13 de maio de 2020 às 14h42m
Comitê aponta importância de investir em assistência

O relatório Cada Vida Importa, produzido pelo Comitê Cearense de Prevenção e combate à Homicídios na Adolescência, da Assembleia Legislativa (AL), foi lançado ontem (11) com debate virtual sobre a importância dos investimentos na assistência social para salvar vidas, especialmente em contextos de crise.

O relatório foi realizado entre o segundo semestre de 2018 e o primeiro semestre de 2019 em todas as unidades de assistência, de atenção à saúde mental e postos de saúde.
O presidente da AL, deputado José Sarto (PDT), afirmou que, apesar de o foco dos esforços atuais estar no combate ao coronavírus, não se pode esquecer os índices de violência alarmantes que atingem, em especial, jovens que vivem nas periferias urbanas. O deputado destacou a importância do trabalho realizado pelo comitê, que vem norteando ações de políticas públicas transversais no Ceará, buscando prevenir a violência e compreender a trajetória de vida dos jovens e suas relações com as famílias e instituições públicas: “É um dos grandes contributos que a AL tem feito ao Estado e suas políticas para prevenirmos a perda de vidas tão jovens”, afirmou.


O deputado Renato Roseno (Psol), relator do comitê e presidente da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da AL, defendeu a necessidade de políticas públicas de longo prazo e de gastos sociais produzidos de forma responsável para enfrentar as desigualdades e salvar vidas. Ele apontou que tais ações poderiam ser decisivas em situações como a atual, de enfrentamento à pandemia. O parlamentar elencou as missões do comitê da AL de produzir pesquisa e informação sobre a violência que atravessa a vida de jovens nas periferias urbanas, produzir recomendações de políticas públicas e mobilizar a sociedade para prevenir a violência.


Especialistas


O debate contou com Pedro Rossi, economista e pesquisador do Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica da Unicamp, que abordou a importância do gasto público e do gasto social antes, durante e depois da pandemia. Para ele, a crise atual vai mudar o cenário mundial e a forma como os estados nacionais operam. “Precisamos recuperar o papel do gasto público e do gasto social para pensarmos o Brasil depois da pandemia”, apontou. O pesquisador avalia que a crise econômica que o País vinha vivendo e os impactos e cicatrizes que a pandemia deixará serão um divisor de águas na política macroeconômica e mostrarão que a agenda da austeridade se tornou obsoleta.
Para ele, a agenda econômica que vem sendo executada não trouxe resultados positivos para o País, aprofundou desigualdades e, se for continuada, gerará mais caos social. Entre as mudanças necessárias, além da mudança da agenda econômica de austeridade, estão a criação e fortalecimento de uma rede de proteção social e a renda básica universal. “O Estado universal precisa chegar a quem precisa”, destacou.


Andréa Esmeraldo, psicóloga, conselheira da Comissão de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia e trabalhadora da assistência social, ressaltou a importância da proteção social e do sistema de assistência social para garantir o acesso aos direitos em um cenário de profundas desigualdades e exclusões. Ela destacou que, diante da pandemia do coronavírus, os problemas sociais são vividos e vistos de forma ainda mais intensa, especialmente pelas populações vulneráveis e pelos trabalhadores da assistência social.


O debate virtual contou ainda com a participação de entidades, profissionais da área da assistência social, pesquisadores e público, que, por meio das redes sociais e transmissão ao vivo, enviaram comentários e questionamentos para o debate.

hoje


Fonte: O Estado

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