21 de maio de 2020 às 06h50m
Tensão: bombardeiros dos EUA pressionam Pequim

Os Estados Unidos anunciaram ter feito um exercício militar de 32 horas com quatro bombardeiros supersônicos B-1B sobre o mar do Sul da China, área que Pequim considera sua.

A pressão americana ocorre em meio à renovada tensão entre as duas maiores economias do mundo, em guerra comercial e tecnológica desde 2017.
Nesta semana, os países se digladiaram na OMS (Organização Mundial da Saúde). Washington acusa Pequim de ser responsável pelo espraiamento do surto do coronavírus de seu território para o resto do mundo, o que os chineses negam. O uso dos B1-B, ocorrido nos dias 29 de abril e 1? de maio, é simbólico. Os aviões, assim como outros bombardeiros como os B-52, haviam sido retirados da base americana em Guam (Pacífico), naquilo que foi visto como um estranho recuo tático por analistas.
Os aparelhos, agora de volta à ilha com 200 aviadores, são a ponta de lança de qualquer ataque aéreo americano na região, e têm capacidade de empregar armas nucleares. A operação foi um recado “demonstrando a credibilidade da Força Aérea americana para lidar com um ambiente de segurança diversificado e incerto”, escreveu no Twitter o Comando Pacífico da Força Aérea.

Prontidão
Desde que a Covid-19 tornou-se uma pandemia, há um jogo entre EUA e seus rivais para demonstrar prontidão militar. Para os americanos, a questão é mais sensível porque seus dois porta-aviões baseados no Pacífico foram atingidos por surtos da doença. Russos, chineses, norte-coreanos e até os combalidos iranianos exercitaram sua musculatura militar com testes de armas e inúmeras simulações de combate após o vírus ganhar o planeta.
Os EUA fizeram o mesmo, apesar dos seus problemas pontuais, lembrando os adversários sobre sua capacidade como maior potência bélica global, responsável por 39% do orçamento militar do mundo em 2019. O mar do Sul da China é o ponto em que muitos observadores veem o maior risco de uma confrontação acidental entre Pequim e Washington. Os chineses militarizaram, nos últimos anos, ilhotas e atóis na região, que dizem ser sua para garantir a segurança de suas rotas marítimas -90% do comércio mundial é feito por mar.
Os EUA e vizinhos dos chineses como as Filipinas dizem que as rotas têm de ser livres. Neste ano, segundo dados do Pentágono citados pelo jornal honconguês South China Morning Post, os EUA quase triplicaram o número de missões aéreas na região em relação ao mesmo período de 2019, com 40 delas até aqui. No mar, já fizeram quatro exercícios navais, ante 8 do ano passado todo. O analista militar Song Zhongping, um ex-oficial do Exército chinês que hoje escreve comentários sobre defesa em jornais de Hong Kong, sustenta que Pequim não entende a reivindicação americana como mero exercício de liberdade econômica, mas sim com ameaça.
Os voos ocorrem no momento em que a China está na primeira semana de um de seus maiores exercícios navais em anos, com o uso de seus dois porta-aviões no mar Amarelo. Houve o que Zhongping chamou de provocação desnecessária: nesta terça (19), um destróier americano foi avistado a 215 km da costa de Xangai, perto da região da simulação chinesa.

Sinal de apoio à ilha
O USS Rafael Peralta se soma a outros dois navios de guerra que recentemente cruzaram o estreito de Taiwan sob a bandeira de livre trânsito. Para Pequim, é apenas um sinal de apoio à ilha que a ditadura comunista considera parte de seu território. Nesta quarta (20), o governo chinês protestou pelo fato de o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, ter enviado congratulações à presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, que começou seu segundo mandato no cargo. O governo Trump tem dado atenção especial a Taiwan, que tem sido alvo de protestos de nacionalistas chineses em favor de anexação à força, hoje altamente improvável pelo alto custo e pelo risco de trazer os EUA para uma guerra que ninguém quer agora. Os EUA também têm mantido apoio aos manifestantes pró-democracia no território chinês autônomo de Hong Kong.


Fonte: O Estado

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