07 de abril de 2020 às 09h44m
27 municípios com risco alto de epidemia possuem poucos leitos e respiradores

Informação é de estudo da FGV e da Fiocruz. Ao todo, 68 municípios do Ceará possuem alto risco de epidemia do novo coronavírus

Vinte e sete municípios do Ceará que possuem risco alto de epidemia do novo coronavírus estão em regiões com baixos índices de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTIs) e aparelhos respiradores – essenciais para o tratamento da doença. A informação é de estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) do último fim de semana.

Ao todo, 68 municípios do Estado têm alta probabilidade de disseminação da doença. As cidades se concentram sobretudo na Região Metropolitana de Fortaleza e no litoral – entre Jijoca de Jericoacoara e Aracati – com focos também em municípios do Sertão Central e até em Juazeiro do Norte, único município do Cariri com tal índice.

Desta “área de risco”, 27 municípios estão fora da macrorregião de Saúde de Fortaleza, a única do Estado com médias de mais de dois leitos de UTI e mais de 2,5 aparelhos respiradores – essenciais para o tratamento de casos da Covid-19 – a cada 10 mil habitantes. Estão nessa lista grandes cidades, como Juazeiro do Norte, Sobral, Quixadá e Quixeramobim.

Segundo o estudo, deficiência mais grave de equipamentos ocorre na macrorregião do Litoral Leste/Jaguaribe, onde estão sete municípios de alto risco, entre eles Aracati. “Essa é uma deficiência que todo o Brasil tem e que todo o mundo está mostrando que tem. Até Nova Iorque está sem (leitos ou respiradores)”, diz o prefeito de Aracati, Bismarck Maia (PTB).

Ele destaca que, com perspectiva de novos leitos de UTI só em abril pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), o município tem adotado postura “radical” contra aglomerações. “Temos desde o início tido isolamento total, com tudo fechado, principalmente áreas turísticas (...) a população está bastante compreensiva, até pede que evitemos a chegada de turistas”, diz.

Já o prefeito de Quixadá, Ilário Marques, diz que o município adaptou uma unidade especial com até 9 leitos exclusivamente para a crise. Ele afirma que a cidade espera ainda a instalação de novos leitos de UTI no Hospital Regional do Sertão Central, em Quixeramobim. “Lá são 20 leitos de UTI reservados para a Covid-19. Mas há uma promessa da Sesa de montar lá um hospital de campanha, com novos leitos”, afirma.

Ilário diz que, antes mesmo do decreto de isolamento de Camilo Santana (PT), o município já havia determinado o fechamento de campus de universidades. “Nós temos interação estimada com Fortaleza de duas mil pessoas todos os dias. Como somos uma cidade universitária, temos também fluxo de alunos de 30 municípios para cá, era preciso controlar isso”.

Ele destaca, no entanto, que o governo deveria avaliar o fechamento das saídas de Fortaleza durante o feriado de Semana Santa, na próxima sexta-feira. “Fortaleza é uma cidade interiorana, muitas pessoas têm raízes fortes com o Interior. Então isso pode ser um foco de disseminação grande da doença, seria bom se eles pensassem em controlar esse fluxo”.


Fonte: O Povo

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