanda urgente, que é o acompanhamento pedagógico de cada aluno para alinhar o planejamento das aulas presenciais ao conteúdo passado pelos professores durante o isolamento social. “É necessário utilizar os recursos disponíveis pela maioria, que é o aparelho celular”, explica.

O fato do digital ser ainda ausente na educação do País faz com que o número de edtechs – startups de educação – cresça. Pesquisa publicada pelo Centro de Inovação para a Educação Brasileira (Cieb) e pela Associação Brasileira de Startups (ABStartups) atesta o crescimento de 23% no número de edtechs no País nos últimos dois anos. O objetivo comum é explorar e criar ferramentas tecnológicas voltadas para um mundo irreversivelmente digital. A demanda por aplicativos de educação no Brasil cresceu cerca de 130% somente em março, primeiro mês da pandemia instaurada.

Entre as 795 startups do setor educacional mapeadas pelo StartupBase, 449 estão ativas atualmente no País, sendo que o mercado mais procurado é o de educação básica, onde sete em cada dez edtechs dedicam-se a soluções para esse segmento. Desse universo, somente 31 são dedicadas à gestão educacional.


Fonte: O Estado

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