06 de junho de 2020
Fortaleza passa de 29 voos para apenas 4 na pandemia do novo coronavírus

Atualmente, operam no Aeroporto de Fortaleza voos para São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Recife, com ofertas das três maiores companhias brasileiras, que estão anunciando mais voos para os próximos dias

No mesmo em que as maiores cidades brasileiras anunciam seus planos de reabertura da atividade econômica, o setor de aviação civil também aumenta a oferta de voos. Antes da pandemia, o Aeroporto de Fortaleza tinha voos para 29 destinos, entre nacionais e internacionais. Atualmente, esse número chega a quatro, somente nacionais.

Entre março e maio, o Aeroporto de Fortaleza teve momentos de proibir o desembarque de estrangeiros, também de o Exército realizar a desinfecção nas áreas de check-in, salas de embarque e desembarque, esteiras de bagagens, praça de alimentação e espaços utilizados por órgãos federais, além da Justiça Federal determinar uma triagem sanitária. Neste período, sob rígidas regras de limpeza e higiene a bordo, a oferta de voos caiu quase 100% e as principais companhias, Gol e Latam, terminaram o mês de maio ofertando voos apenas para São Paulo, e a Azul para Recife.

No início deste mês, as companhias passaram a anunciar a ampliação da oferta de voos para cidades como Rio de Janeiro e Brasília. Mesmo assim, a oferta ainda é tímida na comparação ao período antes da crise. Ontem, no painel de informações do Aeroporto de Fortaleza, somente quatro partidas: da Azul, para Recife; e de Latam e Gol, para Guarulhos-SP. Outro voo, da KLM, para Amsterdã, foi cancelado.

A Azul informou que a partir de segunda-feira, 8, a companhia volta a operar os voos entre Fortaleza e Campinas-SP, que é o centro de conexões da companhia no Brasil. "Serão quatro voos semanais para Viracopos, em Campinas, que conectam os clientes cearenses a toda malha nacional e internacional da Azul". A partir da conexão, os passageiros poderão chegar a cidades como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Vitória, Curitiba, Porto Alegre, Cuiabá e Navegantes, além do interior de São Paulo.

Para o mês de junho, a Gol anunciou que vai operar novos voos de Fortaleza para Brasília, Rio de Janeiro (Galeão), São Paulo e Recife. E em Juazeiro do Norte (JDO) para São Paulo (GRU). Ainda informou em nota que, desde o início da pandemia, quando algum voo é cancelado, a empresa busca realocar o passageiro em outro voo, mesmo que de outra companhia. "E, caso seja preciso, os passageiros recebem a assistência necessária, podendo ser realocados para outros voos".

De acordo com os resultados prévios de tráfego em maio, a Gol registrou queda de 93% nas decolagens, em comparação com o mesmo mês do ano passado. A taxa de ocupação das aeronaves no mês passado foi de 74,8%, queda de 7,3 pontos percentuais em um ano, tudo impacto da pandemia.

Ao O POVO, a Latam afirma que está retomando gradualmente os seus voos em todo o Brasil e "avalia constantemente a sua malha aérea mínima essencial para enfrentar os impactos causados pela pandemia de Covid-19".

De acordo com o professor do Departamento de Engenharia Aeronáutica da Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (EESC-USP), James Rojas Waterhouse, neste momento uma grande retomada na oferta de voos não é positiva do ponto de vista da saúde, mas a demanda vem crescendo, com a reabertura da economia.

Para Waterhouse, as empresas atravessam a crise de forma penosa, pelos altos custos envolvidos e pela baixa margem de lucro, para manter os preços competitivos no mercado. "A queda de demanda foi abrupta, aeronaves ficaram vagas, uma frota de aviões sem utilidade. O mercado vai demorar muito a retomar o mesmo nível que tinha antes da crise e vai haver uma quebradeira entre empresas aéreas no mundo inteiro", observa.

O professor defende que, pela importância do setor aéreo, o Governo aprove um socorro financeiro às empresas, sob risco do desmantelo da aviação brasileira. O economista Gilberto Barbosa também defende a iniciativa, pois o investimento deve ser feito olhando o longo prazo, em que as empresas têm potencial de recuperar sua liquidez. O risco no médio prazo é com o aumento de passagens aéreas.

"As empresas pararam de honrar seus compromissos pelo choque que aconteceu, mas isso não significa que essa empresa é insolvente. No longo prazo, quando voltarmos à normalidade de mercado, a empresa tem um valor importante de negócio", analisa.

Recuperação da hotelaria

DEMANDA POR VIAGENS
De acordo com o levantamento da HotelInvest, em parceria com a Omnibees, a STR e o FOHB (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil), a retomada total por viagens aéreas aos níveis de 2019 não devem ocorrer até 2023. Ainda segundo a pesquisa, o início de uma recuperação de demanda nacional só aconteceria no início do segundo semestre de 2021. O mesmo só aconteceria com a demanda internacional no primeiro semestre de 2023.

IMPORTÂNCIA DOS VOOS
Apesar de não ser um típico indutor de demanda, é o modal de transporte predominante para as viagens no país. Em cidades como São Paulo, entre 80% e 95% dos hóspedes usam
aviões para chegar ao destino.

EVENTOS
Apesar do interesse inicial de reprogramar os eventos para o segundo semestre, a incerteza ainda é alta e pode adiar parte expressiva para 2021. A pesquisa mostra que a maioria (56%) dos eventos adiados no primeiro semestre, foram remarcados para setembro. Outros 23% de eventos adiados ainda aguardam nova data.

RETOMADA DA HOTELARIA
O início de recuperação mais clara da economia e da hotelaria no Brasil é esperado para agosto, após o pico de casos ativos no País. Volume atual de reservas emitidas ainda é muito baixo, com discreto sinal de melhoria na última semana de maio. Por enquanto, com as ocupações em um dígito no Brasil, 64% dos hotéis encontram-se fechados.

NA CHINA
Primeiro país afetado pela pandemia, com a cidade de Wuhan como origem dos casos, a China já teve a retomada do setor de hotelaria. Atualmente, os hotéis econômicos estão com ocupação média de 56%, enquanto a média dos demais, fica em torno de 36%.

 


Fonte: O Povo

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